Emergências:·(49) 99975-0489·R. Borges de Medeiros, E, 303-E - Maria Goretti, Chapecó - SC
Doença⏱ 3 min de leitura👁 282 visualizações

O que é Bradiarritmia?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A bradiarritmia é qualquer distúrbio do ritmo cardíaco caracterizado por frequência cardíaca anormalmente baixa, abaixo dos limites esperados para a espécie, idade e porte do animal. Em cães, frequências abaixo de 60 batimentos por minuto em repouso geralmente são consideradas bradicárdicas clinicamente relevantes. A condição pode resultar de causas fisiológicas (atletas ou raças grandes em repouso), farmacológicas, metabólicas ou de doenças cardíacas primárias. Formas graves de bradiarritmia comprometem o débito cardíaco e causam síncope, fraqueza e risco de parada cardíaca.

O que é Bradiarritmia

A bradiarritmia é definida como qualquer arritmia cardíaca cujo resultado é uma frequência cardíaca abaixo dos valores de referência para a espécie. Em cães adultos de raças médias, a frequência normal em repouso varia entre 60 e 160 bpm; em raças grandes e gigantes, valores de 40 a 60 bpm podem ser normais em animais atletas. Em gatos, frequências abaixo de 100 bpm em repouso são consideradas bradicárdicas.

A bradiarritmia pode originar-se de distúrbios na formação do impulso elétrico (no nó sinoatrial) ou na condução desse impulso pelo sistema de condução cardíaco (bloqueios atrioventriculares). Identificar o mecanismo exato é fundamental para o tratamento correto.

Causas e tipos

As bradiarritmias são classificadas conforme sua origem e mecanismo:

  • Bradicardia sinusal: frequência reduzida com ritmo regular; pode ser fisiológica em atletas ou causada por hipotireoidismo, hipotermia e medicamentos (betabloqueadores, opioides, dexmedetomidina).
  • Bloqueio sinoatrial: falha na geração do impulso no nó SA, com pausas no traçado eletrocardiográfico.
  • Bloqueio atrioventricular (BAV) de 2º e 3º graus: o impulso atrial não é conduzido adequadamente aos ventrículos; o BAV de 3º grau (completo) é uma emergência cardiológica.
  • Síndrome do nó doente: disfunção do nó SA com alternância entre bradicardia e taquicardia (síndrome bradi-taqui).

Sintomas

Os sinais clínicos dependem da gravidade da bradicardia e do comprometimento do débito cardíaco. Bradiarritmias leves podem ser assintomáticas e descobertas ao exame físico de rotina. Formas moderadas a graves causam: fraqueza e intolerância ao exercício, síncope (desmaio), pré-síncope (tontura, ataxia), colapso e, nos casos extremos, parada cardiorrespiratória.

  • Letargia e intolerância ao exercício
  • Síncope (desmaio) episódica
  • Pulso fraco e irregular
  • Cianose em casos graves

Diagnóstico

O eletrocardiograma (ECG) é o exame diagnóstico fundamental, permitindo identificar o tipo exato de bradiarritmia e sua gravidade. O monitor Holter (ECG de 24 horas) é indicado quando a arritmia é episódica e não capturada no ECG de repouso. Exames laboratoriais (eletrólitos, função tireoidiana, hemograma) descartam causas metabólicas. Ecocardiografia avalia a estrutura e função cardíaca.

Em situações de urgência, a resposta à atropina (teste de atropina) ajuda a distinguir bradiarritmias vagais (responsivas) de distúrbios intrínsecos do sistema de condução (não responsivas).

Tratamento

O tratamento depende da causa e da gravidade. Bradiarritmias sintomáticas agudas são tratadas com atropina ou glicopirrolato por via intravenosa como medida de emergência. Infusão de dopamina pode ser necessária. O tratamento definitivo de BAV de 3º grau sintomático é o implante de marcapasso artificial, procedimento disponível em centros de cardiologia veterinária especializada.

Bradiarritmias causadas por medicamentos são tratadas com a suspensão do fármaco causador. Distúrbios metabólicos (hipercalemia, hipotireoidismo) devem ser corrigidos para normalizar o ritmo cardíaco.

Prevenção

Exames cardiológicos regulares em raças predispostas a distúrbios de condução (Cocker Spaniel, Labrador, Boxer, Dobermann) permitem identificação precoce. Monitoramento cuidadoso de animais em uso de medicamentos que reduzem a frequência cardíaca é essencial. Em animais idosos, ECG de rotina durante consultas periódicas pode detectar bradiarritmias antes que se tornem sintomáticas.

#bradiarritmia#arritmia#coracao#caes#gatos#marcapasso#cardiologia

Perguntas frequentes

O que é bradiarritmia?

É qualquer distúrbio do ritmo cardíaco em que a frequência cardíaca fica abaixo dos limites normais para a espécie e porte do animal. Pode variar de uma condição benigna a uma emergência cardiológica grave.

Qual frequência cardíaca é considerada bradicardia em cães?

Em cães de porte médio, frequências abaixo de 60 bpm em repouso são geralmente clinicamente relevantes. Em raças grandes e atletas, valores um pouco mais baixos podem ser normais; o contexto clínico é sempre avaliado.

O que causa bradiarritmia em pets?

As causas incluem medicamentos (betabloqueadores, sedativos), distúrbios metabólicos (hipotireoidismo, hipercalemia, hipotermia), doenças primárias do sistema de condução cardíaca e estimulação vagal excessiva.

Quais são os sinais de bradiarritmia?

Formas leves podem ser assintomáticas. Formas graves causam fraqueza, intolerância ao exercício, desmaios (síncope), colapso e, nos casos extremos, parada cardíaca. Qualquer episódio de desmaio em pet exige avaliação urgente.

Como o veterinário diagnostica bradiarritmia?

O eletrocardiograma (ECG) é o exame essencial para identificar o tipo de arritmia. Holter (ECG de 24h) é usado quando a arritmia é episódica. Exames laboratoriais e ecocardiografia complementam a avaliação.

Bradiarritmia tem cura?

Depende da causa. Bradiarritmias secundárias a medicamentos ou distúrbios metabólicos se resolvem com o tratamento da causa. Distúrbios primários do sistema de condução, como o BAV de 3º grau, exigem marcapasso permanente.

O que é bloqueio atrioventricular?

É uma forma de bradiarritmia em que o impulso elétrico não é conduzido adequadamente dos átrios para os ventrículos. O grau 3 (bloqueio completo) é o mais grave e frequentemente necessita de marcapasso para sobrevivência.

Marcapasso para cães é possível?

Sim. O implante de marcapasso cardíaco em cães é realizado em centros de cardiologia veterinária especializados. O procedimento melhora significativamente a qualidade de vida e a sobrevida de animais com BAV de 3º grau.

Raças de cães têm mais risco de bradiarritmia?

Sim. Cocker Spaniel, Labrador Retriever, Boxer e Dobermann têm predisposição a distúrbios do sistema de condução elétrica cardíaca. Nesses animais, avaliação cardiológica periódica é especialmente recomendada.

O que fazer se meu pet desmair?

Leve imediatamente ao veterinário ou à emergência veterinária. Síncope pode indicar bradiarritmia grave ou outras doenças cardíacas com risco de parada cardíaca. Não tente medicar o animal em casa.

Ver também