O que é nefropatia crônica?
A nefropatia crônica ou doença renal crônica (DRC) é definida como a presença de alterações estruturais ou funcionais renais por mais de 3 meses. Diferentemente da insuficiência renal aguda, a DRC progride lentamente e os danos são permanentes. Os rins perdem néfrons (unidades funcionais) de forma contínua, e os remanescentes compensam com hipertrofia até atingir seu limite.
A classificação IRIS divide a DRC em quatro estágios baseados nos níveis de creatinina sérica e SDMA: do estágio 1, assintomático, ao estágio 4, com uremia grave. Essa classificação é fundamental para guiar o tratamento e estabelecer o prognóstico.
Causas e tipos
Em muitos casos a causa exata não é identificada. As causas reconhecíveis incluem glomerulonefrite crônica, infecções renais recorrentes (pielonefrite), doenças sistêmicas como hipertensão arterial e diabetes, uso crônico de AINEs, calcificações renais (nefrocalcinose) e predisposição racial em raças como Persa, Maine Coon e Abissínio nos gatos.
- Glomerulonefrite crônica: lesão progressiva dos glomérulos
- Nefroesclerose hipertensiva: dano renal por pressão elevada
- Pielonefrite crônica: infecções bacterianas recorrentes
- Nefrolitíase: cálculos que obstruem e danificam o parênquima
- Nefropatia familiar: hereditária em raças específicas
Sintomas
Nos estágios iniciais, a DRC é assintomática ou apresenta apenas poliúria e polidipsia (urinar e beber mais). Com a progressão surgem vômito, anorexia, perda de peso, letargia e pelagem opaca. Nos estágios avançados a uremia provoca ulcerações orais, odor urêmico, anemia grave, tremores e encefalopatia urêmica.
Gatos com DRC frequentemente apresentam hipertensão arterial associada, que pode causar cegueira súbita por descolamento de retina, além de doença cardíaca hipertrófica secundária. A monitorização da pressão arterial faz parte do acompanhamento rotineiro desses pacientes.
Diagnóstico
O diagnóstico requer exames de sangue com creatinina, ureia e SDMA (este detecta comprometimento renal mais precoce que a creatinina), hemograma, relação proteína-creatinina urinária (UPC), densidade urinária e ultrassonografia renal. O SDMA é um biomarcador sensível que pode identificar redução de até 40% da função renal antes da creatinina elevar.
A mensuração regular da pressão arterial e a avaliação do fósforo sérico são igualmente importantes, pois a hiperfosfatemia e a hipertensão aceleram a progressão da doença e devem ser controladas ativamente.
Tratamento
Não existe cura para a DRC, mas o manejo adequado retarda a progressão. A dieta renal com restrição de fósforo e proteína de alta qualidade é a base do tratamento. Quelantes de fósforo como hidróxido de alumínio são adicionados quando a dieta não é suficiente. Anti-hipertensivos como amlodipina controlam a pressão arterial e inibidores da ECA como benazepril reduzem a proteinúria.
A eritropoetina sintética ou darbepoetina trata a anemia em estágios avançados. Fluidoterapia subcutânea domiciliar pode ser ensinada ao tutor para manter a hidratação em gatos e cães que não bebem água suficiente. A qualidade de vida é o objetivo central do manejo crônico.
Prevenção
Exames anuais com SDMA em animais acima de 7 anos permitem detectar a DRC precocemente, quando as intervenções são mais eficazes. Hidratação adequada, dieta balanceada, controle do peso corporal, tratamento de doenças sistêmicas como hipertensão e uso criterioso de medicamentos nefrotóxicos são medidas preventivas fundamentais para preservar a função renal pelo maior tempo possível.