O que é o vírus da raiva?
O vírus da raiva pertence ao gênero Lyssavirus, família Rhabdoviridae. É um vírus RNA de fita simples, encapsulado, com forma de bala característica ao microscópio eletrônico. Possui neurotropismo extremo — tem afinidade exclusiva pelo tecido nervoso — e avança pelo axônio dos nervos periféricos em direção ao encéfalo a uma velocidade de 3 a 8 mm por dia.
No Brasil, os principais reservatórios animais são o morcego hematófago (Desmodus rotundus) em áreas rurais e o cão doméstico em áreas urbanas sem controle vacinal adequado. Raposas e saguis são reservatórios regionais em algumas regiões.
Causas e tipos
A transmissão ocorre quase exclusivamente pela saliva de animal infectado inoculada por mordida. Arranhaduras de animais que lamberam as garras e contato de mucosas com saliva contaminada também transmitem, embora com menor eficiência.
- Raiva urbana: transmitida principalmente por cães e gatos não vacinados; controlável com vacinação em massa.
- Raiva silvestre: transmitida por morcegos, raposas e outros animais selvagens; de difícil controle.
- Forma furiosa (encefálica): hiperexcitabilidade, agressividade, automutilação, hidrofobia; mais comum em cães.
- Forma paralítica (muda): paralisia ascendente progressiva sem fase furiosa; mais comum em gatos e bovinos.
Sintomas
O período de incubação em cães e gatos varia de 10 dias a 6 meses, dependendo do local da mordida (mais curto para mordidas na cabeça). A doença evolui em três fases: prodrômica (mudança de comportamento, febre, prurido no local da mordida), neurológica aguda (agressividade ou paralisia) e comatosa.
Sinais neurológicos incluem salivação excessiva, dificuldade para engolir, voz rouca, mandíbula caída, paresia e paralisia. Cães raivosos podem apresentar agressividade extrema fora do contexto habitual, morder objetos inanimados e se afastar do dono. A morte ocorre em 2 a 7 dias após o início dos sinais clínicos.
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo de raiva em animais é feito post-mortem pela prova de imunofluorescência direta (IFD) no tecido cerebral — padrão-ouro no Brasil. A detecção dos corpúsculos de Negri (inclusões citoplasmáticas nos neurônios) por histopatologia é confirmatória, mas menos sensível que a IFD.
Em vida, não há teste diagnóstico confiável disponível. A suspeita clínica de raiva é condição de notificação compulsória e o animal suspeito deve ser mantido em observação de 10 dias ou submetido à eutanásia para análise, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
Tratamento
Não existe tratamento para animais com raiva estabelecida. A doença é 100% fatal após o início dos sinais. Em humanos, o protocolo de profilaxia pós-exposição (PPE) com soro e vacina aplicado imediatamente após exposição é altamente eficaz. Por isso, qualquer mordida suspeita deve ser notificada e avaliada pela vigilância epidemiológica.
Prevenção
A vacinação antirrábica anual de cães e gatos é a medida mais eficaz e é obrigatória por lei em todo o Brasil. A vacinação em massa atingindo 70 a 80% da população animal é suficiente para interromper a circulação do vírus na raiva urbana. Evite contato com animais silvestres e reporte morcegos feridos ou mortos às autoridades de saúde pública.