O que é linfadenomegalia?
Os linfonodos são órgãos do sistema imunológico distribuídos pelo corpo que filtram a linfa e produzem respostas imunes. Quando estimulados por infecções, inflamações ou neoplasias, aumentam de volume — fenômeno denominado linfadenomegalia. Os linfonodos periféricos acessíveis ao exame físico incluem os submandibulares, pré-escapulares, axilares, inguinais e poplíteos.
Em cães e gatos, linfonodos palpáveis com tamanho, consistência ou mobilidade alterados são achados que merecem investigação veterinária. O contexto clínico — histórico do animal, outros sinais presentes e a distribuição do aumento — é essencial para orientar os exames.
Causas e tipos
A linfadenomegalia é classificada conforme a distribuição e a causa:
- Linfadenomegalia reativa localizada: resposta a infecção ou inflamação regional (abscessos, feridas infectadas, otite)
- Linfadenomegalia reativa generalizada: infecções sistêmicas (erliquiose, leptospirose, leishmaniose), vacinação recente
- Linfadenomegalia neoplásica: linfoma, leucemia, metástase de tumores sólidos
- Linfadenomegalia por doença autoimune: lúpus, poliartrite imunomediada
- Linfadenomegalia granulomatosa: fungos sistêmicos, micobactérias
Sintomas
O principal achado é o aumento palpável de um ou mais linfonodos. Na linfadenomegalia reativa, os nódulos costumam ser dolorosos à palpação. Na neoplásica, geralmente são firmes, indolores e de crescimento progressivo. Outros sinais dependem da causa: febre, apatia e perda de peso nas infecções sistêmicas; claudicação se o linfonodo poplíteo comprime estruturas adjacentes.
Linfonodos aumentados internos (mediastinais, mesentéricos, ilíacos) não são palpáveis ao exame físico, mas causam sinais como dificuldade respiratória, diarreia ou perda de peso, sendo identificados por ultrassonografia.
Diagnóstico
A citologia aspirativa por agulha fina (CAAF) é o primeiro exame, fornecendo informações sobre o tipo celular predominante (inflamatório, linfoblástico, granulomatoso). O histopatológico de biópsia oferece diagnóstico definitivo e é indicado quando a citologia não é conclusiva ou quando há suspeita de linfoma.
Hemograma, bioquímica sérica, sorologias (erliquiose, leishmaniose, FeLV/FIV), culturas e ultrassonografia abdominal completam a investigação. A PCR pode identificar agentes infecciosos específicos quando a sorologia é inconclusiva.
Tratamento
O tratamento é direcionado à causa subjacente. Linfadenomegalias reativas por infecções bacterianas respondem a antibióticos; por doenças parasitárias, ao antiparasitário específico. Nas neoplásicas, a quimioterapia é a base do tratamento do linfoma.
Não se deve tratar a linfadenomegalia com corticosteroides antes de estabelecer o diagnóstico, pois esses fármacos alteram o padrão citológico e histopatológico dos linfonodos, dificultando o diagnóstico de linfoma e mascarando temporariamente a doença.
Prevenção
A prevenção da linfadenomegalia passa pelo controle das causas mais frequentes: manter o calendário vacinal e antiparasitário em dia, realizar check-ups periódicos, controlar o ambiente para evitar infecções por agentes transmitidos por vetores (carrapatos, flebotomíneos) e detectar precocemente feridas e infecções cutâneas antes que se disseminem.