O que é vasculite?
Vasculite é um processo inflamatório que acomete a parede de vasos sanguíneos. A inflamação pode ser mediada por complexos imunes depositados na parede vascular, por anticorpos direcionados contra antígenos endoteliais ou por infiltrado inflamatório direto. O resultado é espessamento e oclusão dos vasos, levando à isquemia dos tecidos irrigados.
Em medicina veterinária, a vasculite cutânea é a apresentação mais comum e reconhecida. As extremidades — orelhas, ponta da cauda, coxins e espaços interdigitais — são as regiões mais afetadas pela menor circulação colateral disponível.
Causas e tipos
A vasculite pode ser classificada pelo calibre do vaso afetado (grande, médio ou pequeno) ou pela causa subjacente. Vasculites de pequenos vasos cutâneos são as mais frequentes em cães.
- Infecciosas: riquetsioses, erliquiose, leptospirose, leishmaniose, vírus.
- Imunomediadas: lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide canina, doenças por complexos imunes.
- Induzidas por fármacos: vacinas (raramente), antibióticos, anti-inflamatórios.
- Neoplásicas: associadas a linfoma e outras neoplasias sistêmicas.
- Idiopáticas: sem causa identificável após investigação completa.
Sintomas
Na vasculite cutânea, os sinais incluem púrpura (manchas avermelhadas que não desvanecem à pressão), vesículas, bolhas hemorrágicas, úlceras de difícil cicatrização, necrose e perda de tecido nas extremidades. Edema frio nas patas e orelhas também é comum.
Em formas sistêmicas, o animal pode apresentar febre, letargia, perda de peso, polyartrite, proteinúria (indicando acometimento renal) e sinais neurológicos. A vasculite pulmonar pode causar tosse e dificuldade respiratória.
Diagnóstico
A biópsia de pele com histopatologia é o método diagnóstico padrão para vasculite cutânea. O exame revela infiltrado inflamatório perivascular ou intramural, necrose fibrinoide e eritrócitos extravasados. Imuno-histoquímica e imunofluorescência podem identificar depósitos de complexos imunes.
Exames complementares incluem hemograma completo, bioquímica sérica, urinálise, sorologia para doenças infecciosas e pesquisa de FAN (fator antinuclear) para descartar lúpus. Ultrassonografia abdominal avalia o envolvimento visceral.
Tratamento
O tratamento visa a causa primária quando identificada — antibióticos para infecções, suspensão do fármaco suspeito, quimioterapia para neoplasias associadas. Vasculites imunomediadas respondem a corticoides (prednisona) e, em casos refratários, a imunossupressores como azatioprina ou ciclosporina.
Prevenção
Não há prevenção específica para vasculite idiopática. O controle de doenças infecciosas vetoriais (uso de repelentes, vacinações adequadas), evitar medicamentos sem necessidade real e monitorar animais com doenças imunomediadas conhecidas são as principais medidas de redução de risco.