O que é rinosseptumite?
O septo nasal é a estrutura cartilaginosa e óssea que divide as cavidades nasais em duas. A rinosseptumite refere-se à inflamação que acomete essa estrutura e as adjacentes, comprometendo o fluxo de ar e a função nasal. Em gatos, é frequentemente sequela de infecção grave pelo herpesvírus felino durante a infância.
A infecção viral destrói a mucosa ciliada protetora, permitindo colonização bacteriana crônica e inflamação persistente. Em casos graves, ocorre lise dos cornetos e do septo, criando cavidades anormais que dificultam a defesa local.
Causas
Em gatos, o herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1) e o calicivírus são as principais causas. Infecções bacterianas primárias por Bordetella ou secundárias a outras causas também contribuem. Em cães, Aspergillus fumigatus pode causar destruição do septo com progressão para estruturas adjacentes.
- Viral: herpesvírus felino (FHV-1), calicivírus felino
- Bacteriana: Bordetella bronchiseptica, Pasteurella, Pseudomonas
- Fúngica: Aspergillus fumigatus (cães), Cryptococcus neoformans
- Trauma nasal: fraturas e lesões diretas do septo
Sintomas
Os sinais principais são espirros crônicos, secreção nasal bilateral persistente (serosa a mucopurulenta), respiração ruidosa, snoring (ronco) e, em casos graves, respiração difícil pela boca em gatos. O olfato pode estar comprometido, levando à anorexia — sinal especialmente importante em gatos, pois eles dependem muito do olfato para se alimentar.
Deformidades visíveis do nariz ou destruição óssea da ponte nasal indicam doença avançada e sugerem neoplasia ou aspergilose, exigindo investigação urgente.
Diagnóstico
A tomografia das cavidades nasais é o melhor método de imagem para avaliar a extensão da lesão no septo e demais estruturas. A rinoscopia permite visualização direta e coleta de material para cultura, citologia e biópsia. PCR nasal pode detectar herpesvírus e calicivírus felinos.
O histórico de infecção respiratória na infância, especialmente em gatos de canil ou abrigo, é informação valiosa para orientar o diagnóstico.
Tratamento
O manejo da rinosseptumite crônica viral em gatos é paliativo, focado em manter a qualidade de vida. Nebulizações com soro fisiológico 2 a 3 vezes por dia fluidificam as secreções. Antibióticos rotativos controlam as infecções bacterianas secundárias. L-lisina reduz a reativação do herpesvírus em alguns casos. Famciclovir oral é o antiviral mais eficaz para FHV-1 em gatos.
Aspergilose nasal com destruição do septo requer tratamento antifúngico sistêmico e, possivelmente, instilação intranasal de clotrimazol. Casos com deformidades graves podem necessitar de rinoplastia corretiva em centros especializados.
Prognóstico
Rinosseptumite viral crônica em gatos é geralmente manejável mas não curável. Com cuidados adequados, a maioria dos gatos tem boa qualidade de vida. Episódios de agravamento em períodos de estresse são esperados. O compromisso do tutor com o manejo crônico é fundamental para o bem-estar do animal.