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O que é Úlcera cutânea?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Úlcera cutânea é uma lesão aberta e profunda na pele que compromete a epiderme, a derme e, em casos graves, o tecido subcutâneo e estruturas mais profundas. Diferentemente de feridas superficiais, as úlceras cutâneas têm dificuldade de cicatrização espontânea e tendem à cronificação. Em cães e gatos, surgem como consequência de pressão prolongada, distúrbios vasculares, infecções crônicas, doenças autoimunes ou neoplasias. O tratamento é um desafio clínico-cirúrgico que exige identificação e controle da causa subjacente, além de manejo especializado da ferida. Úlceras cutâneas negligenciadas evoluem com infecção profunda, osteomielite (infecção óssea) e sepse, representando sério risco à saúde do animal.

O que é úlcera cutânea em animais?

Úlcera cutânea é uma solução de continuidade profunda da pele que não cicatriza espontaneamente, caracterizada pela perda de substância da epiderme e derme, com exposição de tecidos mais profundos. Distingue-se de abrasões e escoriações pela profundidade, cronicidade e ausência de tendência à cura sem intervenção terapêutica ativa.

A cronificação ocorre quando o processo inflamatório local, a infecção bacteriana secundária, a isquemia tecidual ou a doença de base impedem as fases normais da cicatrização (hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação). Biofilme bacteriano nas bordas e no leito da úlcera é um dos principais obstáculos à cicatrização.

Causas e tipos

Úlceras de decúbito (escara) surgem em animais acamados — por fratura, doença neurológica ou pós-operatório prolongado — quando a pressão constante sobre proeminências ósseas (cotovelos, quadril, calcanhares) compromete a circulação local. Úlceras isquêmicas ocorrem por doenças vasculares ou vasculite. Úlceras infecciosas são causadas por bactérias (pioderma profundo), fungos ou leishmaniose.

  • Úlcera de decúbito (escaras): animais acamados, proeminências ósseas
  • Pioderma profundo ulcerado: infecção bacteriana profunda da pele
  • Leishmaniose: ulcerações nos pinos do nariz, orelhas e patas
  • Neoplásica: mastocitoma, carcinoma de células escamosas ulcerado
  • Autoimune: pênfigo vulgaris, lúpus eritematoso sistêmico
  • Lambedura compulsiva: granuloma de lambedura ulcerado (lick granuloma)

Sintomas

A úlcera cutânea se apresenta como uma lesão aberta de bordas irregulares, frequentemente com exsudato serossanguinolento ou purulento, tecido necrótico amarelado ou escuro no leito e odor característico de infecção bacteriana. As bordas podem ser elevadas, eritematosas e endurecidas nos processos crônicos ou neoplásicos.

O animal demonstra dor ao toque na região, podendo lamber persistentemente a lesão (o que perpetua a úlcera) ou proteger a área acometida. Sinais sistêmicos como febre, letargia e perda de peso indicam infecção generalizada ou doença sistêmica de base grave. Úlceras que envolvem articulações ou ossos causam claudicação intensa.

Diagnóstico

A citologia da úlcera — impressão ou swab do leito — permite identificar o tipo de células presentes (inflamatórias, neoplásicas) e os microrganismos predominantes. A biopsia das bordas é indispensável para distinguir úlceras inflamatórias de neoplásicas e orientar o tratamento. A cultura e antibiograma do exsudato identificam o agente bacteriano e guiam a antibioticoterapia.

A radiografia da área afetada avalia o envolvimento ósseo (osteomielite). Em casos suspeitos de doenças sistêmicas como leishmaniose, lúpus ou vasculite, exames séricos específicos (sorologia, FAN, ANCA) são necessários. A termografia ou Doppler vascular podem avaliar a perfusão tecidual em úlceras isquêmicas.

Tratamento

O manejo da úlcera inclui desbridamento — remoção de tecido necrótico e biofilme — seja mecânico (cirúrgico), autolítico (curativos especiais) ou enzimático. Curativos de hidrogel, alginato, prata nanocristalina ou espuma de poliuretano são selecionados conforme o tipo de exsudato e a fase da cicatrização. A antibioticoterapia sistêmica é necessária quando há infecção tissular profunda.

A causa subjacente deve ser tratada concomitantemente: reposicionamento e proteção de proeminências ósseas em animais acamados, imunossupressão em doenças autoimunes, quimioterapia ou cirurgia para neoplasias, tratamento específico para leishmaniose. O colar elizabetano previne lambedura da lesão. Em alguns casos, cirurgia reconstrutiva com retalho cutâneo ou enxerto de pele é necessária para fechamento definitivo.

Prevenção

Animais acamados devem ser reposicionados a cada 2 a 4 horas e mantidos sobre colchões ortopédicos com proteção das proeminências ósseas. Manter a pele limpa e seca, tratar prontamente qualquer ferida antes que evolua para ulceração e controlar doenças crônicas que predispõem a lesões cutâneas são medidas essenciais. Em raças predispostas ao granuloma de lambedura (Labradores, Golden Retrievers), investigar e tratar a causa comportamental precocemente evita a cronificação das lesões.

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Perguntas frequentes

O que é úlcera cutânea em animais?

É uma ferida profunda e aberta na pele que não cicatriza espontaneamente. Compromete a epiderme, a derme e pode atingir tecidos mais profundos. Têm tendência à cronificação e infecção secundária, exigindo tratamento especializado para curar.

O que causa úlceras de decúbito em cães?

Úlceras de decúbito (escaras) surgem em cães acamados por doença neurológica, fratura ou pós-operatório prolongado. A pressão constante sobre proeminências ósseas — cotovelos, quadril, calcanhares — compromete a circulação local, causando necrose tissular e formação de úlceras.

Como prevenir escaras em cães acamados?

O animal deve ser reposicionado a cada 2 a 4 horas, mantido sobre colchão ortopédico ou de espuma de alta densidade, com proteção das proeminências ósseas (cotovelos, quadril) com curativos acolchoados. A pele deve ser mantida limpa e seca e inspecionada diariamente.

Úlcera cutânea pode ser sinal de câncer?

Sim. Neoplasias cutâneas como mastocitoma, carcinoma de células escamosas e outras podem se ulcerar, especialmente em estágios mais avançados. Por isso, toda úlcera cutânea de crescimento progressivo, com bordas irregulares e endurecidas, ou que não responde ao tratamento convencional deve ser biopsiada para excluir neoplasia.

O que é granuloma de lambedura?

É uma úlcera cutânea crônica causada pela lambedura compulsiva e repetitiva do animal em um ponto específico, geralmente nos membros. A lambedura causa trauma mecânico, inflamação e infecção, impedindo a cicatrização. A causa frequentemente tem componente comportamental (ansiedade, tédio) ou de dor local subjacente.

Como é feito o desbridamento de úlcera cutânea?

Desbridamento é a remoção de tecido morto (necrótico) e biofilme do leito da úlcera. Pode ser cirúrgico (com bisturi ou tesoura), mecânico (curativos úmidos-secos), autolítico (curativos especiais como hidrogel que ativam as enzimas naturais) ou enzimático (com pomadas específicas). O tipo é escolhido conforme a condição da úlcera.

Leishmaniose causa úlceras na pele de cães?

Sim. A leishmaniose visceral canina causa úlceras características nas pontas do nariz (nariz de palhaço), bordas das orelhas, dedos dos pés e cotovelos, além de descamação generalizada da pele. São lesões que tendem a não cicatrizar sem tratamento específico para a doença de base.

Quanto tempo leva para curar uma úlcera cutânea?

Depende muito da causa, tamanho, profundidade e do controle da doença de base. Úlceras simples com causa removida podem cicatrizar em 2 a 6 semanas com manejo adequado. Úlceras crônicas complexas por doenças sistêmicas podem levar meses, e algumas precisam de cirurgia reconstrutiva para fechamento definitivo.

Posso cuidar de úlcera cutânea do meu pet em casa?

Úlceras superficiais pequenas podem ser manejadas em casa com orientação veterinária: limpeza com soro fisiológico, curativo adequado e prevenção de lambedura com colar elizabetano. Úlceras profundas, infectadas, necróticas ou que não melhoram em 5 a 7 dias requerem avaliação veterinária urgente para desbridamento e tratamento especializado.

Que tipo de curativo usar em úlceras cutâneas de pets?

O curativo ideal depende do tipo de exsudato e da fase de cicatrização. Curativos de hidrogel hidratam lesões secas. Alginato absorve exsudato abundante. Curativos com prata nanocristalina controlam infecção. A espuma de poliuretano protege e absorve. A escolha deve ser orientada pelo veterinário responsável pelo caso.

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