O que é ceratoconjuntivite seca?
A ceratoconjuntivite seca é uma síndrome do olho seco em que a produção de lágrima aquosa (principal componente do filme lacrimal) está reduzida, ou em que a qualidade do filme lacrimal está comprometida. O filme lacrimal cobre e protege a córnea e a conjuntiva, fornecendo oxigênio, nutrientes, fatores de crescimento e proteção antimicrobiana. Sem ele, a superfície ocular resseca, inflamação e infecção secundária se instalam rapidamente.
A CCS pode ser quantitativa — quando a glândula lacrimal produz pouca lágrima, medida pelo Teste de Schirmer menor que 15 mm/min — ou qualitativa, quando há déficit das camadas lipídica ou mucínica do filme lacrimal com produção aquosa normal. A forma quantitativa é a mais comum em cães e geralmente tem causa imunomediada.
Causas e tipos
A causa mais comum em cães é a destruição imunomediada das glândulas lacrimais — o sistema imunológico ataca por engano o tecido glandular, reduzindo progressivamente a produção de lágrima. Outras causas incluem uso prolongado de sulfonamidas, hipotireoidismo, disautonomia, infecção por herpesvírus, remoção cirúrgica da glândula da terceira pálpebra (tratamento incorreto de "olho de cereja") e radioterapia da região cefálica.
- Imunomediada: causa mais frequente; inflamação linfocítica das glândulas lacrimais
- Iatrogênica: excisão da glândula da terceira pálpebra ou uso de sulfonamidas
- Endócrina: associada a hipotireoidismo e diabetes mellitus
- Neurológica: lesão do nervo facial que inerva a glândula lacrimal
- Congênita: aplasia da glândula lacrimal em algumas raças
Sintomas
Os sinais clínicos mais característicos são secreção ocular mucopurulenta espessa e pegajosa (diferente da secreção aquosa das conjuntivites infecciosas simples), piscamento excessivo, olho vermelho, fotofobia (sensibilidade à luz) e aparência opaca ou fosca da córnea. O animal frequentemente esfrega o olho com as patas ou no chão, tentando aliviar o desconforto.
Com a progressão da doença, a córnea torna-se vascularizada (neovascularização), pigmentada (melanose corneal) e desenvolve úlceras recorrentes por ressecamento e atrito. A pigmentação avançada causa diminuição progressiva da visão. Em estágios finais sem tratamento, a cegueira é possível.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado pelo Teste de Schirmer (STT), no qual uma tira de papel filtro padronizada é colocada no saco conjuntival por um minuto. Valores abaixo de 15 mm/min confirmam deficiência de produção lacrimal; abaixo de 10 mm/min indicam CCS grave. A biomicroscopia com lâmpada de fenda avalia a qualidade do filme lacrimal, a integridade corneal e a presença de úlceras detectadas com fluoresceína.
Exames complementares como hemograma, dosagem de hormônio tireoidiano (T4) e urinálise ajudam a identificar causas sistêmicas subjacentes como hipotireoidismo e diabetes, que devem ser tratados concomitantemente.
Tratamento
O tratamento padrão é a ciclosporina A tópica (colírio a 0,2% ou pomada a 1–2%), um imunossupressor que inibe a inflamação das glândulas lacrimais e, em muitos casos, restaura a produção lacrimal em 4 a 8 semanas. O tacrolimus tópico é uma alternativa eficaz para os casos refratários à ciclosporina. Ambos devem ser aplicados a longo prazo, geralmente pelo resto da vida do animal.
Lágrimas artificiais veterinárias são utilizadas como suporte para lubrificação, especialmente nas primeiras semanas de tratamento. Antibióticos tópicos controlam infecções secundárias. Úlceras corneais exigem tratamento específico e acompanhamento intensivo. Em casos muito graves sem resposta medicamentosa, a transposição do ducto parotídeo (cirurgia que redireciona saliva para lubrificar o olho) pode ser considerada.
Prevenção
Evitar a remoção da glândula da terceira pálpebra (tratamento incorreto do prolapso da glândula, o "olho de cereja") é a principal medida preventiva iatrogênica — sempre optar pela técnica de reposicionamento cirúrgico. Em raças predispostas, exames oftalmológicos periódicos com Teste de Schirmer permitem diagnóstico precoce e início imediato do tratamento antes de danos corneais irreversíveis.