O que é hipoglicemia em pets?
A hipoglicemia ocorre quando a glicemia cai abaixo de 60 mg/dL em cães e gatos (laboratórios podem variar levemente). A glicose é o principal combustível do sistema nervoso central, e sua deficiência aguda provoca disfunção neurológica progressiva. É considerada emergência veterinária quando associada a sinais clínicos.
Filhotes pequenos e de raças toy são especialmente vulneráveis por terem baixas reservas de glicogênio hepático e alto gasto energético proporcional. Cães diabéticos em tratamento com insulina também representam grupo de risco importante para episódios hipoglicêmicos.
Causas e tipos
As causas de hipoglicemia são diversas e determinam o prognóstico e o tratamento. Em filhotes, o jejum prolongado, o estresse e as parasitoses são as causas mais comuns. Em adultos, o insulinoma (tumor produtor de insulina no pâncreas) é uma causa importante de hipoglicemia de difícil controle. A superdosagem de insulina em cães e gatos diabéticos é frequente em casa.
- Hipoglicemia neonatal: filhotes com baixas reservas de glicogênio
- Hipoglicemia por insulina: superdosagem em animais diabéticos
- Insulinoma: tumor pancreático secretor de insulina
- Hipoglicemia hepática: insuficiência hepática grave reduz a gliconeogênese
- Hipoglicemia por toxinas: xilitol (adoçante) provoca liberação maciça de insulina em cães
- Hipoglicemia por sepse: infecções graves consomem glicose rapidamente
Sintomas
Os sinais iniciais incluem fraqueza súbita, tremores musculares, ataxia (andar cambaleante), desorientação e visão turva. O animal pode parecer "bêbado" ou muito sonolento. Com a progressão, surgem convulsões, perda de consciência e coma.
Em filhotes, a hipoglicemia pode ser precipitada pelo estresse de levar ao veterinário, banho ou brincadeiras excessivas. Gatos hipoglicêmicos frequentemente apresentam colapso súbito e salivação excessiva. A rapidez de progressão depende da intensidade da queda e da causa subjacente.
Diagnóstico
A glicemia pode ser medida rapidamente com glicosímetro portátil (de uso humano, com adaptação dos valores de referência para pets). O veterinário confirmará com dosagem laboratorial e investigará a causa de base com exames complementares: insulina sérica, função hepática, ultrassonografia abdominal (para pesquisar insulinoma) e hemograma.
Em episódios recorrentes sem causa óbvia, a relação insulina:glicose é calculada para rastrear hiperinsulinismo. A scintigrafia ou tomografia podem ser necessárias para localizar o insulinoma antes da abordagem cirúrgica.
Tratamento
O tratamento de emergência consiste em administrar glicose imediatamente. Em animais conscientes, aplique mel ou xarope de glicose na mucosa gengival (sem forçar pela garganta). Em animais inconscientes, a glicose deve ser administrada por via intravenosa pelo veterinário. Monitore atentamente a glicemia após a intervenção.
O tratamento da causa de base é essencial para evitar recidivas. Insulinoma geralmente requer cirurgia para retirada do tumor. Superdosagem de insulina em diabéticos exige ajuste do protocolo. Filhotes devem receber refeições menores e mais frequentes. A prednisona pode ser usada para controle médico do insulinoma inoperável.
Prevenção
Filhotes de raças toy não devem ficar mais de 4 horas sem comer. Tutores de animais diabéticos devem aprender a medir a glicemia em casa e nunca aplicar insulina sem o animal ter se alimentado. Manter mel ou glicose em casa para emergências e conhecer os sinais precoces de hipoglicemia são medidas que podem salvar vidas.