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O que é Nefropatia crônica?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Nefropatia crônica, também denominada doença renal crônica (DRC), é a perda progressiva e irreversível da função renal que ocorre ao longo de meses a anos. É uma das doenças mais prevalentes em gatos idosos e também frequente em cães, sendo considerada a principal causa de morte em felinos acima de 10 anos. A doença se desenvolve silenciosamente, com os rins perdendo capacidade funcional antes de os sinais clínicos se tornarem evidentes. Quando os sintomas aparecem, geralmente mais de 75% da função renal já foi comprometida. O diagnóstico precoce por meio de exames regulares é a melhor estratégia para retardar a progressão e preservar a qualidade de vida.

O que é nefropatia crônica?

A nefropatia crônica ou doença renal crônica (DRC) é definida como a presença de alterações estruturais ou funcionais renais por mais de 3 meses. Diferentemente da insuficiência renal aguda, a DRC progride lentamente e os danos são permanentes. Os rins perdem néfrons (unidades funcionais) de forma contínua, e os remanescentes compensam com hipertrofia até atingir seu limite.

A classificação IRIS divide a DRC em quatro estágios baseados nos níveis de creatinina sérica e SDMA: do estágio 1, assintomático, ao estágio 4, com uremia grave. Essa classificação é fundamental para guiar o tratamento e estabelecer o prognóstico.

Causas e tipos

Em muitos casos a causa exata não é identificada. As causas reconhecíveis incluem glomerulonefrite crônica, infecções renais recorrentes (pielonefrite), doenças sistêmicas como hipertensão arterial e diabetes, uso crônico de AINEs, calcificações renais (nefrocalcinose) e predisposição racial em raças como Persa, Maine Coon e Abissínio nos gatos.

  • Glomerulonefrite crônica: lesão progressiva dos glomérulos
  • Nefroesclerose hipertensiva: dano renal por pressão elevada
  • Pielonefrite crônica: infecções bacterianas recorrentes
  • Nefrolitíase: cálculos que obstruem e danificam o parênquima
  • Nefropatia familiar: hereditária em raças específicas

Sintomas

Nos estágios iniciais, a DRC é assintomática ou apresenta apenas poliúria e polidipsia (urinar e beber mais). Com a progressão surgem vômito, anorexia, perda de peso, letargia e pelagem opaca. Nos estágios avançados a uremia provoca ulcerações orais, odor urêmico, anemia grave, tremores e encefalopatia urêmica.

Gatos com DRC frequentemente apresentam hipertensão arterial associada, que pode causar cegueira súbita por descolamento de retina, além de doença cardíaca hipertrófica secundária. A monitorização da pressão arterial faz parte do acompanhamento rotineiro desses pacientes.

Diagnóstico

O diagnóstico requer exames de sangue com creatinina, ureia e SDMA (este detecta comprometimento renal mais precoce que a creatinina), hemograma, relação proteína-creatinina urinária (UPC), densidade urinária e ultrassonografia renal. O SDMA é um biomarcador sensível que pode identificar redução de até 40% da função renal antes da creatinina elevar.

A mensuração regular da pressão arterial e a avaliação do fósforo sérico são igualmente importantes, pois a hiperfosfatemia e a hipertensão aceleram a progressão da doença e devem ser controladas ativamente.

Tratamento

Não existe cura para a DRC, mas o manejo adequado retarda a progressão. A dieta renal com restrição de fósforo e proteína de alta qualidade é a base do tratamento. Quelantes de fósforo como hidróxido de alumínio são adicionados quando a dieta não é suficiente. Anti-hipertensivos como amlodipina controlam a pressão arterial e inibidores da ECA como benazepril reduzem a proteinúria.

A eritropoetina sintética ou darbepoetina trata a anemia em estágios avançados. Fluidoterapia subcutânea domiciliar pode ser ensinada ao tutor para manter a hidratação em gatos e cães que não bebem água suficiente. A qualidade de vida é o objetivo central do manejo crônico.

Prevenção

Exames anuais com SDMA em animais acima de 7 anos permitem detectar a DRC precocemente, quando as intervenções são mais eficazes. Hidratação adequada, dieta balanceada, controle do peso corporal, tratamento de doenças sistêmicas como hipertensão e uso criterioso de medicamentos nefrotóxicos são medidas preventivas fundamentais para preservar a função renal pelo maior tempo possível.

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Perguntas frequentes

Nefropatia crônica tem cura?

Não. A perda de néfrons na DRC é irreversível. Contudo, o tratamento adequado retarda significativamente a progressão, mantém a qualidade de vida e prolonga a sobrevida do animal por meses a anos com boa qualidade.

Qual a diferença entre nefrite e nefropatia crônica?

Nefrite é a inflamação renal que pode ser aguda ou crônica. Nefropatia crônica (DRC) é um diagnóstico funcional de perda progressiva e irreversível de função renal por mais de 3 meses, independentemente da causa inicial.

Por que os gatos têm mais DRC que os cães?

Fatores anatômicos (rins felinos mais suscetíveis a certas lesões), tendência à desidratação crônica, doença periodontal que libera bactérias na corrente sanguínea e dieta com alto teor proteico são hipóteses para a maior prevalência em felinos.

O que é SDMA e por que é importante?

SDMA é um biomarcador renal que eleva antes da creatinina, detectando redução de aproximadamente 40% da função renal. Permite diagnóstico mais precoce da DRC, quando intervenções são mais eficazes para retardar a progressão.

Posso dar líquido subcutâneo no meu gato em casa?

Sim, após treinamento adequado pelo veterinário. A fluidoterapia subcutânea domiciliar é uma ferramenta valiosa para manter a hidratação de pets com DRC que não bebem água suficiente, sendo bem tolerada pela maioria dos animais.

A ração renal faz mesmo diferença?

Sim. Dietas com restrição de fósforo e proteína de alta qualidade demonstraram em estudos reduzir a progressão da DRC e prolongar a sobrevida. A introdução gradual é importante para que o animal aceite a nova ração.

DRC pode causar cegueira em gatos?

Indiretamente, sim. A DRC frequentemente causa hipertensão arterial secundária, que pode provocar descolamento de retina e cegueira súbita. Por isso a mensuração regular da pressão arterial é parte essencial do acompanhamento.

Com que frequência devo levar meu pet com DRC ao veterinário?

Depende do estágio. Em estágios 1 e 2 estáveis, exames a cada 3 a 6 meses são adequados. Em estágios 3 e 4 ou com complicações, consultas mensais podem ser necessárias para ajustar o tratamento conforme a evolução.

Transplante renal é opção para gatos?

Sim, existe transplante renal em gatos em alguns centros de referência, principalmente nos EUA. No Brasil é restrito a pouquíssimos locais. Requer avaliação criteriosa e comprometimento do tutor com imunossupressão vitalícia.

Meu pet com DRC pode comer ração comum?

Não é o ideal. Rações comuns têm teor de fósforo e proteína superiores ao recomendado para pets com DRC. Após estadiamento, o veterinário indicará a dieta mais adequada ao estágio da doença e preferências do animal.

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