O que é xerostomia
Xerostomia é a diminuição patológica do fluxo salivar que compromete a umidade e a integridade da mucosa oral. A saliva produzida pelas glândulas parótidas, submandibulares e sublinguais contém água, mucinas, imunoglobulinas, enzimas e fatores antimicrobianos que protegem os dentes, as gengivas e a mucosa contra agentes patogênicos.
Quando essa proteção é reduzida, o ambiente oral se torna favorável ao crescimento bacteriano excessivo, à doença periodontal acelerada e a ulcerações. Além do desconforto, o animal pode apresentar dificuldades para se alimentar, perda de peso e halitose intensa.
Causas e tipos
As principais causas de xerostomia em pequenos animais incluem:
- Desidratação severa — a causa mais comum e imediata
- Fármacos anticolinérgicos (atropina, escopolamina), anti-histamínicos e diuréticos
- Radioterapia na região de cabeça e pescoço — dano irreversível às glândulas salivares
- Síndrome de Sjögren-like — destruição autoimune das glândulas exócrinas
- Sialolitíase — obstrução dos ductos salivares por cálculos
- Neoplasias das glândulas salivares
- Neuropatia do nervo facial ou do nervo lingual
Sintomas
Os sinais clínicos de xerostomia incluem mucosa oral pálida, seca e pegajosa, saliva espessa e viscosa ou praticamente ausente, língua ressecada, halitose, dificuldade para mastigar alimentos secos e sialofagia (tentativa excessiva de engolir). Lesões ulcerativas na mucosa e na língua podem surgir em casos prolongados.
Animais com xerostomia crônica frequentemente apresentam doença periodontal grave e acelerada, com acúmulo rápido de placa bacteriana, gengivite e periodontite, pois a ação antimicrobiana e de limpeza da saliva está ausente.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, baseado na inspeção da cavidade oral e na história clínica. A sialometria (coleta e mensuração do volume salivar) pode ser realizada em centros especializados para quantificar o déficit. Ultrassonografia das glândulas salivares e biópsia de glândula salivar acessória (mucosa oral) auxiliam na investigação etiológica.
Avaliação hematológica e urinálise são indicadas para descartar causas sistêmicas como doença renal, diabetes mellitus e outras condições que levam à desidratação crônica.
Tratamento
O tratamento direciona-se à causa de base: reidratação agressiva em casos de desidratação, ajuste ou suspensão de fármacos causadores, controle de doenças sistêmicas. Substitutos salivares artificiais — géis ou soluções de carboximetilcelulose ou mucina — aliviam o desconforto e protegem a mucosa.
Higiene oral intensificada, com escovação diária e uso de antissépticos orais veterinários, é fundamental para prevenir complicações periodontais. Dietas úmidas (patê) facilitam a alimentação e reduzem o desconforto durante as refeições.
Prevenção
Garantir hidratação adequada — múltiplas fontes de água fresca, incluindo bebedouros circulantes — é a medida preventiva mais acessível. O uso criterioso de medicamentos anticolinérgicos e a realização de avaliações odontológicas periódicas permitem detectar alterações salivares antes que causem dano periodontal significativo.