O que é Bradiarritmia
A bradiarritmia é definida como qualquer arritmia cardíaca cujo resultado é uma frequência cardíaca abaixo dos valores de referência para a espécie. Em cães adultos de raças médias, a frequência normal em repouso varia entre 60 e 160 bpm; em raças grandes e gigantes, valores de 40 a 60 bpm podem ser normais em animais atletas. Em gatos, frequências abaixo de 100 bpm em repouso são consideradas bradicárdicas.
A bradiarritmia pode originar-se de distúrbios na formação do impulso elétrico (no nó sinoatrial) ou na condução desse impulso pelo sistema de condução cardíaco (bloqueios atrioventriculares). Identificar o mecanismo exato é fundamental para o tratamento correto.
Causas e tipos
As bradiarritmias são classificadas conforme sua origem e mecanismo:
- Bradicardia sinusal: frequência reduzida com ritmo regular; pode ser fisiológica em atletas ou causada por hipotireoidismo, hipotermia e medicamentos (betabloqueadores, opioides, dexmedetomidina).
- Bloqueio sinoatrial: falha na geração do impulso no nó SA, com pausas no traçado eletrocardiográfico.
- Bloqueio atrioventricular (BAV) de 2º e 3º graus: o impulso atrial não é conduzido adequadamente aos ventrículos; o BAV de 3º grau (completo) é uma emergência cardiológica.
- Síndrome do nó doente: disfunção do nó SA com alternância entre bradicardia e taquicardia (síndrome bradi-taqui).
Sintomas
Os sinais clínicos dependem da gravidade da bradicardia e do comprometimento do débito cardíaco. Bradiarritmias leves podem ser assintomáticas e descobertas ao exame físico de rotina. Formas moderadas a graves causam: fraqueza e intolerância ao exercício, síncope (desmaio), pré-síncope (tontura, ataxia), colapso e, nos casos extremos, parada cardiorrespiratória.
- Letargia e intolerância ao exercício
- Síncope (desmaio) episódica
- Pulso fraco e irregular
- Cianose em casos graves
Diagnóstico
O eletrocardiograma (ECG) é o exame diagnóstico fundamental, permitindo identificar o tipo exato de bradiarritmia e sua gravidade. O monitor Holter (ECG de 24 horas) é indicado quando a arritmia é episódica e não capturada no ECG de repouso. Exames laboratoriais (eletrólitos, função tireoidiana, hemograma) descartam causas metabólicas. Ecocardiografia avalia a estrutura e função cardíaca.
Em situações de urgência, a resposta à atropina (teste de atropina) ajuda a distinguir bradiarritmias vagais (responsivas) de distúrbios intrínsecos do sistema de condução (não responsivas).
Tratamento
O tratamento depende da causa e da gravidade. Bradiarritmias sintomáticas agudas são tratadas com atropina ou glicopirrolato por via intravenosa como medida de emergência. Infusão de dopamina pode ser necessária. O tratamento definitivo de BAV de 3º grau sintomático é o implante de marcapasso artificial, procedimento disponível em centros de cardiologia veterinária especializada.
Bradiarritmias causadas por medicamentos são tratadas com a suspensão do fármaco causador. Distúrbios metabólicos (hipercalemia, hipotireoidismo) devem ser corrigidos para normalizar o ritmo cardíaco.
Prevenção
Exames cardiológicos regulares em raças predispostas a distúrbios de condução (Cocker Spaniel, Labrador, Boxer, Dobermann) permitem identificação precoce. Monitoramento cuidadoso de animais em uso de medicamentos que reduzem a frequência cardíaca é essencial. Em animais idosos, ECG de rotina durante consultas periódicas pode detectar bradiarritmias antes que se tornem sintomáticas.