O que é infestação por carrapatos em pets?
Os carrapatos são ectoparasitas obrigatórios que se alimentam do sangue do hospedeiro durante suas fases de desenvolvimento (larva, ninfa e adulto). Cada fase requer um repasto sanguíneo para completar sua muda. O ciclo de vida pode durar meses a anos no ambiente, tornando a reinfestação um desafio constante para tutores de animais que frequentam áreas de mata, gramados altos ou locais com outros animais.
A infestação maciça pode causar anemia por espoliação sanguínea, especialmente em filhotes e animais debilitados. Mais grave ainda é o papel dos carrapatos como vetores: a transmissão de patógenos ocorre geralmente após 24 a 48 horas de fixação, reforçando a importância da remoção precoce e da prevenção contínua.
Causas e tipos
No Brasil, o Rhipicephalus sanguineus (carrapato marrom) é responsável pela maior parte das infestações urbanas em cães e é o principal vetor da Ehrlichia canis. O Amblyomma sculptum (carrapato estrela), típico de áreas rurais e de mata, é o principal transmissor da Rickettsia rickettsii, agente da febre maculosa brasileira — uma das zoonoses mais letais do país.
- Rhipicephalus sanguineus: carrapato marrom, vetor de erliquiose canina
- Amblyomma sculptum: carrapato estrela, vetor da febre maculosa
- Ixodes spp.: vetor de Anaplasma e doença de Lyme em regiões temperadas
- Dermacentor variabilis: vetor de rickettsia em América do Norte
Sintomas
A infestação leve pode ser assintomática além da presença visível dos carrapatos, especialmente em regiões de difícil visualização como pescoço, entre os dedos, axilas e orelhas. Infestações intensas causam coceira, irritação local, anemia (mucosas pálidas, fraqueza) e, nos casos graves, paralisia por toxina do carrapato.
Quando há transmissão de hemoparasitas, surgem sinais sistêmicos: febre, anorexia, letargia, sangramento, icterícia e trombocitopenia. A erliquiose e a babesiose podem ser fatais sem tratamento precoce.
Diagnóstico
O diagnóstico da infestação é clínico: visualização e identificação dos carrapatos no animal. Para detectar as doenças transmitidas, são necessários hemograma (trombocitopenia é sinal precoce), esfregaço sanguíneo (identificação de hemoparasitas), PCR para patógenos específicos e sorologia (RIFI para erliquiose e febre maculosa).
O veterinário pode identificar a espécie do carrapato para orientar melhor o risco de transmissão de doenças específicas e recomendar o monitoramento adequado.
Tratamento
A remoção dos carrapatos deve ser feita com pinça de ponta fina, girando suavemente no sentido anti-horário, sem esmagá-los para evitar regurgitação do conteúdo intestinal. Nunca use álcool, vaselina ou fogo para remover carrapatos vivos fixados.
O tratamento antiparasitário inclui banho carrapaticida, pipetas spot-on, coleiras impregnadas ou comprimidos (fluralaner, sarolaner, afoxolaner) com eficácia de 30 a 90 dias. Em casos de erliquiose ou babesiose, o tratamento específico (doxiciclina, imidocarb) deve ser iniciado imediatamente pelo veterinário.
Quando ir ao veterinário
Leve seu pet ao veterinário se notar grande quantidade de carrapatos, sinais de anemia (fraqueza, mucosas pálidas), febre, falta de apetite ou sangramento após exposição a carrapatos. Consulte também para escolher o antiparasitário mais adequado ao estilo de vida do seu animal — a prevenção é muito mais barata e eficaz que o tratamento das doenças transmitidas.