O que é osteoartrite?
Osteoartrite é uma doença articular crônica e progressiva caracterizada pela degradação da cartilagem hialina que recobre as superfícies articulares. Sem essa proteção, os ossos friccionam diretamente, gerando dor, inflamação e, com o tempo, deformidade articular. É estimada em mais de 20% dos cães adultos e é ainda mais prevalente em animais acima de 7 anos.
Em gatos, a OA é subdiagnosticada porque felinos escondem a dor de forma instintiva. Estudos radiográficos mostram que mais de 90% dos gatos acima de 12 anos apresentam alterações osteoartríticas em pelo menos uma articulação.
Causas e tipos
A OA primária resulta do desgaste natural com a idade. A OA secundária — mais comum em pets — decorre de alterações ortopédicas preexistentes como displasia de quadril ou cotovelo, ruptura de ligamento cruzado cranial, luxação de patela, osteocondrose e traumas articulares. A obesidade acelera drasticamente a progressão da doença.
- Displasia de quadril: causa mais comum de OA em cães de grande porte
- Ruptura de ligamento cruzado cranial: leva a OA do joelho em meses
- Displasia de cotovelo: frequente em raças como Labrador e Rottweiler
- Luxação de patela: OA progressiva em cães pequenos
- Obesidade: sobrecarga articular que acelera a degeneração
Sintomas
Os sinais clássicos em cães incluem claudicação que piora após repouso e melhora com movimento leve, dificuldade para levantar, subir escadas e entrar no carro, relutância em brincar e redução do tempo de exercício. Em fases avançadas, a articulação pode estar aumentada de volume e com crepitação palpável.
Em gatos, os sinais são mais sutis: menor salto, hesitação antes de pular, dificuldade para se groomar as regiões posteriores, uso irregular da caixa de areia e irritabilidade ao toque. Reconhecer esses sinais é essencial para intervenção precoce.
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado no exame ortopédico detalhado, avaliando amplitude de movimento, dor à manipulação e crepitação articular. A radiografia confirma alterações como estreitamento do espaço articular, formação de osteófitos e esclerose subcondral. Em casos complexos, tomografia computadorizada ou ressonância magnética fornecem informações complementares.
Tratamento
O manejo é multimodal e individualizado. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) veterinários são a base da analgesia. Gabapentina e tramadol são adicionados em casos mais avançados. Injeções intra-articulares de ácido hialurônico ou corticoide têm papel complementar. O anticorpo monoclonal bedinvetmab, aprovado para dor osteoartrítica em cães, representa grande avanço terapêutico recente.
Fisioterapia veterinária, hidrodinâmica, acupuntura e laser de baixa intensidade complementam o controle farmacológico. Suplementos como glucosamina, condroitina e ômega-3 têm evidências de suporte na manutenção cartilaginosa. O controle do peso corporal é uma das intervenções mais eficazes para reduzir a dor e retardar a progressão.
Prevenção
Manter o peso ideal, tratar precocemente as alterações ortopédicas predisponentes, promover exercícios regulares de baixo impacto e iniciar suplementação condroitera em animais de risco são estratégias preventivas eficazes. Consultas veterinárias semestrais em cães e gatos acima de 7 anos permitem identificar a OA em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz.