O que é leishmaniose cutânea?
Leishmaniose cutânea é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Leishmania que, ao invés de se disseminar para os órgãos internos, localizam-se predominantemente na pele. Em cães, as manifestações cutâneas são muito comuns e podem ser o primeiro e principal sinal da doença, mesmo em animais sem comprometimento visceral evidente.
As lesões cutâneas da leishmaniose canina surgem pela reação imunológica do organismo ao parasita e pela presença direta das formas amastigotas nos macrófagos dérmicos. O quadro dermatológico pode ser confundido com diversas outras dermatopatias, o que torna o diagnóstico laboratorial indispensável.
Causas e tipos
Em cães no Brasil, as lesões cutâneas são principalmente causadas pela Leishmania infantum, a mesma espécie responsável pela forma visceral. Em humanos, a leishmaniose cutânea pode ser causada por outras espécies (L. braziliensis, L. amazonensis) transmitidas por diferentes vetores em regiões específicas.
- Dermatite esfoliativa: descamação fina generalizada, especialmente na face e orelhas
- Úlceras cutâneas: lesões ulceradas no focinho, bordas das orelhas e extremidades
- Nódulos cutâneos: acúmulo de macrófagos parasitados formando nódulos firmes
- Onicogrifose: unhas excessivamente longas e curvadas, sinal cutâneo-apendicular característico
- Alopecia periocular: queda de pelo ao redor dos olhos criando aspecto de "óculos"
Sintomas
As lesões cutâneas mais características da leishmaniose canina incluem dermatite esfoliativa com descamação fina em face e orelhas, úlceras nas bordas das orelhas e no focinho, alopecia periocular, onicogrifose e nódulos cutâneos. A pele pode apresentar espessamento e hiperpigmentação nas formas crônicas.
Ao contrário da forma visceral grave, o animal com manifestação predominantemente cutânea pode manter bom estado geral por longos períodos. Entretanto, a avaliação sistêmica é fundamental, pois o envolvimento renal subclínico é comum mesmo sem sinais evidentes de insuficiência renal.
Diagnóstico
O diagnóstico diferencial com outras dermatopatias (sarna, dermatite alérgica, pênfigo, dermatofitose) exige confirmação laboratorial. A citologia aspirativa de lesão nodular ou de margem de úlcera pode visualizar formas amastigotas. O PCR em tecido cutâneo tem alta sensibilidade para detectar o parasita.
Sorologia (ELISA ou RIFI) para anticorpos anti-Leishmania, histopatologia de biópsia cutânea com coloração especial e avaliação sistêmica (bioquímica renal, urinálise, ultrassonografia abdominal) completam a investigação e permitem estadiamento correto da doença.
Tratamento
O tratamento das lesões cutâneas segue o protocolo geral da leishmaniose canina: miltefosina oral por 28 dias associada a alopurinol de longa duração. O cuidado local das úlceras (limpeza, curativos) é importante para prevenir infecção bacteriana secundária. Shampoos terapêuticos e hidratantes auxiliam no manejo da dermatite esfoliativa.
A resposta das lesões cutâneas ao tratamento costuma ser visível em semanas, com melhora da descamação e cicatrização das úlceras. O monitoramento da função renal deve ser contínuo durante e após o tratamento, independentemente da melhora das lesões de pele.
Prevenção
A prevenção é a mesma da leishmaniose visceral: vacinação com Leish-Tec, uso de coleiras repelentes à base de deltametrina ou spot-on com permetrina, evitar exposição ao crepúsculo e noite quando o vetor está ativo, controle do flebotomíneo no peridomicílio e testes sorológicos periódicos em áreas endêmicas. A detecção precoce permite tratamento antes de danos orgânicos graves.