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O que é Úlcera de córnea?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Úlcera de córnea é a perda de substância do epitélio e, em casos mais graves, do estroma da córnea, criando uma ferida aberta na superfície transparente do olho. Em cães e gatos, é uma das emergências oftálmicas mais comuns e pode evoluir rapidamente para perfuração ocular se não tratada com prontidão. A córnea não possui vasos sanguíneos, o que dificulta sua cicatrização e a torna suscetível a infecções graves. As causas mais frequentes incluem trauma mecânico (arranhão de gato, espinho), corpo estranho ocular, ressecamento grave da córnea (ceratoconjuntivite seca) e infecções. Em braquicéfalos como Bulldogs, Pug e Shih Tzu, a proeminência dos globos oculares predispõe a úlceras recorrentes e de difícil cicatrização.

O que é úlcera de córnea em animais?

Úlcera de córnea (ceratite ulcerativa) é a solução de continuidade da superfície corneana, que pode ser superficial (atingindo apenas o epitélio) ou profunda (comprometendo o estroma e, nas formas mais graves, a membrana de Descemet — úlcera descemetocele — ou causando perfuração com prolapso de íris). A córnea é fundamental para a visão, e qualquer lesão em sua transparência pode causar dificuldades visuais permanentes.

A úlcera corneal superficial não complicada é dolorosa mas responde bem ao tratamento tópico. A úlcera profunda, infectada (melting ulcer) ou com descemetocele representa emergência cirúrgica, pois a perfuração pode ocorrer em horas e resultar em perda do olho.

Causas e tipos

O trauma é a causa mais frequente: arranhão de outro animal, contato com galhos ou grama, esfregar o olho contra superfícies rugosas. Corpos estranhos como sementes e grãos de areia que se alojam sob as pálpebras causam lesão mecânica repetitiva. A ceratoconjuntivite seca (síndrome do olho seco) por deficiência de produção lacrimal é causa importante em raças predispostas como Shih Tzu, Lhasa Apso e Bulldogs.

  • Trauma: arranhão, espinho, contato com superfícies abrasivas
  • Corpo estranho: sementes, pelos, poeira grossa sob pálpebra
  • Ceratoconjuntivite seca: deficiência de produção de lágrima
  • Entrópio: pálpebra dobrada para dentro que irrita a córnea
  • Úlcera indolente (SCCED): forma recorrente específica de cães
  • Infecção: bacteriana ou por herpesvírus felino em gatos

Sintomas

O animal apresenta blefarospasmo intenso (fechamento reflexo da pálpebra), fotofobia, lacrimejamento profuso, secreção ocular, enoftalmia (olho afundado na órbita) e claudicação palpebral. O olho parece vermelho, e a córnea pode apresentar opacidade esbranquiçada ou azulada na área da úlcera. Em úlceras profundas, observa-se protuberância na córnea (descemetocele) ou saída de fluido intraocular.

A dor ocular intensa frequentemente faz o animal esfregar o olho com a pata ou no chão, o que pode aprofundar a lesão e aumentar o risco de perfuração. Úlceras infectadas evoluem com rápida dissolução do estroma corneal — a chamada melting ulcer — constituindo emergência cirúrgica absoluta.

Diagnóstico

O teste de fluoresceína é o exame fundamental: o corante verde-laranja é aplicado na córnea e detecta as áreas ulceradas, que retêm o corante e ficam visíveis em luz azul cobalto. Isso permite confirmar a presença, mapear a extensão e determinar a profundidade da úlcera. O teste de Schirmer mede a produção lacrimal e deve ser realizado em todos os casos.

A biomicroscopia com lâmpada de fenda, realizada pelo médico veterinário oftalmologista, permite avaliar a profundidade exata, identificar descemetocele e orientar a abordagem cirúrgica. Citologia e cultura corneal são indicadas em úlceras infectadas para identificar o agente e orientar a antibioticoterapia tópica.

Tratamento

Úlceras superficiais simples são tratadas com colírios antibióticos tópicos (tobramicina, ciprofloxacino) para prevenir infecção secundária, lubificantes oculares e colírio atropínico para analgesia e cicloplegie. O colar elizabetano é obrigatório para evitar que o animal esfregue o olho e aprofunde a lesão. A reavaliação deve ser feita em 48 a 72 horas.

Úlceras profundas, descemetoceles ou perfurações requerem cirurgia: o enxerto conjuntival (flap conjuntival) é o procedimento mais utilizado, fornecendo suporte estrutural, vascularização e antibióticos naturais à área lesada. A úlcera indolente em cães pode requerer debridamento mecânico do epitélio frouxo e keratectomia superficial com lâmpada de fenda. O prognóstico visual depende da profundidade e da extensão da lesão.

Prevenção

Em raças braquicéfalas, exames oftalmológicos regulares e teste de Schirmer periódico permitem detectar ceratoconjuntivite seca antes que cause úlceras. Manter o pelo facial aparado para não irritar a córnea, evitar que o animal coloque a cabeça para fora de janelas de carros e examinar os olhos regularmente para detectar sinais precoces de irritação são medidas preventivas importantes. Qualquer olho com blefarospasmo ou lacrimejamento deve ser avaliado em até 24 horas.

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Perguntas frequentes

O que é úlcera de córnea em animais?

É uma ferida aberta na superfície transparente do olho (córnea), que pode ser superficial ou profunda. Causa dor intensa, lacrimejamento e risco de perda do olho se não tratada rapidamente. É uma das emergências oftálmicas mais comuns em cães e gatos.

Quais raças têm mais úlcera de córnea?

Raças braquicéfalas com globos oculares proeminentes — Pug, Bulldog Francês e Inglês, Shih Tzu, Lhasa Apso, Pequinês e Boxer — têm altíssima predisposição. O olho exposto tem menor proteção palpebral e produção lacrimal frequentemente deficiente, combinação que favorece úlceras recorrentes.

Como identificar úlcera de córnea no meu pet?

Sinais típicos incluem blefarospasmo (olho fechado ou semicerrado), fotofobia (evitar a luz), lacrimejamento intenso, olho vermelho e opacidade esbranquiçada ou azulada na córnea. O animal pode esfregar o olho com a pata. Qualquer um desses sinais justifica consulta veterinária urgente.

Como o veterinário diagnostica úlcera de córnea?

O principal exame é o teste de fluoresceína: o corante é aplicado na superfície do olho e as áreas ulceradas retêm o corante, tornando-se visíveis em luz azul. Isso confirma a úlcera, mapeia sua extensão e estima a profundidade, orientando o tratamento.

Posso tratar úlcera de córnea com colírio de farmácia?

Não sem prescrição veterinária. Colírios com corticosteroides, por exemplo, são absolutamente contraindicados em úlceras de córnea pois podem aprofundar a lesão e levar à perfuração ocular. O tipo de colírio adequado depende da profundidade e da presença de infecção, avaliadas pelo veterinário.

Úlcera de córnea pode furar o olho?

Sim. Úlceras profundas, especialmente as infectadas (melting ulcer), podem progredir para perfuração em horas. A perfuração causa saída do humor aquoso e prolapso de íris, com risco de perda do globo ocular. Por isso, úlceras de córnea devem ser avaliadas com urgência e tratadas sem demora.

Por que meu pet precisa usar colar elizabetano com úlcera de córnea?

Porque a dor intensa faz o animal esfregar o olho com a pata ou contra superfícies, o que pode aprofundar a úlcera e provocar perfuração. O colar elizabetano é uma medida protetora obrigatória durante todo o tratamento e deve ser mantido até a cicatrização completa confirmada pelo veterinário.

O que é úlcera indolente em cães?

É uma forma específica de úlcera superficial que não cicatriza adequadamente por semanas a meses, mesmo com tratamento convencional. Ocorre porque o epitélio ao redor não adere corretamente ao estroma subjacente. É mais comum em Boxers e cães de meia-idade a idosos, e geralmente requer debridamento mecânico ou queratectomia superficial.

Quanto tempo leva para curar uma úlcera de córnea?

Úlceras superficiais simples cicatrizam em 5 a 7 dias com tratamento adequado. Úlceras mais profundas ou infectadas podem levar semanas. Úlceras indolentes em cães podem resistir por meses sem intervenção específica. A cicatrização deve ser confirmada pelo veterinário com novo teste de fluoresceína.

Olho seco causa úlcera de córnea?

Sim. A ceratoconjuntivite seca (KCS ou síndrome do olho seco) por produção insuficiente de lágrima deixa a córnea sem proteção, levando a irritação crônica, ulceração e risco de perda de visão. Raças predispostas como Shih Tzu e Bulldogs devem realizar o teste de Schirmer periodicamente para detecção precoce.

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