O que é noctúria?
Noctúria é a emissão de urina durante o período noturno de forma anormalmente frequente ou em volume aumentado, interrompendo o descanso do animal e frequentemente resultando em acidentes dentro de casa. Enquanto cães adultos saudáveis conseguem manter a bexiga por 8 a 10 horas, animais com noctúria não conseguem reter a urina durante a noite.
O sintoma pode ser acompanhado de poliúria diurna (urinar muito também durante o dia) e polidipsia (beber água em excesso), formando a tríade que levanta suspeita de doenças metabólicas. A noctúria isolada, sem poliúria diurna, pode indicar causas vesicais como cistite ou incontinência.
Causas e tipos
As causas são diversas e incluem poliúria-polidipsia por diabetes mellitus, doença renal crônica, síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo), diabetes insipidus, hipercalcemia e hepatopatias. Causas locais incluem cistite bacteriana, urolitíase, tumor de bexiga e incontinência urinária por esfíncter incompetente, especialmente em cadelas castradas de médio e grande porte.
- Poliúria sistêmica: diabetes, DRC, Cushing, hepatopatia
- Cistite bacteriana: urgência e frequência aumentadas
- Incontinência urinária: perda involuntária durante o sono
- Urolitíase: cálculos que irritam a bexiga
- Tumor de bexiga: especialmente carcinoma de células de transição
Sintomas
O tutor geralmente percebe que o animal acorda à noite pedindo para sair, que há manchas de urina na cama ou tapete, ou que o animal acorda molhado (incontinência noturna). Outros sinais associados fornecem pistas sobre a causa: aumento do volume abdominal e fragilidade da pele sugerem Cushing; perda de peso e aumento da sede apontam para diabetes ou doença renal; disúria (dor ao urinar) e urina turva indicam cistite.
Em gatos idosos, noctúria frequentemente é o primeiro sinal perceptível de doença renal crônica ou hipertireoidismo, devendo ser investigada prontamente após os 10 anos de idade.
Diagnóstico
O veterinário solicitará hemograma, bioquímica sérica completa (glicose, ureia, creatinina, enzimas hepáticas, cálcio, cortisol), urinálise com urocultura e densitometria urinária. A dosagem de glicose urinária e sérica diagnostica diabetes mellitus; o teste de supressão com dexametasona confirma a síndrome de Cushing; creatinina e SDMA avaliam a função renal.
Ultrassonografia abdominal avalia rins, bexiga, próstata (em machos) e adrenais. A relação proteína-creatinina urinária (UPC) quantifica a proteinúria. Em casos de suspeita de incontinência neurológica, neuroimagem pode ser indicada.
Tratamento
O tratamento é dirigido à causa identificada: insulinoterapia para diabetes mellitus, manejo de DRC com dieta renal e anti-hipertensivos, trilostano ou mitotano para síndrome de Cushing, antibióticos para cistite bacteriana, e fenilpropanolamina ou estrógeno para incontinência urinária por esfíncter incompetente em cadelas. Sem diagnóstico etiológico, apenas o sintoma será temporariamente controlado.
Medidas comportamentais como retirar o acesso à água 2 horas antes de dormir podem auxiliar em casos leves, mas nunca devem substituir a investigação diagnóstica, pois a restrição hídrica pode ser prejudicial em animais com doença renal ou diabetes insipidus.
Prevenção
Checkups regulares com urinálise e bioquímica sérica em animais acima de 7 anos permitem diagnosticar as causas sistêmicas de noctúria antes do agravamento. Manter o peso corporal saudável reduz o risco de diabetes mellitus, e o controle de infecções urinárias recorrentes previne a cistite crônica que contribui para urgência miccional noturna.