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O que é Xeroftalmia — Olho seco?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Xeroftalmia, conhecida clinicamente como ceratoconjuntivite seca (KCS) ou síndrome do olho seco, é a condição em que a produção lacrimal aquosa é insuficiente para manter a córnea e a conjuntiva adequadamente lubrificadas e nutridas. Em cães, é uma das afecções oftálmicas mais comuns; em gatos, ocorre com menor frequência mas com potencial igual de gravidade. A falta de filme lacrimal provoca inflamação crônica, ulcerações de córnea e, em casos avançados, pigmentação corneal irreversível com comprometimento da visão. O diagnóstico precoce e o tratamento contínuo são essenciais para preservar a função visual do animal.

O que é xeroftalmia

Xeroftalmia é a condição caracterizada pela produção insuficiente de lágrimas ou pela alteração qualitativa do filme lacrimal, resultando em ressecamento crônico da superfície ocular. O filme lacrimal normal possui três camadas — lipídica, aquosa e mucosa — e qualquer alteração nessa estrutura pode comprometer a saúde corneana.

Em medicina veterinária, o termo é frequentemente usado como sinônimo de ceratoconjuntivite seca (KCS). A condição causa dor ocular crônica, secreção mucopurulenta e, sem tratamento, leva à cegueira por opacificação corneal progressiva.

Causas e tipos

As causas de xeroftalmia em pequenos animais incluem:

  • Imunomediada — destruição das glândulas lacrimais por autoanticorpos (causa mais comum em cães)
  • Congênita — aplasia das glândulas lacrimais em certas raças
  • Iatrogênica — remoção da glândula da membrana nictitante ("olho de cereja") sem reposicionamento
  • Neurológica — lesão do nervo facial ou trigêmeo
  • Uso prolongado de sulfonamidas e atropina tópica
  • Hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo
  • Infecção pelo vírus da cinomose

Sintomas

O sinal clínico mais característico é a secreção ocular mucosa ou mucopurulenta espessa e tenaz, que adere aos cílios e ao canto medial do olho. Outros sinais incluem blefaroespasmo, fotofobia, conjuntiva hiperêmica, córnea opaca, vascularizada e com pigmentação melânica progressiva.

O teste de Schirmer (STT-1) inferior a 10 mm/min confirma a deficiência lacrimal. Valores entre 10 e 15 mm/min são suspeitos e devem ser correlacionados com os sinais clínicos para o diagnóstico definitivo.

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se no exame oftalmológico completo, incluindo o teste de Schirmer para quantificar a produção lacrimal, a coloração com fluoresceína para detectar úlceras de córnea e a biomicroscopia com lâmpada de fenda para avaliar a superfície ocular. A tonometria é indicada para excluir glaucoma secundário.

A investigação da causa de base — incluindo perfil tireoidiano e teste de Coombs — orienta o protocolo terapêutico e o prognóstico a longo prazo.

Tratamento

O tratamento de escolha para KCS imunomediada é a ciclosporina oftálmica a 0,2%, aplicada duas vezes ao dia. O fármaco suprime a destruição autoimune das glândulas e estimula a produção lacrimal residual. Tacrolimus 0,03% a 0,1% é uma alternativa eficaz nos casos refratários à ciclosporina.

Lágrimas artificiais e lubrificantes oculares complementam o tratamento, especialmente durante os primeiros meses até que a ciclosporina produza seu efeito máximo. Úlceras de córnea secundárias requerem antibióticos tópicos e, em casos perfurativos, intervenção cirúrgica imediata.

Prevenção

A prevenção passa pelo reconhecimento das raças predispostas — Bulldog Inglês, Cocker Spaniel, Shih Tzu, West Highland White Terrier e Pug lideram as estatísticas — e pela realização do teste de Schirmer em consultas de rotina nesses animais. Evitar o uso não indicado de sulfonamidas e nunca remover a glândula da membrana nictitante sem reposicionamento são medidas cruciais.

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Perguntas frequentes

O que é xeroftalmia ou olho seco em cães?

É a produção insuficiente de lágrimas que resulta em ressecamento, inflamação e lesão crônica da superfície ocular. Sem tratamento, pode levar à cegueira por opacificação da córnea.

Quais raças têm mais olho seco?

Bulldog Inglês, Cocker Spaniel Americano, Shih Tzu, West Highland White Terrier, Pug e Lhasa Apso são as mais afetadas. A predisposição é genética e relacionada ao formato da órbita e ao sistema imune.

Como sei se meu cão tem olho seco?

Sinais típicos incluem secreção pegajosa marrom-esverdeada, olho vermelho, córnea opaca ou com uma película esbranquiçada e blefaroespasmo. Procure o veterinário para o teste de Schirmer confirmar o diagnóstico.

O que é o teste de Schirmer?

É um exame simples que mede a produção lacrimal em mm/min usando uma tira de papel milimetrado colocada no saco conjuntival inferior por 60 segundos. Valores abaixo de 10 mm/min confirmam o olho seco.

Olho seco tem cura?

Na maioria dos casos imunomediados, o tratamento é contínuo e não há cura definitiva — mas com a ciclosporina ou tacrolimus aplicados regularmente, a qualidade de vida e a visão são preservadas por anos.

Posso usar colírio humano no olho seco do meu pet?

Lágrimas artificiais sem conservantes podem ser usadas como suporte emergencial, mas medicamentos com conservantes ou vasoconstritores são prejudiciais. O tratamento definitivo com ciclosporina requer prescrição veterinária.

Remover o olho de cereja causa olho seco?

Sim, se a glândula da membrana nictitante for removida em vez de reposicionada, o animal perde parte significativa da produção lacrimal. O procedimento correto é sempre o reposicionamento cirúrgico da glândula.

O hipotireoidismo pode causar olho seco?

Sim, o hipotireoidismo reduz a função das glândulas lacrimais. O tratamento com levotiroxina pode melhorar parcialmente a produção de lágrimas, mas muitos animais continuam necessitando de ciclosporina oftálmica.

Com que frequência devo aplicar a ciclosporina oftálmica?

A aplicação padrão é duas vezes ao dia, a cada 12 horas, de forma contínua e indefinida. Interromper o tratamento leva à recidiva rápida da inflamação e à progressão das lesões corneanas.

Gatos também têm olho seco?

Sim, embora seja menos comum. Em gatos, a causa mais frequente é a sequela de conjuntivite herpética (Herpesvírus felino tipo 1), que danifica as células caliciformes produtoras de muco do filme lacrimal.

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