O que é hérnia umbilical?
A hérnia umbilical é resultado do fechamento incompleto do anel umbilical após o nascimento. Normalmente, o orifício por onde passava o cordão umbilical fecha-se espontaneamente nas primeiras semanas de vida. Quando isso não ocorre, forma-se um defeito fascial por onde conteúdo abdominal pode se projetar, formando um abaulamento palpável sob a pele na região do umbigo.
Em cães, as raças com maior predisposição incluem Airedale Terrier, Basset Hound, Beagle e Weimaraner. Em gatos, a condição é mais rara. O tamanho da hérnia varia de milímetros a centímetros, determinando a conduta terapêutica mais adequada.
Causas e tipos
A causa mais comum é o fechamento espontâneo incompleto do anel umbilical, com base genética em raças predispostas. Trações excessivas no cordão umbilical durante o parto (assistido) e infecções umbilicais no neonato também podem contribuir. A maioria dos casos é identificada no exame físico do filhote durante as primeiras consultas.
- Hérnia redutível: conteúdo retorna à cavidade abdominal com suave pressão — risco baixo
- Hérnia irredutível: conteúdo aderido, não retorna espontaneamente — requer avaliação
- Hérnia encarcerada: conteúdo aprisionado sem fluxo sanguíneo — emergência cirúrgica
- Hérnia pequena (<1 cm): frequentemente só gordura, baixo risco de encarceramento
Sintomas
A hérnia umbilical típica se apresenta como um nódulo macio, flutuante e indolor na região do umbigo, que pode ser reduzido com pressão digital suave (hérnia redutível). O tutor frequentemente percebe o abaulamento ao dar banho ou acariciar o filhote.
Hérnias encarceradas causam dor abdominal intensa, vômito, inapetência, distensão abdominal e prostração. A pele sobre a hérnia pode estar avermelhada e quente. Esses sinais indicam emergência e exigem atendimento veterinário imediato, pois o conteúdo encarcerado pode necrosar em poucas horas.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, realizado pela inspeção e palpação do abdome durante o exame físico. O veterinário avalia o tamanho do defeito fascial, o conteúdo herniário (gordura ou intestino) e a redutibilidade. Hérnias maiores podem ser avaliadas com ultrassonografia abdominal para identificar o conteúdo e avaliar a viabilidade do tecido.
Em filhotes, o exame físico completo nas consultas iniciais é fundamental para detectar a hérnia precocemente e planejar a correção cirúrgica no momento mais adequado — geralmente junto com a castração.
Tratamento
Hérnias pequenas (<1 cm) contendo apenas gordura podem ser monitoradas, pois algumas fecham espontaneamente até os 6 meses de vida. Contudo, a maioria dos veterinários recomenda a correção cirúrgica eletiva, aproveitando a anestesia da castração para reduzir riscos anestésicos e custos. A cirurgia é simples: redução do conteúdo herniário e sutura do defeito fascial.
Hérnias maiores, irredutíveis ou encarceradas exigem correção cirúrgica urgente. Em hérnias encarceradas, pode ser necessária a ressecção de alças intestinais comprometidas. O prognóstico da correção eletiva é excelente; em emergências, depende da viabilidade do conteúdo herniário.
Prevenção
Animais com hérnia umbilical, especialmente de origem hereditária, não devem ser reproduzidos para evitar a perpetuação do defeito genético. A identificação precoce durante exames de rotina em filhotes permite o planejamento adequado da correção cirúrgica antes de qualquer intercorrência. Evitar trações excessivas no cordão durante partos assistidos também reduz o risco.