O que é zigomicose
Zigomicose (anteriormente chamada de mucormicose) é o nome genérico para infecções causadas por fungos da ordem Mucorales e, menos frequentemente, por fungos da ordem Entomophthorales. Esses organismos estão amplamente distribuídos no ambiente — solo, matéria orgânica em decomposição e fezes de animais — mas raramente causam doença em hospedeiros imunocompetentes.
Em pets, a infecção se instala quando os esporos são inalados, ingeridos ou inoculados em feridas. A invasão vascular com trombose e necrose tecidual é a marca histopatológica da doença, o que explica sua gravidade e a dificuldade de tratamento.
Causas e tipos
Os principais gêneros causadores em pequenos animais incluem:
- Rhizopus e Mucor — forma rinocerebral e gastrointestinal
- Basidiobolus ranarum — forma gastrointestinal em cães; endêmica em regiões tropicais
- Conidiobolus coronatus — forma nasofaríngea
- Rhizomucor — forma disseminada em imunossuprimidos
Os principais fatores predisponentes são diabetes mellitus, uso prolongado de corticoides, quimioterapia, doenças que comprometem a imunidade e feridas penetrantes com solo contaminado.
Sintomas
Os sinais clínicos variam conforme a localização da infecção. Na forma gastrointestinal — a mais comum em cães — observam-se vômito crônico, diarreia, perda de peso progressiva, dor abdominal e, em casos avançados, massas palpáveis no abdômen. A forma rinocerebral causa corrimento nasal sanguinolento, sinusite, deformidade facial e sinais neurológicos.
Na forma cutânea, surgem lesões necróticas com bordas irregulares e progressão rápida dos tecidos ao redor. A forma disseminada, rara mas devastadora, manifesta-se com sinais de falência de múltiplos órgãos.
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo requer avaliação histopatológica de tecido biopsiado, que revela hifas largas, não septadas ou com raras septações, com invasão vascular e áreas de necrose. O exame micológico direto e a cultura fúngica confirmam o gênero causador, embora a cultura nem sempre seja positiva.
Ultrassonografia e tomografia computadorizada auxiliam na delimitação das lesões e no planejamento cirúrgico. Hemograma, bioquímica e urinálise avaliam o comprometimento sistêmico e identificam doenças predisponentes.
Tratamento
O tratamento exige abordagem multifatorial urgente: debridamento cirúrgico amplo das lesões necróticas, com margens livres quando possível, e antifúngico sistêmico. A anfotericina B lipossômica é o fármaco de escolha, com maior eficácia e menor nefrotoxicidade que a formulação convencional. Posaconazol e isavuconazol podem ser usados como adjuvantes ou em manutenção.
O controle da doença imunossupressora de base é mandatório — redução ou suspensão de corticoides, controle glicêmico rigoroso em diabéticos. O prognóstico da forma disseminada é muito reservado, com alta mortalidade mesmo com tratamento agressivo.
Prevenção
Evitar feridas em solos contaminados, tratar precocemente diabéticos e imunossuprimidos e limitar o uso de corticoides ao estritamente necessário são as principais medidas preventivas. Animais em quimioterapia devem ter acompanhamento hematológico rigoroso para detectar imunossupressão grave e receber profilaxia antifúngica quando indicada pelo oncologista veterinário.