O que é quisto ovariano?
Quisto ovariano é uma cavidade preenchida por líquido que se forma dentro ou sobre o ovário. Podem ser únicos ou múltiplos, uni ou bilaterais. O tipo mais comum é o cisto folicular, originado de folículos que não completam a ovulação e continuam produzindo estrogênio de forma descontrolada.
É uma condição que acomete principalmente fêmeas inteiras (não castradas). Em cadelas, a prevalência aumenta com a idade. Em gatas, cistos ovarianos são relativamente comuns e frequentemente passam despercebidos por mascarar os sintomas de cio.
Causas e tipos
A causa exata dos cistos foliculares não é completamente esclarecida. Fatores hormonais, genéticos e o uso de progestágenos são implicados. Cistos paraovarianos originam-se de restos embrionários próximos ao ovário. Cistos luteínicos resultam do corpo lúteo que não regrediu normalmente.
- Cisto folicular: mais comum, produz estrogênio em excesso
- Cisto luteínico: produz progesterona, pode causar piometra
- Cisto paraovariano: geralmente assintomático
- Cistos derivados de remanescentes embrionários
Sintomas
Em cadelas, o excesso de estrogênio causa cio prolongado ou persistente, edema vulvar, atração de machos por tempo anormal, alopecia bilateral simétrica, hiperpigmentação da pele e, em casos graves, mielotoxicidade (supressão da medula óssea). Hiperplasia endometrial cística e piometra são complicações frequentes.
Em gatas, o sinal mais comum é o cio contínuo ou ciclos irregulares. Comportamento inquieto, vocalização excessiva e recusa de machos podem indicar disfunção ovariana. Sinais sistêmicos são menos frequentes em felinos.
Diagnóstico
A ultrassonografia abdominal é o exame de eleição para identificar e caracterizar cistos ovarianos. Permite avaliar o tamanho, a localização e o conteúdo das estruturas císticas, além de verificar o útero simultaneamente. Dosagem hormonal (estradiol, progesterona) auxilia na confirmação da hipótese.
O hemograma é fundamental para detectar mielossupressão por hiperestrogenismo. Anemia aplástica, leucopenia e trombocitopenia indicam toxicidade medular grave e exigem tratamento urgente.
Tratamento
A ovariosalpingohisterectomia (castração) é o tratamento definitivo e preventivo. Remove a fonte hormonal, elimina o cisto e previne complicações como piometra e neoplasias. É recomendada na maioria dos casos, especialmente quando há sinais hormonais.
Tratamento hormonal com análogos do GnRH (buserelina, deslorelina) pode induzir a ovulação e resolução do cisto em algumas cadelas, mas a recidiva é comum. Drenagem ecográfica guiada raramente é indicada. Casos com mielossupressão grave exigem suporte intensivo antes da cirurgia.
Prevenção
A castração eletiva antes do primeiro cio é a medida mais eficaz para prevenir cistos ovarianos e suas complicações. Evitar o uso de progestágenos para suprimir o cio em cadelas e gatas também reduz o risco. Fêmeas inteiras devem ter acompanhamento veterinário regular com ultrassonografia anual a partir dos 5 anos.