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O que é Shunt Portossistêmico?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Shunt portossistêmico (SPS) é uma comunicação vascular anormal entre a circulação portal (que drena o intestino) e a circulação sistêmica, desviando o sangue do fígado. O fígado não recebe sangue suficiente para crescer e funcionar adequadamente, e substâncias tóxicas — especialmente amônia — que deveriam ser filtradas chegam à circulação geral, causando encefalopatia hepática. Pode ser congênito (anomalia vascular presente ao nascimento) ou adquirido (consequência de hipertensão portal crônica). A forma congênita extrahepática é mais comum em raças pequenas (Yorkshire Terrier, Maltês, Poodle), enquanto a intrahepática é mais frequente em raças grandes. O tratamento cirúrgico (atenuação gradual do shunt com ameróide constrictor ou banda de celofane) é o de eleição e proporciona excelentes resultados quando realizado precocemente.

O que é shunt portossistêmico?

Normalmente, o sangue que vem do intestino e do baço passa pelo fígado antes de entrar na circulação geral. Essa passagem é essencial: o fígado remove toxinas, metaboliza nutrientes e produz proteínas. No shunt portossistêmico, uma comunicação vascular anormal desvia esse sangue diretamente para a veia cava ou outra veia sistêmica, "pulando" o fígado.

O resultado são dois problemas principais: o fígado não recebe sangue suficiente e fica pequeno e subdesenvolvido (microhepatia); e substâncias tóxicas — principalmente amônia produzida pela digestão de proteínas — acumulam-se na circulação, causando danos ao sistema nervoso central (encefalopatia hepática).

Raças predispostas e tipos

O SPS congênito afeta predominantemente raças pequenas. Yorkshire Terrier é a raça mais acometida, seguida por Maltês, Lhasa Apso, Poodle miniatura e Bichon Frisé. Em raças grandes, o shunt intrahepático (dentro do fígado) é mais frequente. Em gatos, a condição é menos comum mas ocorre.

  • Extrahepático: comunicação fora do fígado, mais comum em raças pequenas
  • Intrahepático: dentro do parênquima hepático, mais comum em raças grandes
  • Adquirido: múltiplos shunts secundários a cirrose ou hipertensão portal crônica

Sintomas

Os sintomas aparecem geralmente antes de 1 ano em filhotes com SPS congênito. Crescimento retardado, baixo peso, comportamento anormal após as refeições (desorientação, caminhar em círculos, pressão da cabeça contra paredes, convulsões), salivação excessiva, vômito, poliúria e polidipsia, e urolítiase por cristais de urato de amônio são os sinais mais característicos.

Os sinais neurológicos (encefalopatia hepática) são exacerbados após refeições proteicas, pois a digestão de proteínas aumenta a produção de amônia.

Diagnóstico

A ultrassonografia abdominal com Doppler identifica o vaso anômalo na maioria dos casos. Dosagem de ácidos biliares pré e pós-prandial é o teste de função hepática mais sensível para rastreamento do SPS. A amônia plasmática está elevada. A tomografia angiográfica confirma a localização exata do shunt para planejamento cirúrgico.

Hemograma e bioquímica mostram microhepatia (VGM baixo), hipoalbuminemia, hipoglicemia e alterações nos testes hepáticos. Urina revela cristais de biurato de amônio.

Tratamento

O tratamento cirúrgico com atenuação gradual do shunt é o de eleição e proporciona resultados excelentes. O ameróide constrictor ou a banda de celofane são colocados ao redor do vaso anômalo, ocluindo-o gradualmente ao longo de semanas e permitindo adaptação da circulação hepática. Taxas de sucesso superiores a 85% são descritas em centros especializados.

O tratamento clínico pré-cirúrgico e nos casos não cirúrgicos inclui dieta com proteína de alta digestibilidade e baixo nível, lactulose para reduzir a produção intestinal de amônia e antibióticos como metronidazol ou neomicina para reduzir bactérias produtoras de amônia.

Prognóstico

Com cirurgia precoce e bem-sucedida, a maioria dos cães tem vida normal. Casos tratados apenas clinicamente têm qualidade de vida limitada e sobrevida reduzida. O diagnóstico e encaminhamento precoce para cirurgia especializada são fundamentais para o melhor prognóstico.

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Perguntas frequentes

O que é shunt portossistêmico em cão?

É uma comunicação vascular anormal que desvia o sangue intestinal do fígado diretamente para a circulação geral. Sem a filtragem hepática, toxinas como amônia acumulam-se no sangue e causam danos neurológicos (encefalopatia hepática).

Quais raças têm mais risco de shunt portossistêmico?

Yorkshire Terrier é a raça mais afetada. Maltês, Lhasa Apso, Poodle miniatura, Bichon Frisé e Schnauzer também têm predisposição. Em raças grandes como Labrador, Irish Wolfhound e Golden Retriever, o shunt intrahepático é mais frequente.

Como saber se meu filhote tem shunt portossistêmico?

Sinais suspeitos incluem: crescimento retardado, baixo peso para a raça e idade, episódios de desorientação ou convulsões após comer, andar em círculos, beber e urinar muito, e cálculos urinários de urato de amônio. O veterinário indicará dosagem de ácidos biliares e ultrassom.

O teste de ácidos biliares detecta shunt?

Sim. A dosagem de ácidos biliares pré e pós-prandial é o teste de triagem mais utilizado. Valores muito elevados no pós-prandial indicam shunt ou outra hepatopatia grave. É exame de sangue simples e acessível.

Shunt portossistêmico tem cura com cirurgia?

Sim, em muitos casos. A atenuação cirúrgica com ameróide constrictor ou banda de celofane proporciona cura ou melhora significativa em mais de 85% dos casos quando realizada por cirurgião especializado e antes de danos hepáticos irreversíveis.

O que é encefalopatia hepática?

É a disfunção neurológica causada pelo acúmulo de toxinas no sangue — principalmente amônia — que o fígado não consegue filtrar. Causa confusão, andar em círculos, pressão da cabeça, convulsões e coma nos casos mais graves. É a principal manifestação do shunt portossistêmico.

Dieta específica ajuda cão com shunt?

Sim. Dietas com proteína de alta digestibilidade, em quantidade moderada, reduzem a produção intestinal de amônia. Lactulose acidifica o cólon e reduz a absorção de amônia. Esses tratamentos clínicos melhoram os sintomas mas não corrigem o shunt.

É possível tratar shunt sem cirurgia?

O tratamento clínico controla os sintomas mas não corrige a causa. Sem cirurgia, os animais têm qualidade de vida reduzida, com episódios recorrentes de encefalopatia e progressiva deterioração hepática. A cirurgia é fortemente recomendada sempre que possível.

Meu cão com shunt pode ter vida normal após a cirurgia?

Sim, na maioria dos casos. Cães submetidos à atenuação cirúrgica bem-sucedida crescem, se desenvolvem normalmente e têm expectativa de vida normal. Acompanhamento periódico com ácidos biliares monitora a função hepática pós-operatória.

Gatos podem ter shunt portossistêmico?

Sim, embora seja menos comum que em cães. Os sinais e o tratamento são similares. Raças felinas como Himalaia e Persa têm maior prevalência. O diagnóstico é feito pelos mesmos métodos que em cães.

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