O que é o jejum pré-operatório?
O jejum pré-operatório é a restrição de alimentos — e em alguns casos de água — por um período determinado antes de qualquer procedimento que envolva sedação ou anestesia geral. A medida visa esvaziar o estômago para evitar que o conteúdo alimentar seja regurgitado e aspirado para as vias aéreas enquanto o animal está inconsciente, incapaz de proteger sua própria via aérea.
A aspiração de conteúdo gástrico causa pneumonia aspirativa, uma das complicações anestésicas mais graves, podendo levar à insuficiência respiratória e morte. Por isso, o jejum é considerado um dos pilares da segurança anestésica em medicina veterinária.
Causas e tipos
O protocolo de jejum varia conforme a situação clínica e a espécie. Para cães e gatos adultos hígidos, o jejum sólido recomendado é de 8 a 12 horas e o jejum hídrico de 2 a 4 horas antes da indução anestésica. Em filhotes, especialmente menores de 3 meses, o jejum não deve ultrapassar 4 horas para alimentos e 1 hora para água, pois o risco de hipoglicemia é alto.
- Jejum sólido: 8 a 12 horas para adultos
- Jejum hídrico: 2 a 4 horas (orientação individualizada)
- Jejum reduzido para filhotes: 2 a 4 horas no máximo
- Emergências: mesmo com estômago cheio, a anestesia é realizada com cuidados adicionais
Sintomas de não cumprimento
Quando o jejum não é respeitado, o animal pode apresentar regurgitação passiva ou vômito durante a indução ou recuperação anestésica. Nos casos em que o material atinge os pulmões, surgem sinais de pneumonia aspirativa: dificuldade respiratória, crepitações pulmonares à ausculta, febre, tosse e cianose nas mucosas.
A hipoglicemia por jejum excessivo manifesta-se como fraqueza, tremores, convulsões e torpor, especialmente em filhotes e raças de pequeno porte. Por isso, tanto o excesso quanto a falta de jejum podem trazer complicações sérias.
Diagnóstico
Na consulta pré-anestésica, o veterinário colhe o histórico alimentar do animal e avalia seu estado geral. A palpação abdominal e, quando necessário, a ultrassonografia podem confirmar se o estômago está adequadamente vazio. Exames de sangue como glicemia são solicitados em animais de risco para hipoglicemia.
Em emergências cirúrgicas, onde o jejum ideal não foi cumprido, o anestesista adapta o protocolo com uso de medicamentos que reduzem a acidez gástrica e a probabilidade de vômito, além de técnicas de intubação de sequência rápida.
Tratamento
O tratamento principal é preventivo: seguir as orientações de jejum fornecidas pela clínica veterinária. Caso ocorra pneumonia aspirativa, o tratamento envolve oxigenoterapia, antibioticoterapia de amplo espectro, fluidoterapia e internação hospitalar, podendo ser necessária ventilação mecânica nos casos mais graves.
A hipoglicemia durante o procedimento é tratada com infusão endovenosa de glicose. Após a recuperação anestésica, a alimentação é reintroduzida de forma gradual, iniciando com pequenas quantidades de alimento de fácil digestão.
Prevenção
O tutor deve seguir rigorosamente as instruções de jejum recebidas na consulta pré-operatória. É fundamental retirar a ração e os petiscos no horário indicado, evitar que o animal acesse o lixo ou roube alimentos durante a noite, e avisar imediatamente a equipe veterinária caso o jejum não tenha sido cumprido. Comunicação honesta evita complicações sérias durante a cirurgia.