O que é tonsilite?
As tonsilas palatinas (amígdalas) são estruturas linfoepiteliais em criptas na parede lateral da orofaringe. Fazem parte do anel de Waldeyer de tecido linfoide da faringe e são responsáveis pela vigilância imunológica local — amostragem de antígenos que entram pela boca e nariz.
A tonsilite é a inflamação dessas estruturas, causada por infecção ou irritação crônica. Em cães é mais frequente que em gatos. Raças braquicefálicas e pequenas (Poodle, Maltês, Yorkshire) têm maior predisposição, possivelmente pela conformação da orofaringe.
Causas
A tonsilite primária por infecção bacteriana (Streptococcus, Staphylococcus, anaeróbios) é uma causa, mas mais frequentemente a tonsilite é secundária: reflete uma doença de base que irrita cronicamente a orofaringe. Vômito crônico, regurgitação, doença periodontal grave, rinite crônica, megaesôfago e obstrução de vias aéreas superiores são as causas secundárias mais comuns.
- Infecção bacteriana primária: estreptococos, anaeróbios
- Vômito ou regurgitação crônica: irritação da mucosa
- Doença periodontal: disseminação bacteriana local
- Rinite e sinusite crônica: secreção que irrita a faringe
- Braquicefalismo: conformação que predispõe à inflamação orofaríngea
- Neoplasia: carcinoma de células escamosas, linfoma
Sintomas
Disfagia (dificuldade de deglutir), engasgos, regurgitação de alimento não digerido, salivação, recusa de alimentos sólidos e anorexia são os principais sinais. Tonsilas visivelmente projetadas para fora das criptas, avermelhadas e com exsudato são achados ao exame orofaríngeo.
Em casos infecciosos graves, febre, letargia, linfonodos submandibulares aumentados e dor ao abrir a boca estão presentes. Em cães com tonsilite crônica, pode haver tosse leve por irritação faríngea.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo exame direto da orofaringe, geralmente com o animal acordado ou com sedação leve. Tonsilas avermelhadas, edemaciadas e projetadas para fora das criptas confirmam a tonsilite. Cultura da secreção tonsila identifica o agente bacteriano.
A investigação da causa subjacente é fundamental: endoscopia digestiva alta para vômito/regurgitação, radiografia esofágica com contraste para megaesôfago, exame dentário completo e rinoscopia conforme indicação. Citologia e biópsia das tonsilas são necessárias quando há suspeita de neoplasia.
Tratamento
Antibióticos são o tratamento inicial para tonsilite bacteriana. Amoxicilina-clavulanato, clindamicina e metronidazol são escolhas frequentes, por 2 a 3 semanas. Anti-inflamatórios aliviam a disfagia. Tratar a causa subjacente é essencial para evitar recidiva.
Tonsilectomia é indicada em: tonsilite recorrente refratária ao tratamento clínico, neoplasia tonsila e, em alguns casos, para aliviar obstrução de vias aéreas em braquicéfalos. É cirurgia relativamente simples com boa recuperação.
Prognóstico
Tonsilite bacteriana primária responde bem ao tratamento. Tonsilite secundária depende do controle da causa de base. Neoplasia tonsila tem prognóstico variável: carcinoma de células escamosas é agressivo, com alta taxa de metástase em linfonodos regionais. Linfoma tonsila responde bem à quimioterapia em muitos casos.