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O que é Erliquiose?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Erliquiose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Ehrlichia, transmitidas pela picada de carrapatos, especialmente o Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom do cão). É uma das doenças transmitidas por carrapatos mais comuns e graves em cães no Brasil, podendo ser fatal se não tratada. A bactéria invade as células sanguíneas — principalmente monócitos e granulócitos — causando destruição celular, inflamação sistêmica e supressão da medula óssea. O diagnóstico precoce e o tratamento com doxiciclina são determinantes para o prognóstico do animal.

O que é erliquiose?

Erliquiose é uma ricketsiose causada por bactérias intracelulares obrigatórias do gênero Ehrlichia. No Brasil, a espécie mais relevante em cães é a Ehrlichia canis, transmitida exclusivamente pelo carrapato Rhipicephalus sanguineus. Após a picada, a bactéria se multiplica dentro de monócitos e macrófagos, espalhando-se pelo organismo e causando disfunção em múltiplos órgãos.

A doença é considerada endêmica em todo o território brasileiro e afeta principalmente cães, embora relatos em gatos sejam raros. Humanos podem ser infectados por outras espécies de Ehrlichia, mas a Ehrlichia canis não é considerada zoonose significativa no Brasil.

Causas e tipos

A transmissão ocorre exclusivamente pelo carrapato infectado que permanece aderido ao cão por horas. Quanto mais tempo o carrapato fica fixado, maior o risco de transmissão. A doença evolui em três fases: aguda (primeiras três semanas), subclínica (sem sintomas visíveis, mas com alterações laboratoriais) e crônica (meses a anos depois, com comprometimento grave da medula óssea).

  • Fase aguda: febre, prostração, perda de peso, linfonodomegalia
  • Fase subclínica: animal aparentemente bem, mas com plaquetopenia persistente
  • Fase crônica: anemia aplásica, sangramentos espontâneos, pancitopenia grave
  • Coinfecção com Babesia canis é frequente e agrava o quadro

Sintomas

Na fase aguda, os sinais mais comuns são febre alta, apatia, perda de apetite, perda de peso, secreção ocular e nasal, e linfonodos aumentados. Podem surgir petéquias (pequenas manchas de sangramento) na pele e mucosas, sangramento nasal (epistaxe) e urina escura. Alguns animais apresentam dificuldade respiratória por acúmulo de líquido no tórax.

Na fase crônica, a supressão da medula óssea leva à pancitopenia grave — queda simultânea de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. O animal fica extremamente debilitado, com risco de infecções oportunistas e hemorragias internas. Esta fase tem prognóstico reservado mesmo com tratamento intensivo.

Diagnóstico

O diagnóstico presuntivo baseia-se no hemograma, que revela plaquetopenia (redução de plaquetas) em mais de 80% dos casos, além de anemia e leucopenia variáveis. A confirmação pode ser feita por teste sorológico (ELISA ou imunofluorescência indireta) detectando anticorpos anti-Ehrlichia, ou por PCR, que identifica o DNA da bactéria no sangue com alta sensibilidade.

O exame de esfregaço sanguíneo pode revelar mórulas (aglomerados de bactérias) dentro de monócitos, mas tem baixa sensibilidade. A ultrassonografia abdominal frequentemente mostra esplenomegalia e hepatomegalia. O diagnóstico diferencial inclui babesiose, leishmaniose e outras causas de plaquetopenia.

Tratamento

A doxiciclina é o antibiótico de escolha, administrada por via oral por no mínimo 28 dias. A resposta ao tratamento na fase aguda é geralmente rápida: a febre cede em 24 a 48 horas. Casos graves com anemia intensa podem necessitar de transfusão de sangue. Corticosteroides em doses imunossupressoras são utilizados quando há destruição imunomediada de plaquetas associada.

O prognóstico é excelente na fase aguda e subclínica. Na fase crônica, especialmente com aplasia de medula óssea, o tratamento é prolongado, caro e o prognóstico é reservado. Suporte nutricional e monitoramento laboratorial seriado são essenciais durante toda a recuperação.

Prevenção

O controle eficaz de carrapatos é a principal medida preventiva. Coleiras antiparasitárias de longa duração, pipetas spot-on e comprimidos orais com ação acaricida aprovados pelo veterinário são as opções mais eficazes. Inspecionar o cão após passeios em áreas de mata, remover carrapatos imediatamente com pinça adequada e manter o ambiente doméstico livre de infestação completam a proteção.

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Perguntas frequentes

Erliquiose é transmitida para humanos?

A Ehrlichia canis, que afeta cães no Brasil, não é considerada zoonose significativa. No entanto, outras espécies de Ehrlichia podem infectar humanos por picada de carrapato. Portanto, o controle de carrapatos protege tanto o pet quanto a família.

Meu cão pode ter erliquiose sem apresentar sintomas?

Sim. Na fase subclínica, o cão parece saudável mas já tem a bactéria no organismo e alterações laboratoriais como plaquetopenia. Por isso, exames de rotina anuais com hemograma são essenciais, especialmente em regiões com alta prevalência de carrapatos.

Quanto tempo dura o tratamento com doxiciclina?

O tratamento padrão é de 28 dias contínuos. Interromper antes pode levar à recidiva. Após completar o tratamento, o veterinário repete os exames para confirmar a negativação sorológica e a normalização do hemograma.

Erliquiose pode matar meu cão?

Sim, especialmente na fase crônica com aplasia de medula óssea. Na fase aguda, quando tratada adequadamente, a taxa de cura é alta. Por isso, diagnóstico e tratamento precoces são determinantes para salvar a vida do animal.

Como remover um carrapato do meu cão corretamente?

Use uma pinça de ponta fina ou um removedor específico para carrapatos. Segure o carrapato o mais próximo possível da pele e puxe com firmeza e sem girar. Nunca aperte o corpo do carrapato nem use álcool, vaselina ou fogo, pois isso pode injetar mais saliva e aumentar o risco de transmissão.

Qual antiparasitário é mais eficaz para prevenir erliquiose?

Produtos que combinam ação repelente e acaricida — como coleiras de fluralaner, sarolaner oral ou pipetas de permetrina — oferecem boa proteção. O veterinário indicará o produto mais adequado para o porte, idade e estilo de vida do seu cão.

Gatos também pegam erliquiose?

Relatos de erliquiose em gatos existem, mas são raros. Os felinos geralmente são menos susceptíveis e costumam se lamber muito, removendo carrapatos antes da fixação. Ainda assim, o controle de carrapatos em gatos que têm acesso à rua é recomendado.

Posso usar o mesmo antiparasitário do cão no gato?

Não. Produtos com permetrina, amplamente usados em cães, são extremamente tóxicos para gatos e podem ser fatais. Nunca aplique antiparasitário canino em felinos sem orientação veterinária específica.

Cão que teve erliquiose fica imune?

Não. A imunidade gerada após a infecção não é duradoura e o animal pode ser reinfectado. Por isso, o controle contínuo de carrapatos deve ser mantido mesmo após a cura da doença.

Preciso levar todos os meus pets ao veterinário se um deles tiver erliquiose?

Sim, é recomendável. Se um cão da casa foi infectado, os outros provavelmente também foram expostos aos carrapatos. Hemograma e sorologia de todos os cães da residência são indicados, além de tratamento antiparasitário simultâneo no ambiente e nos animais.

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