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O que é Leishmaniose cutânea?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Leishmaniose cutânea é uma forma de leishmaniose em que o parasita do gênero Leishmania se concentra principalmente na pele, causando lesões ulcerativas, nodulares ou crostosas sem o comprometimento visceral grave característico da forma visceral. No Brasil, é causada principalmente por espécies como Leishmania braziliensis e Leishmania major. Em cães, a manifestação cutânea frequentemente coexiste com a forma visceral, sendo uma das expressões da leishmaniose canina. As lesões de pele aparecem em focinho, orelhas, ao redor dos olhos e nas extremidades dos membros, e o diagnóstico diferencial com outras dermatopatias é fundamental para o manejo correto.

O que é leishmaniose cutânea?

Leishmaniose cutânea é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania que, ao invés de se disseminar para os órgãos internos, localizam-se predominantemente na pele. Em cães, as manifestações cutâneas são muito comuns e podem ser o primeiro e principal sinal da doença, mesmo em animais sem comprometimento visceral evidente.

As lesões cutâneas da leishmaniose canina surgem pela reação imunológica do organismo ao parasita e pela presença direta das formas amastigotas nos macrófagos dérmicos. O quadro dermatológico pode ser confundido com diversas outras dermatopatias, o que torna o diagnóstico laboratorial indispensável.

Causas e tipos

Em cães no Brasil, as lesões cutâneas são principalmente causadas pela Leishmania infantum, a mesma espécie responsável pela forma visceral. Em humanos, a leishmaniose cutânea pode ser causada por outras espécies (L. braziliensis, L. amazonensis) transmitidas por diferentes vetores em regiões específicas.

  • Dermatite esfoliativa: descamação fina generalizada, especialmente na face e orelhas
  • Úlceras cutâneas: lesões ulceradas no focinho, bordas das orelhas e extremidades
  • Nódulos cutâneos: acúmulo de macrófagos parasitados formando nódulos firmes
  • Onicogrifose: unhas excessivamente longas e curvadas, sinal cutâneo-apendicular característico
  • Alopecia periocular: queda de pelo ao redor dos olhos criando aspecto de "óculos"

Sintomas

As lesões cutâneas mais características da leishmaniose canina incluem dermatite esfoliativa com descamação fina em face e orelhas, úlceras nas bordas das orelhas e no focinho, alopecia periocular, onicogrifose e nódulos cutâneos. A pele pode apresentar espessamento e hiperpigmentação nas formas crônicas.

Ao contrário da forma visceral grave, o animal com manifestação predominantemente cutânea pode manter bom estado geral por longos períodos. Entretanto, a avaliação sistêmica é fundamental, pois o envolvimento renal subclínico é comum mesmo sem sinais evidentes de insuficiência renal.

Diagnóstico

O diagnóstico diferencial com outras dermatopatias (sarna, dermatite alérgica, pênfigo, dermatofitose) exige confirmação laboratorial. A citologia aspirativa de lesão nodular ou de margem de úlcera pode visualizar formas amastigotas. O PCR em tecido cutâneo tem alta sensibilidade para detectar o parasita.

Sorologia (ELISA ou RIFI) para anticorpos anti-Leishmania, histopatologia de biópsia cutânea com coloração especial e avaliação sistêmica (bioquímica renal, urinálise, ultrassonografia abdominal) completam a investigação e permitem estadiamento correto da doença.

Tratamento

O tratamento das lesões cutâneas segue o protocolo geral da leishmaniose canina: miltefosina oral por 28 dias associada a alopurinol de longa duração. O cuidado local das úlceras (limpeza, curativos) é importante para prevenir infecção bacteriana secundária. Shampoos terapêuticos e hidratantes auxiliam no manejo da dermatite esfoliativa.

A resposta das lesões cutâneas ao tratamento costuma ser visível em semanas, com melhora da descamação e cicatrização das úlceras. O monitoramento da função renal deve ser contínuo durante e após o tratamento, independentemente da melhora das lesões de pele.

Prevenção

A prevenção é a mesma da leishmaniose visceral: vacinação com Leish-Tec, uso de coleiras repelentes à base de deltametrina ou spot-on com permetrina, evitar exposição ao crepúsculo e noite quando o vetor está ativo, controle do flebotomíneo no peridomicílio e testes sorológicos periódicos em áreas endêmicas. A detecção precoce permite tratamento antes de danos orgânicos graves.

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Perguntas frequentes

Leishmaniose cutânea e visceral são doenças diferentes?

Em cães, geralmente são manifestações da mesma infecção pela Leishmania infantum. Um cão pode ter predominantemente sinais cutâneos, mas quase sempre há algum grau de envolvimento interno. A avaliação sistêmica completa é sempre necessária.

As lesões de pele da leishmaniose doem no cão?

As lesões variam. As úlceras podem causar desconforto, especialmente as localizadas nas bordas das orelhas ou extremidades. A dermatite esfoliativa e a onicogrifose em geral não são dolorosas, mas causam prurido e desconforto.

Como diferenciar leishmaniose de sarna sarcóptica pelo aspecto da pele?

Clinicamente pode ser difícil, pois ambas causam descamação e queda de pelo. A confirmação é laboratorial: raspado de pele detecta ácaros na sarna; PCR ou sorologia confirma leishmaniose. O veterinário pode solicitar ambos os exames simultaneamente.

As unhas muito longas do meu cão podem indicar leishmaniose?

A onicogrifose (crescimento excessivo e curvamento das unhas) é um dos sinais característicos da leishmaniose canina, causada pela proliferação das células da matriz ungual pelo parasita. Não é exclusiva da doença, mas deve despertar suspeita em áreas endêmicas.

As lesões cutâneas da leishmaniose melhoram com o tratamento?

Sim. Com o protocolo correto (miltefosina + alopurinol), as lesões de pele costumam melhorar visivelmente em semanas. A descamação reduz, as úlceras cicatrizam e o pelo começa a crescer novamente nas áreas afetadas.

Posso me infectar ao cuidar das feridas do meu cão com leishmaniose?

O risco de transmissão direta pelo manejo das lesões cutâneas é muito baixo. A transmissão para humanos ocorre pela picada do flebotomíneo. Entretanto, use luvas ao limpar feridas abertas e lave as mãos após o contato.

Qual é o exame mais rápido para confirmar leishmaniose cutânea?

A citologia aspirativa da lesão pode identificar formas amastigotas em minutos em laboratório. O PCR é mais sensível mas leva mais tempo. A sorologia detecta anticorpos e é o teste de triagem mais acessível na maioria das clínicas.

Cão com lesões de pele de leishmaniose pode frequentar pet shop?

Com cautela e mediante informação ao estabelecimento. O risco de transmissão direta a outros cães pelo contato é baixo, mas o animal positivo pode ser fonte de infecção para o vetor. Consulte o veterinário sobre as melhores práticas de biossegurança.

Leishmaniose cutânea afeta gatos?

Gatos podem ser infectados, mas a doença clínica é muito menos frequente e geralmente mais branda. Lesões nodulares e ulcerativas cutâneas são os sinais mais relatados em felinos. O papel dos gatos como reservatório é considerado menor do que o dos cães.

Quais regiões do Brasil têm mais casos de leishmaniose cutânea?

A leishmaniose tegumentar (cutânea e mucocutânea) por L. braziliensis é endêmica em várias regiões, especialmente Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A leishmaniose visceral/cutânea canina por L. infantum tem distribuição ampliada, com casos crescentes também no Sudeste e Sul.

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