O que é xeroftalmia
Xeroftalmia é a condição caracterizada pela produção insuficiente de lágrimas ou pela alteração qualitativa do filme lacrimal, resultando em ressecamento crônico da superfície ocular. O filme lacrimal normal possui três camadas — lipídica, aquosa e mucosa — e qualquer alteração nessa estrutura pode comprometer a saúde corneana.
Em medicina veterinária, o termo é frequentemente usado como sinônimo de ceratoconjuntivite seca (KCS). A condição causa dor ocular crônica, secreção mucopurulenta e, sem tratamento, leva à cegueira por opacificação corneal progressiva.
Causas e tipos
As causas de xeroftalmia em pequenos animais incluem:
- Imunomediada — destruição das glândulas lacrimais por autoanticorpos (causa mais comum em cães)
- Congênita — aplasia das glândulas lacrimais em certas raças
- Iatrogênica — remoção da glândula da membrana nictitante ("olho de cereja") sem reposicionamento
- Neurológica — lesão do nervo facial ou trigêmeo
- Uso prolongado de sulfonamidas e atropina tópica
- Hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo
- Infecção pelo vírus da cinomose
Sintomas
O sinal clínico mais característico é a secreção ocular mucosa ou mucopurulenta espessa e tenaz, que adere aos cílios e ao canto medial do olho. Outros sinais incluem blefaroespasmo, fotofobia, conjuntiva hiperêmica, córnea opaca, vascularizada e com pigmentação melânica progressiva.
O teste de Schirmer (STT-1) inferior a 10 mm/min confirma a deficiência lacrimal. Valores entre 10 e 15 mm/min são suspeitos e devem ser correlacionados com os sinais clínicos para o diagnóstico definitivo.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se no exame oftalmológico completo, incluindo o teste de Schirmer para quantificar a produção lacrimal, a coloração com fluoresceína para detectar úlceras de córnea e a biomicroscopia com lâmpada de fenda para avaliar a superfície ocular. A tonometria é indicada para excluir glaucoma secundário.
A investigação da causa de base — incluindo perfil tireoidiano e teste de Coombs — orienta o protocolo terapêutico e o prognóstico a longo prazo.
Tratamento
O tratamento de escolha para KCS imunomediada é a ciclosporina oftálmica a 0,2%, aplicada duas vezes ao dia. O fármaco suprime a destruição autoimune das glândulas e estimula a produção lacrimal residual. Tacrolimus 0,03% a 0,1% é uma alternativa eficaz nos casos refratários à ciclosporina.
Lágrimas artificiais e lubrificantes oculares complementam o tratamento, especialmente durante os primeiros meses até que a ciclosporina produza seu efeito máximo. Úlceras de córnea secundárias requerem antibióticos tópicos e, em casos perfurativos, intervenção cirúrgica imediata.
Prevenção
A prevenção passa pelo reconhecimento das raças predispostas — Bulldog Inglês, Cocker Spaniel, Shih Tzu, West Highland White Terrier e Pug lideram as estatísticas — e pela realização do teste de Schirmer em consultas de rotina nesses animais. Evitar o uso não indicado de sulfonamidas e nunca remover a glândula da membrana nictitante sem reposicionamento são medidas cruciais.