O que é hipertiroidismo felino?
O hipertiroidismo é causado pelo funcionamento excessivo da glândula tireoide, que produz quantidades supranormais de T3 e T4. Em gatos, a causa mais frequente (98% dos casos) é a hiperplasia adenomatosa nodular benigna de um ou ambos os lobos tireoideos. Adenocarcinoma tireoidiano maligno é raro, ocorrendo em menos de 2% dos casos.
O excesso hormonal acelera o metabolismo de todos os sistemas orgânicos: aumenta a frequência cardíaca, eleva o apetite, acelera o trânsito gastrointestinal e estimula o sistema nervoso central. A pressão arterial também sobe, podendo causar lesões oculares, renais e cerebrais. É diagnosticado quase exclusivamente em gatos — em cães, o hipertiroidismo verdadeiro é raríssimo.
Causas e tipos
A etiopatogenia exata ainda não é completamente conhecida, mas fatores dietéticos (deficiência ou excesso de iodo), exposição a isoflavonas de soja em rações, compostos do ambiente e predisposição genética têm sido investigados. Gatos castrados, que vivem exclusivamente em ambiente interno e alimentados com ração úmida, parecem ter maior prevalência.
- Adenoma tireoidiano benigno: causa mais comum (98% dos casos)
- Hiperplasia adenomatosa multinodular: ambos os lobos afetados
- Adenocarcinoma tireoidiano: raro, comportamento mais agressivo
- Tecido tireoidiano ectópico: hipertiroidismo por tecido fora da localização habitual
Sintomas
A tríade clássica é perda de peso progressiva, apetite aumentado (polifagia) e agitação ou irritabilidade. O gato come mais do que nunca, mas continua emagrecendo. A pelagem perde qualidade, tornando-se opaca e despenteada. Vômito e diarreia são frequentes pela aceleração do trânsito intestinal.
A taquicardia (frequência cardíaca acima de 240 bpm) é quase invariável e pode evoluir para cardiomiopatia hipertrófica com sopro e arritmias. Sede e urição aumentadas refletem efeitos renais e hipertensão. Alguns gatos desenvolvem cegueira súbita por descolamento de retina hipertensivo.
Diagnóstico
A suspeita clínica é alta em gato idoso com perda de peso e apetite aumentado. A palpação cervical pode revelar nódulo(s) na região tireoidea, embora nem sempre seja palpável. A dosagem de T4 total sérico é o exame de triagem: valor acima de 4 μg/dL (ou acima do limite superior da referência laboratorial) é diagnóstico em animais com sinais clínicos.
Em casos duvidosos (T4 limítrofe), dosagem de T4 livre por diálise de equilíbrio ou teste de supressão de T3 pode ser necessária. Antes de tratar, é indispensável avaliar função renal, pois o hipertiroidismo pode mascarar insuficiência renal subjacente — a normalização hormonal pode desmascarar ou agravar a doença renal.
Tratamento
Existem quatro opções terapêuticas, cada uma com vantagens e limitações. O metimazol (antitireoidiano oral) é o tratamento mais utilizado por ser reversível, permitindo avaliar o efeito sobre a função renal antes de opções definitivas. É administrado uma ou duas vezes ao dia, com monitoramento regular de função hepática e renal.
O iodo radioativo (I-131) é o tratamento definitivo de escolha, com taxa de cura acima de 95% em dose única, sem cirurgia. A tireoidectomia cirúrgica é eficaz, mas exige anestesia em animal idoso e risco de lesão das paratireoides. A dieta restrita em iodo (Hill's y/d) controla o hipertiroidismo sem medicamentos, mas exige que o gato coma exclusivamente essa ração.
Prevenção
Não há medida preventiva comprovada para o hipertiroidismo felino. O diagnóstico precoce por meio de check-up semestral com dosagem de T4 em gatos acima de 8 a 10 anos permite identificar a doença antes das complicações cardiovasculares e renais. Quanto mais cedo iniciado o tratamento, melhor o prognóstico a longo prazo.