O que é hipertensão arterial em pets?
Hipertensão arterial sistêmica é definida como a elevação persistente da pressão arterial acima dos valores normais para a espécie. Em cães, valores acima de 160 mmHg (sistólica) e em gatos acima de 160 a 170 mmHg já indicam monitoramento. Pressões acima de 180 mmHg representam risco iminente de lesões em órgãos vitais.
Em medicina veterinária, a hipertensão secundária é muito mais frequente que a primária. Isso significa que, ao diagnosticar pressão elevada, o veterinário investigará ativamente a causa subjacente para tratar ambas as condições simultaneamente.
Causas e tipos
As causas mais comuns de hipertensão secundária em cães são doença renal crônica, hiperadrenocorticismo (Cushing) e hipotiroidismo. Em gatos, hipertiroidismo e doença renal crônica respondem pela grande maioria dos casos. Diabetes mellitus, feocromocitoma e uso de certos medicamentos também podem elevar a pressão.
- Hipertensão primária (idiopática): rara, sem causa identificável
- Hipertensão renal: associada à doença renal crônica ou aguda
- Hipertensão endócrina: Cushing, hipertiroidismo, feocromocitoma
- Hipertensão situacional (jaleco branco): elevação por estresse no consultório
Sintomas
A maioria dos animais com hipertensão leve a moderada não apresenta sinais clínicos. Quando surgem, refletem as lesões nos órgãos-alvo. Alterações oculares são frequentes: dilatação de vasos retinianos, hemorragia retiniana, descolamento de retina e cegueira súbita são sinais de alerta críticos.
No sistema nervoso central, pode ocorrer desorientação, andar em círculos, convulsões e déficits neurológicos focais. Insuficiência cardíaca, hipertrofia ventricular e sopro cardíaco podem surgir com hipertensão crônica. Nos rins, a hipertensão acelera a progressão da doença renal preexistente.
Diagnóstico
A aferição da pressão arterial deve ser realizada com o animal em repouso, idealmente em sala tranquila após período de aclimatação. O método oscilométrico com manguito de tamanho adequado ao membro é o mais utilizado na prática. Múltiplas mensurações em diferentes momentos são necessárias para confirmar hipertensão verdadeira e excluir o efeito do jaleco branco.
Após confirmada a hipertensão, o veterinário solicitará exames de função renal, tireoidiana e adrenal, hemograma, urinálise e exame de fundo de olho (fundoscopia) para avaliar lesões em órgãos-alvo e identificar a causa subjacente.
Tratamento
O tratamento combina o controle da pressão arterial com o manejo da doença de base. Amlodipina (bloqueador de canal de cálcio) é o anti-hipertensivo de primeira escolha em gatos; em cães, inibidores da ECA como benazepril ou enalapril são frequentemente utilizados, especialmente quando há proteinúria ou doença renal associada.
A dieta com restrição de sódio, redução do estresse ambiental e o controle de peso são medidas complementares importantes. O monitoramento regular da pressão (inicialmente a cada 2 a 4 semanas após início do tratamento, depois a cada 3 a 6 meses) é essencial para ajuste de dose e avaliação da resposta terapêutica.
Prevenção
Prevenir a hipertensão envolve acompanhar regularmente animais com doenças predisponentes — especialmente renais e endócrinas —, realizar exames anuais de rotina que incluam aferição da pressão arterial e tratar precocemente qualquer doença de base identificada. Em gatos idosos acima de 7 anos, a medição semestral da pressão é recomendada mesmo sem sintomas.