O que é orquiepididimite?
Orquiepididimite é a inflamação simultânea do testículo e do epidídimo, podendo ser aguda ou crônica, unilateral ou bilateral. O epidídimo é o canal onde os espermatozoides amadurecem e ficam armazenados; sua inflamação prejudica diretamente a fertilidade. Em cães inteiros, é uma condição que demanda atenção especial em reprodutores.
A condição pode evoluir para abscesso escrotal, atrofia testicular irreversível e infertilidade permanente quando não tratada a tempo. Em casos de brucelose, a transmissibilidade para humanos torna o diagnóstico uma questão de saúde pública.
Causas e tipos
As causas se dividem em infecciosas e não infecciosas. Entre as infecciosas, Brucella canis é a mais preocupante. Bactérias do trato urinário (Escherichia coli, Staphylococcus, Proteus) podem ascender ao epidídimo e causar infecção aguda. Fungos como Blastomyces e Coccidioides são causas menos comuns. Entre as não infecciosas, traumatismos, torção testicular e neoplasias podem causar inflamação secundária.
- Brucella canis: principal causa infecciosa, zoonose
- Bactérias gram-negativas: ascensão do trato urinário
- Traumatismo escrotal: mordedura, contusão
- Neoplasia testicular: tumor de células de Sertoli, seminoma
- Causas idiopáticas: sem agente identificado
Sintomas
O quadro agudo apresenta escroto aumentado de volume, eritematoso, quente e extremamente doloroso ao toque. O cão lambe excessivamente a região escrotal e pode recusar a deambulação. Febre, letargia e anorexia completam o quadro sistêmico. Em casos crônicos por brucelose, pode haver atrofia testicular com endurecimento do epidídimo sem dor intensa.
A infertilidade manifesta-se pela queda da qualidade seminal — redução de espermatozoides vivos, aumento de formas anormais — detectável no espermograma.
Diagnóstico
O exame físico e a palpação escrotal orientam a suspeita. A ultrassonografia escrotal é fundamental para avaliar a extensão da inflamação, identificar abscessos e diferenciar de torção testicular e neoplasias. Para brucelose, os testes sorológicos (SAR, 2-ME, AGID) são obrigatórios. Cultura de urina e uretra identificam agentes bacterianos secundários.
Tratamento
O tratamento depende da causa. Infecções bacterianas respondem a antibioticoterapia de longo prazo (4 a 6 semanas) com base em cultura e antibiograma. Casos graves com abscesso exigem drenagem cirúrgica ou orquiectomia (remoção do testículo). Brucelose em reprodutores é de difícil resolução — combinação de doxiciclina e fluoroquinolonas reduz a carga bacteriana, mas raramente elimina completamente a infecção.
A castração é frequentemente indicada em cães com brucelose para reduzir a excreção do agente e proteger outros animais e humanos da casa. O anti-inflamatório e a analgesia são fundamentais no controle da dor aguda.
Prevenção
Testar todos os reprodutores para brucelose antes do acasalamento, realizar o exame em novos animais antes de introduzi-los no canil, manter a higiene dos canis e vacinar contra leptospirose (que pode ter apresentação similar) são medidas preventivas essenciais. Em canis profissionais, o protocolo de triagem sorológica periódica para brucelose é indispensável.