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Cirurgia⏱ 3 min de leitura👁 285 visualizações

O que é Ruptura de Ligamento Cruzado?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A ruptura do ligamento cruzado cranial (LCCr) é a lesão ortopédica mais comum em cães, correspondendo ao equivalente do ligamento cruzado anterior humano. Causa instabilidade do joelho, dor aguda e claudicação, podendo evoluir para artrose grave sem tratamento cirúrgico. Diferentemente dos humanos, em cães a ruptura raramente ocorre por trauma agudo único. É geralmente resultado de degeneração progressiva do ligamento, relacionada a fatores genéticos, conformação corporal e sobrepeso. Raças como Labrador, Rottweiler e Bulldog têm maior predisposição. O tratamento cirúrgico é amplamente recomendado, com diversas técnicas disponíveis. A TPLO (osteotomia niveladora do platô tibial) é a técnica com maior taxa de sucesso documentada e é considerada padrão-ouro em cães de médio e grande porte.

O que é ruptura do ligamento cruzado em cães?

O ligamento cruzado cranial (LCCr) é uma estrutura ligamentar dentro da articulação do joelho que estabiliza o movimento de gaveta (deslizamento anterior da tíbia em relação ao fêmur). Quando se rompe, o joelho fica instável, causando dor e incapacidade funcional progressiva.

É a lesão ortopédica mais frequente em cães, estimando-se que seja responsável por mais cirurgias de joelho do que todas as outras causas combinadas. Em cães, diferentemente dos humanos, a ruptura é quase sempre resultado de degeneração progressiva do ligamento, não de trauma agudo isolado.

Causas e fatores de risco

A degeneração do LCCr em cães é multifatorial. Predisposição genética, conformation do joelho (ângulo do platô tibial elevado), sobrepeso, castração precoce em raças grandes e imunomediação são fatores descritos. Algumas raças têm risco marcadamente elevado.

  • Raças predispostas: Labrador, Rottweiler, Bulldog, Staffordshire, Mastiff, Newfoundland
  • Sobrepeso e obesidade
  • Platô tibial com inclinação aumentada (conformação)
  • Castração precoce em raças grandes (possível associação)
  • Doenças imunomediadas sistêmicas

Sintomas

A apresentação clínica varia conforme o grau da ruptura. Na ruptura parcial, o cão apresenta claudicação intermitente que piora com exercício e melhora com repouso. Na ruptura completa, há claudicação aguda severa com o membro suspenso logo após o episódio, evoluindo para apoio parcial em poucos dias.

Com o tempo, a instabilidade leva ao desenvolvimento de artrose e engrossamento da cápsula articular (sinal do botão medial). O menisco medial é frequentemente lesado concomitantemente, causando dor adicional e estalido articular.

Diagnóstico

O teste de gaveta cranial (deslocamento anterior da tíbia com o joelho flexionado) e o teste de compressão tibial confirmam a instabilidade articular. Em cães com dor intensa ou musculatura desenvolvida, a sedação facilita o exame. A radiografia avalia o grau de artrose, o derrame articular e o ângulo do platô tibial para planejamento cirúrgico.

A artroscopia ou artrotomia exploratória permite visualizar o estado do LCCr, meniscos e cartilagem articular diretamente, sendo parte do procedimento cirúrgico.

Tratamento

O tratamento conservador (repouso, fisioterapia, analgesia) raramente é satisfatório em cães de médio e grande porte — apenas animais muito pequenos ou com comorbidades graves se beneficiam dele. A cirurgia é amplamente recomendada para recuperação funcional adequada.

A TPLO (osteotomia niveladora do platô tibial) altera a biomecânica do joelho eliminando a necessidade do LCCr. Tem alta taxa de sucesso (90%+) em cães de qualquer porte. A TTA (avanço da tuberosidade tibial) e a técnica extracapsular são alternativas com indicações específicas. A recuperação pós-cirúrgica inclui fisioterapia por 3 a 6 meses.

Prevenção

Manter o peso ideal é a medida preventiva mais importante. Exercício físico regular e moderado fortalece a musculatura periarticular. Evitar exercícios de alta intensidade intermitente (o chamado "atleta de fim de semana") reduz o risco de ruptura em animais predispostos. Suplementação com ômega-3 e glucosamina pode ter efeito protetor.

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Perguntas frequentes

Meu cão começou a mancar de repente. Pode ser o ligamento cruzado?

Sim. Claudicação aguda do membro posterior, especialmente após salto ou corrida, é sinal frequente de ruptura do LCCr. Leve ao veterinário para exame ortopédico. O diagnóstico é feito pelos testes de gaveta e compressão tibial.

Cão com ruptura de ligamento cruzado precisa operar?

Na grande maioria dos casos sim, especialmente em cães de médio e grande porte. Sem cirurgia, o joelho permanece instável, a artrose progride rapidamente e o cão fica com dor crônica e incapacidade funcional. A cirurgia proporciona recuperação funcional excelente na maioria dos casos.

O que é a cirurgia TPLO?

TPLO (osteotomia niveladora do platô tibial) é uma técnica cirúrgica que corta e reposiciona a parte superior da tíbia, alterando o ângulo articular de forma que o joelho fique estável sem precisar do ligamento cruzado. É a técnica com maiores taxas de sucesso e a mais utilizada no Brasil.

Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia de ligamento cruzado?

A recuperação completa leva de 4 a 6 meses. As primeiras 8 semanas exigem repouso rigoroso e fisioterapia progressiva. Com protocolo adequado, a maioria dos cães retorna a atividade normal após esse período. O retorno ao exercício intenso é gradual.

Cão com ruptura de ligamento cruzado sente muita dor?

Sim, especialmente na fase aguda. A instabilidade articular e a inflamação causam dor significativa. O tratamento pré-cirúrgico com analgésicos e anti-inflamatórios alivia o desconforto enquanto aguarda a cirurgia.

Se operar um joelho, o outro também pode romper?

Sim. Aproximadamente 40 a 60% dos cães que rompem um LCCr terão ruptura no joelho contralateral nos 2 anos seguintes. A predisposição genética e os fatores de conformação afetam ambos os joelhos.

Fisioterapia após cirurgia de ligamento cruzado é obrigatória?

Não é obrigatória em todos os casos, mas é altamente recomendada. Melhora significativamente o tempo e a qualidade da recuperação. Exercícios controlados, hidroreabilitação e eletroterapia aceleram o retorno à função normal e reduzem a perda muscular.

Gato pode ter ruptura de ligamento cruzado?

Sim, embora seja muito menos comum que em cães. Em gatos, a ruptura geralmente é traumática (quedas, acidentes) e não degenerativa. O tratamento cirúrgico também é indicado na maioria dos casos felinos.

O menisco também pode ser lesado na ruptura do ligamento cruzado?

Sim. A lesão meniscal concomitante ocorre em 30 a 60% dos casos de ruptura do LCCr. Durante a cirurgia, o veterinário avalia o menisco e realiza a reparação ou parcial ressecção conforme necessário. Lesão meniscal não tratada causa dor persistente pós-operatória.

Meu cão obeso rompeu o ligamento cruzado. Devo emagrecer antes de operar?

Idealmente sim, mas nem sempre é possível esperar. O veterinário avaliará se o risco cirúrgico associado ao sobrepeso é menor do que manter o animal sem cirurgia por mais tempo. Em muitos casos, a cirurgia é realizada com peso elevado e a redução de peso é implementada no pós-operatório.

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