O que é conjuntivite em animais?
A conjuntiva é uma membrana mucosa rica em vasos sanguíneos e células imunes que protege o olho contra agentes externos. Quando inflamada, dilata seus vasos (causando a vermelhidão característica), aumenta a produção de secreção e desencadeia resposta inflamatória que se manifesta com coceira, inchaço palpebral e desconforto.
Em cães, a conjuntivite alérgica e as relacionadas a outras doenças sistêmicas (como cinomose) são as mais comuns. Em gatos, o herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1) e a Chlamydophila felis são as principais causas infecciosas. Filhotes de ambas as espécies são mais susceptíveis às formas infecciosas.
Causas e tipos
As causas são classificadas em infecciosas, alérgicas, irritativas e secundárias. A conjuntivite bacteriana pura é incomum em animais com sistema imune íntegro, sendo mais frequente como infecção secundária. Vírus, especialmente o herpesvírus felino, são causa primária importante em gatos. Alergias ambientais e alimentares causam conjuntivite bilateral crônica em cães atópicos.
- Viral: herpesvírus felino, calicivírus felino, vírus da cinomose
- Bacteriana: Staphylococcus, Streptococcus, Chlamydophila felis
- Alérgica: atopia ambiental, alergia alimentar
- Irritativa: poeira, vento, shampoo, fumaça
- Secundária: ceratoconjuntivite seca (CCS), entrópio, triquíase
Sintomas
A hiperemia conjuntival (olho vermelho) é o sinal mais evidente e pode afetar um ou ambos os olhos. A secreção varia conforme a causa: serosa e aquosa nas alergias e vírus iniciais; mucopurulenta nas infecções bacterianas e em casos crônicos. O animal mantém o olho parcialmente fechado (blefarospasmo), esfrega o rosto em superfícies e pode apresentar inchaço das pálpebras.
A ceratoconjuntivite seca associada manifesta-se com secreção espessa e amarelada, córnea opaca e pigmentada e olho com aparência "pastosa". A conjuntivite neonatal em filhotes — que ocorre antes da abertura dos olhos — pode causar abscesso e perda ocular se não tratada.
Diagnóstico
O exame oftalmológico inclui avaliação com lâmpada de fenda, teste de Schirmer (mede a produção lacrimal), teste de fluoresceína (detecta úlceras de córnea), tonometria e citologia conjuntival. A cultura e antibiograma da secreção são indicados em casos bacterianos ou refratários.
O PCR em swab conjuntival é o método mais sensível para herpesvírus felino e Chlamydophila. Em cães com conjuntivite crônica bilateral, a investigação de atopia e alergias alimentares faz parte do protocolo diagnóstico.
Tratamento
O tratamento depende da causa. Conjuntivites bacterianas respondem a colírios ou pomadas antibióticas como neomicina, tobramicina ou cloranfenicol. A conjuntivite herpética felina exige antivirais tópicos (ganciclovir, trifluridina) e, em alguns casos, L-lisina oral. Conjuntivites alérgicas são manejadas com anti-histamínicos e colírios anti-inflamatórios.
A ceratoconjuntivite seca exige colírios de ciclosporina ou tacrolimus para estimular a produção lacrimal e lágrimas artificiais para lubrificação. Causas anatômicas como entrópio exigem correção cirúrgica. Nunca usar colírios com corticoides em olhos com úlcera de córnea, pois agravará a lesão.
Prevenção
Vacinação adequada contra FHV-1 e calicivírus em gatos e contra cinomose em cães reduz o risco de conjuntivites virais. Manter o ambiente limpo e livre de poeiras e irritantes, usar shampoos específicos para animais ao banhar evitando o contato com os olhos, e realizar consultas oftalmológicas periódicas em raças com predisposição anatômica são medidas eficazes de prevenção.