O que é urofistilose em animais?
Urofistilose é a formação de um trajeto fistuloso (comunicação anormal) entre o trato urinário e estruturas adjacentes. A fístula pode conectar a bexiga ao reto (fístula vesicorretal), à vagina (fístula vesicovaginal), ao coto uterino ou à superfície da pele (fístula vesicutânea). Também pode envolver a uretra, com comunicação para o reto ou para a pele perineal.
A urina que escapa pelo trajeto fistuloso é altamente irritante para os tecidos adjacentes, causando inflamação química grave, celulite e infecção secundária. A condição representa um desafio diagnóstico e terapêutico, frequentemente exigindo abordagem cirúrgica complexa por especialista em cirurgia de tecidos moles.
Causas e tipos
O trauma abdominal penetrante ou contuso grave pode lesar a bexiga e criar comunicações com estruturas vizinhas. A obstrução uretral completa não tratada evolui para ruptura de bexiga, podendo originar fístulas peritoneais ou cutâneas. Cirurgias do trato urinário com deiscência de sutura são causa iatrogênica importante. Neoplasias infiltrativas da bexiga, uretra ou próstata destroem as paredes e formam fístulas ao crescerem para estruturas adjacentes.
- Traumática: acidente automobilístico, ferimento por projétil
- Pós-obstrutiva: ruptura de bexiga por obstrução prolongada
- Iatrogênica: deiscência cirúrgica após cistotomia ou uretrostomia
- Neoplásica: carcinoma de células de transição infiltrativo
- Infecciosa: abscesso perivesical que drena para estruturas adjacentes
Sintomas
Os sinais clínicos variam conforme o tipo de fístula. Fístulas vesicorretais e vesicovaginais permitem que gás e fezes entrem na bexiga, causando infecções urinárias recorrentes com pneumatúria (gás na urina) e fecalúria (fezes na urina). Fístulas vesicutâneas causam drenagem de urina pela pele, com dermatite local por urina e umidade persistente.
O animal pode urinar pela genitália e também por abertura anômala na pele, apresentar infecções urinárias de difícil controle apesar do tratamento antibiótico adequado, incontinência urinária, drenagem perineal persistente e sinais de sepse em casos mais graves. A dor à palpação abdominal e lombar pode indicar extensão do processo inflamatório.
Diagnóstico
A cistografia de contraste (injeção de contraste radiológico na bexiga) é o exame mais valioso para identificar o trajeto fistuloso e sua comunicação com estruturas adjacentes. A ultrassonografia abdominal pode mostrar gás intravesical (sugestivo de fístula com o reto), alterações da parede vesical e presença de coleções periveiscais.
A uretrocistoscopia permite visualização direta da abertura interna da fístula na mucosa vesical ou uretral. Exames de contraste como a vaginografia (fêmeas) ou a rectografia anterógrada podem delinear trajetos complexos. A biopsia das bordas da fístula é fundamental para excluir neoplasia como causa.
Tratamento
O tratamento definitivo é cirúrgico e consiste no fechamento do trajeto fistuloso, ressecção dos tecidos desvitalizados e, quando necessário, ressecção parcial da bexiga ou reconstrução das estruturas afetadas. A derivação urinária temporária por cateter ou cistostomia pode ser necessária para proteger a linha de sutura no pós-operatório imediato. O controle da infecção com antibioticoterapia baseada em cultura é mandatório.
Em casos de neoplasia subjacente, a remoção cirúrgica do tumor com margens adequadas é parte do tratamento. Fístulas vesicorretais decorrentes de câncer avançado podem não ter solução cirúrgica curativa, e o manejo paliativo visa controle de qualidade de vida. O prognóstico é melhor em fístulas traumáticas ou iatrogênicas sem infecção sistêmica grave.
Prevenção
A prevenção primária inclui tratar prontamente qualquer obstrução uretral antes que evolua para ruptura de bexiga, seguir rigorosamente técnicas cirúrgicas assépticas nas cirurgias do trato urinário e monitorar adequadamente o pós-operatório. Animais com histórico de neoplasias urinárias devem ter acompanhamento regular por imagem para detectar progressão antes que ocorra invasão de estruturas adjacentes.