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Doença⏱ 3 min de leitura👁 272 visualizações

O que é Hipoadrenocorticismo (Addison)?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Hipoadrenocorticismo, ou doença de Addison, é a deficiência na produção de hormônios pelo córtex adrenal — principalmente glicocorticoides (cortisol) e mineralocorticoides (aldosterona). Em cães, é uma doença autoimune na maioria dos casos, afetando especialmente fêmeas jovens de raças como Caniche e Beagle. A doença pode se manifestar de forma crônica e insidiosa ou como crise addisoniana aguda, uma emergência com risco de vida. A grande variedade de sintomas inespecíficos dificulta o diagnóstico, levando ao apelido de "o grande imitador" na medicina veterinária.

O que é a doença de Addison em cães?

O hipoadrenocorticismo é causado pela insuficiência do córtex adrenal em produzir quantidades adequadas de corticosteroides. O cortisol é essencial para a resposta ao estresse, metabolismo de glicose e função imune; a aldosterona regula os eletrólitos e a pressão arterial. A deficiência de ambos compromete múltiplos sistemas simultaneamente.

A forma mais comum é a primária (destruição autoimune das glândulas adrenais). A forma secundária ocorre por deficiência de ACTH hipofisário, geralmente após retirada abrupta de corticosteroides de uso prolongado. Gatos podem ser afetados, mas a doença é muito mais rara na espécie felina.

Causas e tipos

A destruição autoimune das adrenais responde por cerca de 80% dos casos primários. Outras causas incluem hemorragia adrenal, neoplasia, infecções granulomatosas e uso crônico de mitotano ou trilostano. A forma iatrogênica (secundária) é observada em animais submetidos a corticoterapia prolongada que tiveram o medicamento suspenso abruptamente.

  • Addison primário típico: deficiência de glico e mineralocorticoides
  • Addison primário atípico: apenas deficiência de glicocorticoides (sódio e potássio normais)
  • Addison secundário: deficiência de ACTH por lesão hipofisária ou retirada de corticoide
  • Crise addisoniana: descompensação aguda com choque hipovolêmico

Sintomas

Os sinais crônicos são inespecíficos: letargia episódica, vômito intermitente, diarreia, perda de peso, inapetência e fraqueza. O animal pode parecer bem em um momento e gravemente enfermo em outro — característica marcante da doença. O estresse (banho, viagem, barulho) frequentemente precipita crises agudas.

Na crise addisoniana os sinais são graves: prostração intensa, desidratação severa, hipotermia, bradicardia paradoxal (apesar da hipotensão), choque e colapso. Sem tratamento emergencial imediato, a crise é fatal. Alterações eletrolíticas clássicas incluem hipercalemia (potássio elevado) e hiponatremia (sódio baixo).

Diagnóstico

A suspeita clínica surge pela combinação de sinais inespecíficos recorrentes, especialmente em fêmeas jovens. O ionograma é fundamental: a relação Na:K abaixo de 27:1 é altamente sugestiva de Addison. O hemograma pode mostrar ausência de eosinofilia e linfopenia de estresse — achado paradoxalmente normal em um animal doente.

O teste definitivo é o teste de estimulação com ACTH: coleta-se cortisol basal, administra-se ACTH sintético intravenoso e coleta-se cortisol após uma hora. Em cães com Addison, o cortisol permanece baixo em ambas as coletas, confirmando a insuficiência adrenal.

Tratamento

A crise addisoniana é tratada com fluidoterapia IV vigorosa com solução salina, glicocorticoides IV (dexametasona ou hidrocortisona) e monitoramento intensivo dos eletrólitos. Após estabilização, inicia-se o tratamento de manutenção crônico.

A manutenção pode ser feita com acetato de desoxicorticosterona (DOCP) injetável a cada 25 a 28 dias para os mineralocorticoides, combinado com prednisona oral diária para os glicocorticoides. A dose de prednisona deve ser dobrada ou triplicada em situações de estresse (viagens, procedimentos, doenças). O prognóstico com tratamento adequado é excelente.

Prevenção

Não há prevenção para a forma autoimune. Contudo, a forma iatrogênica é evitável: nunca suspenda corticosteroides abruptamente em animais em uso crônico — a retirada deve ser gradual, sempre sob orientação veterinária. Cães com Addison diagnosticado devem usar pulseira ou plaquinha de identificação informando a condição para situações de emergência.

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Perguntas frequentes

O que é uma crise addisoniana e como reconhecer?

É uma descompensação aguda da doença de Addison, com choque, prostração extrema, hipotermia e colapso. Frequentemente precipitada por estresse. É emergência com risco de vida; o animal deve ser levado ao veterinário imediatamente.

Addison tem cura em cães?

A forma autoimune não tem cura, mas é perfeitamente controlável com medicação. A forma iatrogênica pode se resolver após a adrenal se recuperar. Com tratamento adequado, cães addisonianos vivem tantos anos quanto cães saudáveis.

Com que frequência o cão com Addison precisa de injeção?

A maioria dos cães recebe DOCP injetável a cada 25 a 28 dias para repor mineralocorticoides. A prednisona oral é administrada diariamente. O intervalo do DOCP pode precisar de ajuste individual conforme resposta clínica e laboratorial.

Posso dar corticoide extra quando meu cão com Addison vai ao banho?

Sim, situações de estresse exigem dobrar ou triplicar a dose de prednisona naquele dia. Converse com seu veterinário sobre o protocolo de 'dose de estresse' específico para o seu animal antes de qualquer situação estressante.

Qual é o exame definitivo para diagnóstico de Addison?

O teste de estimulação com ACTH (dosagem de cortisol antes e uma hora após injeção de ACTH sintético) é o padrão ouro. Cães com Addison apresentam cortisol baixo em ambas as coletas, confirmando a insuficiência adrenal.

O Addison afeta gatos também?

Sim, mas é muito raro em gatos comparado a cães. Os sinais são similares — letargia, vômito, perda de peso — e o diagnóstico e tratamento seguem os mesmos princípios, com ajustes de dose para a espécie.

Por que o Addison é chamado de 'o grande imitador'?

Porque seus sintomas — letargia, vômito, diarreia, fraqueza — são inespecíficos e comuns a muitas outras doenças. Isso frequentemente leva a meses ou anos de investigação antes do diagnóstico correto ser estabelecido.

Meu cão com Addison pode fazer cirurgia?

Sim, mas requer preparo cuidadoso. O veterinário aumentará a dose de glicocorticoide no perioperatório (cobertura de estresse) para prevenir crise addisoniana. Informe sempre qualquer médico veterinário sobre o diagnóstico antes de procedimentos.

A alimentação do cão com Addison precisa ser especial?

Geralmente não são necessárias restrições alimentares especiais além das que o veterinário indicar para condições associadas. Uma dieta equilibrada e de qualidade é suficiente na maioria dos casos.

O que é o Addison atípico?

É uma variante em que apenas os glicocorticoides estão deficientes, com os eletrólitos (sódio e potássio) normais. Os sinais são mais sutis e o diagnóstico é confirmado apenas pelo teste de ACTH. Pode evoluir para a forma típica com o tempo.

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