O que é alopecia em animais?
Alopecia é a ausência de pelo em regiões onde ele deveria existir. Pode ser focal (uma área delimitada), multifocal (várias áreas) ou generalizada (comprometendo grande parte do corpo). A perda pode ocorrer subitamente ou de forma progressiva e é sempre um sinal de que algo está errado no organismo ou na pele do animal.
Distingue-se da muda normal, que ocorre sazonalmente em quantidade esperada. Na alopecia patológica, o crescimento do pelo cessa ou o folículo é danificado, resultando em áreas calvas que podem ou não apresentar inflamação, coceira e lesões secundárias.
Causas e tipos
As causas são amplamente divididas em pruriginosas (com coceira) e não pruriginosas. Nas pruriginosas, o animal se arranha ou lambe tanto que acaba removendo o pelo. Nas não pruriginosas, a queda ocorre independentemente do comportamento do animal, geralmente por distúrbio hormonal ou folicular.
- Parasitas: pulgas, sarna sarcóptica e demodécica, carrapatos
- Infecções: dermatofitose (micose), piodermite bacteriana
- Alergias: alimentar, ambiental (atopia), por contato
- Hormonais: hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo, desequilíbrio de hormônios sexuais
- Comportamental: lambedura compulsiva por ansiedade
- Alopecia de padrão: predisposição racial (Dachshund, Dobermann)
Sintomas
Além da perda de pelo, os sinais variam conforme a causa. Infecções fúngicas formam placas circulares com descamação; a sarna sarcóptica causa coceira intensa com crostas nas bordas das orelhas; o hipotireoidismo provoca alopecia bilateral simétrica com engrossamento da pele sem coceira.
Lesões secundárias por lambedura incluem hiperpigmentação, liquenificação e feridas úmidas (hot spots). A avaliação do padrão de distribuição da alopecia é essencial para o diagnóstico diferencial.
Diagnóstico
O veterinário realiza histórico detalhado, exame físico completo e exames complementares conforme a suspeita clínica: raspado de pele para parasitas, cultura fúngica, citologia, hemograma, perfil bioquímico e dosagens hormonais (T4, cortisol). Em alguns casos, biópsia de pele é necessária para diagnóstico definitivo.
A lâmpada de Wood (luz ultravioleta) auxilia na detecção de dermatófitos, pois algumas espécies emitem fluorescência característica.
Tratamento
O tratamento é dirigido à causa. Parasitas são tratados com antiparasitários específicos; infecções fúngicas com antifúngicos orais e tópicos; alergias com dieta de exclusão, imunoterapia ou medicamentos como oclacitinib e lokivetmab; distúrbios hormonais com reposição ou supressão hormonal conforme o diagnóstico.
O acompanhamento é fundamental, pois algumas condições exigem tratamento contínuo. A maioria dos pelos retorna em 2 a 6 meses após controle da causa, exceto nos casos de dano folicular permanente.
Prevenção
Controle antiparasitário regular, alimentação de qualidade, banhos periódicos com produtos adequados à espécie e consultas de rotina ajudam a identificar precocemente alterações cutâneas. Reduzir fontes de estresse também previne a alopecia comportamental.