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O que é Uremia?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Uremia é a síndrome clínica causada pelo acúmulo de toxinas urêmicas no sangue, resultante da falha dos rins em filtrar adequadamente os produtos do metabolismo. Em cães e gatos, ocorre como consequência de insuficiência renal aguda ou crônica avançada e representa um estágio grave de comprometimento da função renal. As toxinas urêmicas afetam praticamente todos os sistemas orgânicos, causando sinais neurológicos, gastrointestinais, cardiovasculares e hematológicos. A uremia é uma emergência veterinária e, sem tratamento intensivo, o animal pode evoluir para coma e óbito em horas a dias.

O que é uremia em animais?

Uremia (do latim urina no sangue) é a síndrome sistêmica causada pelo acúmulo de substâncias normalmente eliminadas pela urina — ureia, creatinina, ácido úrico, fósforo e diversas outras toxinas — quando os rins perdem a capacidade de filtrá-las adequadamente. Não se trata de uma doença em si, mas do resultado final da falência renal.

A síndrome urêmica pode ser a apresentação de insuficiência renal aguda (IRA) — reversível se tratada a tempo — ou o estágio terminal da insuficiência renal crônica (IRC). Em ambos os casos, o quadro clínico é grave e exige internação e cuidados intensivos para estabilização do paciente.

Causas e tipos

A uremia aguda resulta de eventos súbitos que comprometem a função renal: intoxicação por anticongelante (etilenoglicol), uvas e passas em cães, AINEs em dose excessiva, leptospirose, obstrução uretral prolongada, desidratação grave, choque ou trauma. A uremia crônica é o desfecho da IRC progressiva, comum em gatos idosos e cães de raças grandes.

  • IRA pré-renal: desidratação grave, choque, hipotensão
  • IRA renal: nefrotoxinas (anticongelante, uvas, AINEs), leptospirose, isquemia
  • IRA pós-renal: obstrução uretral, ruptura de bexiga
  • IRC terminal: doença renal crônica progressiva

Sintomas

Os sinais clínicos são múltiplos e sistêmicos. No trato gastrointestinal: vômito persistente, diarreia, anorexia, halitose urêmica (odor de amônia no hálito) e úlceras na boca e no estômago. No sistema nervoso: depressão, desorientação, convulsões e coma nos casos mais graves. No sistema cardiovascular: hipertensão arterial, arritmias e, em estágios avançados, pericardite urêmica.

O animal apresenta fraqueza intensa, relutância em se mover, mucosas pálidas ou amareladas (anemia urêmica ou icterícia), desidratação e, dependendo da causa, oligúria (pouca urina) ou poliúria (muita urina). O hálito com cheiro de urina é um sinal altamente característico de uremia.

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se em exames laboratoriais: dosagem de ureia e creatinina sérica muito elevadas, hiperfosfatemia, hipercalemia (potássio alto — causa de arritmias letais), acidose metabólica e anemia não regenerativa. O SDMA (dimetil-arginina simétrica) é um marcador mais precoce de disfunção renal que a creatinina.

A urinálise revela densidade urinária inapropriada (isostenúria), proteinúria e cilindrúria. A ultrassonografia renal avalia o tamanho, a arquitetura e a perfusão dos rins, diferenciando causas agudas (rins de tamanho normal ou aumentado) das crônicas (rins pequenos e irregulares). A pressão arterial sistêmica deve ser medida em todo paciente suspeito.

Tratamento

O tratamento da uremia aguda envolve internação, fluidoterapia intravenosa intensiva para restaurar a perfusão renal, controle das alterações eletrolíticas e acidose, antieméticos e protetores gástricos para controle dos sinais gastrointestinais, e tratamento específico da causa subjacente. Em casos selecionados, a diálise peritoneal pode ser necessária.

Na IRC terminal, o objetivo é manejo paliativo: dieta com restrição de fósforo e proteína, quelantes de fósforo, estimulantes do apetite, antieméticos e suporte de qualidade de vida. A hemodiálise é raramente disponível em medicina veterinária no Brasil. O prognóstico depende da causa, da gravidade e da resposta ao tratamento inicial.

Prevenção

Manter o animal hidratado, evitar nefrotoxinas conhecidas (anticongelante, uvas, passas, AINEs sem prescrição), vacinar contra leptospirose, tratar infecções urinárias prontamente e realizar exames anuais de sangue e urina em animais idosos são as principais medidas preventivas. A detecção precoce da IRC permite intervenção dietética antes que a uremia se instale.

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Perguntas frequentes

O que é uremia em cães e gatos?

Uremia é o acúmulo de toxinas no sangue causado pela falência dos rins. Quando os rins não conseguem filtrar adequadamente o sangue, substâncias como ureia e creatinina se acumulam e causam danos em todos os órgãos. É uma emergência veterinária grave.

Quais são os sintomas de uremia?

Vômito persistente, anorexia, hálito com cheiro de amônia ou urina, fraqueza intensa, desorientação e, nos casos mais graves, convulsões e coma. O animal também pode apresentar úlceras na boca, mucosas pálidas e desidratação acentuada.

Uremia tem cura?

Depende da causa. Uremia causada por insuficiência renal aguda pode ser revertida se o animal receber tratamento intensivo rapidamente. Uremia por insuficiência renal crônica terminal não tem cura, mas o manejo adequado pode manter qualidade de vida por um período. O prognóstico varia caso a caso.

O que causa uremia em gatos?

Em gatos, a causa mais comum é a insuficiência renal crônica progressiva, especialmente em animais acima de 7 anos. Causas agudas incluem intoxicação por lírio verdadeiro (altamente tóxico para gatos), desidratação grave e obstrução uretral não tratada.

Hálito com cheiro de urina é sinal de problema renal?

Sim. O hálito com odor de amônia ou urina (halitose urêmica) é um sinal muito característico de uremia. Ocorre porque a ureia acumulada no sangue se converte em amônia nas mucosas. Se seu pet apresentar esse sinal, leve ao veterinário urgentemente.

Uvas e passas podem causar uremia em cães?

Sim. Uvas, passas e derivados (como suco de uva concentrado) são altamente nefrotóxicos para cães — mesmo pequenas quantidades podem causar insuficiência renal aguda grave e uremia em poucas horas. Se seu cão ingeriu esses alimentos, procure o veterinário imediatamente, mesmo sem sintomas.

Como é tratada a uremia aguda?

O tratamento inclui internação hospitalar, fluidoterapia intravenosa intensa para restaurar a filtração renal, controle do potássio (que em níveis altos causa arritmia fatal), antieméticos, protetores gástricos e tratamento da causa de base. Em casos graves, pode ser necessária diálise peritoneal.

Quais exames diagnosticam uremia?

Dosagem de ureia e creatinina séricas elevadas são os principais marcadores. O SDMA é um marcador mais precoce de disfunção renal. Também se avaliam fósforo, potássio, bicarbonato (acidose) e hemograma (anemia). A urinálise e a ultrassonografia renal completam a avaliação.

Um gato com uremia sofre?

Sim. A uremia causa mal-estar intenso, náuseas persistentes, ulcerações dolorosas na boca, fraqueza e sofrimento neurológico. O manejo da dor e do desconforto é parte essencial do tratamento. Em casos terminais, a eutanásia humanitária pode ser a decisão mais compassiva, discutida com o veterinário.

Como prevenir uremia no meu pet?

Exames de sangue e urina anuais em pets adultos e semestrais em idosos permitem detectar doença renal precocemente, antes da uremia. Mantenha hidratação adequada, evite nefrotoxinas (anticongelante, uvas, AINEs sem receita), vacine contra leptospirose e trate infecções urinárias prontamente.

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