O que é sarna sarcóptica?
Sarna sarcóptica é uma infestação parasitária da pele causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. canis. A fêmea do ácaro escava túneis na camada superficial da pele para depositar seus ovos, desencadeando uma reação imunológica de hipersensibilidade intensa que causa coceira extrema — frequentemente descrita como uma das mais intensas da medicina veterinária.
É altamente contagiosa entre cães e é zoonótica: humanos em contato com cães infectados podem desenvolver lesões papulosas e pruriginosas temporárias nos antebraços, abdômen e coxas. O ácaro não completa seu ciclo em humanos e as lesões regridem sem tratamento após o afastamento do cão infectado.
Transmissão e contágio
A transmissão ocorre por contato direto com animal infectado. O ácaro sobrevive no ambiente por apenas alguns dias. Cães de canis, pet shops, parques e áreas frequentadas por muitos animais são fontes frequentes de infestação.
- Contato direto com cão infestado: principal via
- Contato indireto: camas, coleiras, escovas compartilhadas
- Transmissão para humanos: causa lesões temporárias (sarna humana requer S. scabiei var. hominis)
- Período de incubação: 2 a 6 semanas após o contato
Sintomas
Coceira intensa é o sinal cardinal — o cão não para de se coçar, morder e esfregar. As lesões iniciam-se nas bordas das orelhas, cotovelos, hocks (jarrete), peito e abdômen ventral — áreas com menor densidade de pelo. Com a progressão, surgem crostas, escoriações, eritema intenso, espessamento da pele e alopecia.
O reflexo otopodal (coçar o ouvido quando a borda da orelha é friccionada) é altamente sugestivo de sarna sarcóptica e ajuda no diagnóstico clínico. Cães muito infestados ficam debilitados, perdem peso e podem desenvolver infecções bacterianas secundárias graves.
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo é pelo raspado de pele profundo com identificação do ácaro ao microscópio. Entretanto, a sensibilidade do exame é baixa — apenas 20 a 50% dos casos confirmados têm raspado positivo. Na prática, o diagnóstico é frequentemente clínico: histórico de contágio, padrão de lesões típico e resposta ao tratamento.
A sorologia (ELISA para anticorpos anti-Sarcoptes) tem alta sensibilidade e pode ser usada em casos duvidosos. A resposta ao tratamento em 2 a 4 semanas confirma o diagnóstico retrospectivamente.
Tratamento
As isoxazolinas orais (fluralaner, sarolaner, lotilaner) são os tratamentos mais eficazes e práticos atualmente. Uma ou duas doses são suficientes para eliminar os ácaros na maioria dos casos. Ivermectina subcutânea e selamectina spot-on são alternativas eficazes. Shampoos acaricidas reduzem a carga parasitária mas não são suficientes como tratamento único.
Todos os cães em contato devem ser tratados simultaneamente. O ambiente pode ser tratado com acaricidas spray, embora a sobrevivência ambiental do Sarcoptes seja curta. Antibióticos são adicionados quando há piodermatite secundária. Anti-inflamatórios aliviam o prurido durante o início do tratamento.
Prevenção
Evitar contato com cães de procedência desconhecida, manter antiparasitários em dia e inspecionar regularmente a pele do pet são as principais medidas. Cães com coceira intensa de origem desconhecida devem ser avaliados por veterinário antes de ter contato com outros animais.