O que é queratoconjuntivite seca?
A queratoconjuntivite seca (QCS) é uma inflamação crônica da córnea e da conjuntiva causada pela deficiência quantitativa ou qualitativa da produção lacrimal. As lágrimas são essenciais para lubrificar, nutrir e proteger a superfície ocular. Quando insuficientes, a córnea resseca e inflama progressivamente.
Em cães, é uma das doenças oculares mais comuns. Em gatos é rara. O diagnóstico precoce é fundamental, pois a progressão sem tratamento leva a danos permanentes na córnea e comprometimento da visão.
Causas e tipos
A causa mais comum em cães é autoimune: o sistema imunológico ataca as glândulas lacrimais. Outras causas incluem medicamentos (sulfonamidas), infecções (cinomose), trauma ocular, anestesia geral prolongada e remoção cirúrgica da glândula da terceira pálpebra (prolapso de glândula da terceira pálpebra — não deve ser removida).
- Autoimune: causa mais frequente
- Iatrogênica: sulfonamidas, atropina tópica crônica
- Pós-infecciosa: cinomose
- Neuropática: lesão do nervo facial ou trigêmeo
- Congênita: rara, em filhotes de algumas raças
Sintomas
Os sinais incluem secreção ocular mucopurulenta espessa (geralmente amarelo-esverdeada), olhos vermelhos, blefaroespasmo (piscar excessivo), fotofobia e opacidade da córnea. O animal pode coçar os olhos frequentemente. Em casos avançados, a córnea desenvolve pigmentação escura (melanose) que reduz a visão.
A secreção é diferente da conjuntivite infecciosa: na QCS é espessa, pegajosa e persistente mesmo após limpeza, pois reflete a tentativa do organismo de compensar a ausência de lágrima.
Diagnóstico
O teste de Schirmer mede a produção lacrimal em 1 minuto usando uma tira de papel especial. Valores abaixo de 15 mm/min em cães são suspeitos; abaixo de 10 mm/min confirmam o diagnóstico. Coloração com fluoresceína avalia a integridade corneal e identifica úlceras.
O exame com lâmpada de fenda permite visualizar a inflamação, a vascularização e a pigmentação corneal. O histórico medicamentoso e o levantamento de doenças sistêmicas completam a investigação da causa.
Tratamento
A ciclosporina 0,2% ou 1% e o tacrolimus 0,02 a 0,03% em formulações tópicas são os tratamentos de escolha. Estimulam a produção lacrimal e reduzem a inflamação autoimune. A resposta é avaliada após 4 a 6 semanas; em 70 a 80% dos cães há melhora significativa. O tratamento é vitalício.
Substitutos de lágrima (lubrificantes oculares) são usados até que a produção melhore e como complemento permanente. Antibióticos são adicionados em casos de infecção secundária. Casos refratários com pigmentação extensa podem necessitar de cirurgia.
Prevenção
Evitar o uso de sulfonamidas em cães predispostos, não remover a glândula da terceira pálpebra e realizar exames oftalmológicos periódicos em raças de risco são as principais medidas preventivas. Diagnóstico e tratamento precoces evitam danos permanentes à visão.