O que é ruptura do ligamento cruzado em cães?
O ligamento cruzado cranial (LCCr) é uma estrutura ligamentar dentro da articulação do joelho que estabiliza o movimento de gaveta (deslizamento anterior da tíbia em relação ao fêmur). Quando se rompe, o joelho fica instável, causando dor e incapacidade funcional progressiva.
É a lesão ortopédica mais frequente em cães, estimando-se que seja responsável por mais cirurgias de joelho do que todas as outras causas combinadas. Em cães, diferentemente dos humanos, a ruptura é quase sempre resultado de degeneração progressiva do ligamento, não de trauma agudo isolado.
Causas e fatores de risco
A degeneração do LCCr em cães é multifatorial. Predisposição genética, conformation do joelho (ângulo do platô tibial elevado), sobrepeso, castração precoce em raças grandes e imunomediação são fatores descritos. Algumas raças têm risco marcadamente elevado.
- Raças predispostas: Labrador, Rottweiler, Bulldog, Staffordshire, Mastiff, Newfoundland
- Sobrepeso e obesidade
- Platô tibial com inclinação aumentada (conformação)
- Castração precoce em raças grandes (possível associação)
- Doenças imunomediadas sistêmicas
Sintomas
A apresentação clínica varia conforme o grau da ruptura. Na ruptura parcial, o cão apresenta claudicação intermitente que piora com exercício e melhora com repouso. Na ruptura completa, há claudicação aguda severa com o membro suspenso logo após o episódio, evoluindo para apoio parcial em poucos dias.
Com o tempo, a instabilidade leva ao desenvolvimento de artrose e engrossamento da cápsula articular (sinal do botão medial). O menisco medial é frequentemente lesado concomitantemente, causando dor adicional e estalido articular.
Diagnóstico
O teste de gaveta cranial (deslocamento anterior da tíbia com o joelho flexionado) e o teste de compressão tibial confirmam a instabilidade articular. Em cães com dor intensa ou musculatura desenvolvida, a sedação facilita o exame. A radiografia avalia o grau de artrose, o derrame articular e o ângulo do platô tibial para planejamento cirúrgico.
A artroscopia ou artrotomia exploratória permite visualizar o estado do LCCr, meniscos e cartilagem articular diretamente, sendo parte do procedimento cirúrgico.
Tratamento
O tratamento conservador (repouso, fisioterapia, analgesia) raramente é satisfatório em cães de médio e grande porte — apenas animais muito pequenos ou com comorbidades graves se beneficiam dele. A cirurgia é amplamente recomendada para recuperação funcional adequada.
A TPLO (osteotomia niveladora do platô tibial) altera a biomecânica do joelho eliminando a necessidade do LCCr. Tem alta taxa de sucesso (90%+) em cães de qualquer porte. A TTA (avanço da tuberosidade tibial) e a técnica extracapsular são alternativas com indicações específicas. A recuperação pós-cirúrgica inclui fisioterapia por 3 a 6 meses.
Prevenção
Manter o peso ideal é a medida preventiva mais importante. Exercício físico regular e moderado fortalece a musculatura periarticular. Evitar exercícios de alta intensidade intermitente (o chamado "atleta de fim de semana") reduz o risco de ruptura em animais predispostos. Suplementação com ômega-3 e glucosamina pode ter efeito protetor.