O que é prolapso retal?
Prolapso retal ocorre quando o reto se inverte sobre si mesmo e emerge pelo ânus, formando uma protrusão cilíndrica de coloração vermelho-vivo ou, em casos mais avançados, arroxeada ou enegrecida (indicando comprometimento vascular). Pode ser parcial — quando apenas a mucosa retal se exterioriza — ou completo, quando todas as camadas da parede retal estão envolvidas.
Em filhotes, a causa mais comum é a tenesmo (esforço repetido para defecar) associado a verminoses intestinais, especialmente Trichuris e Ancylostoma, ou diarreia persistente. Em adultos, pode estar relacionado a massas retais, estreitamento retal, doenças prostáticas e problemas urinários obstrutivos.
Causas e tipos
Qualquer condição que cause tenesmo prolongado pode resultar em prolapso retal. Em gatos, a causa mais frequente são parasitoses e diarreia crônica. Em cães machos adultos, hiperplasia e cistos prostáticos são causas importantes. A fraqueza dos músculos do assoalho pélvico também predispõe ao prolapso.
- Prolapso parcial: apenas a mucosa retal está exteriorizada
- Prolapso completo: todas as camadas do reto emergem pelo ânus
- Prolapso recidivante: múltiplos episódios mesmo após redução
- Causas predisponentes: verminoses, diarreia, obstrução urinária, tumor retal, parto distócico
Sintomas
O sinal principal é a visualização de uma massa rosada a avermelhada saindo pelo ânus, que pode variar de pequena (apenas mucosa) a grande (vários centímetros de tecido exteriorizado). O animal demonstra desconforto, lambe a região anal excessivamente, apresenta tenesmo e pode ter sangramento discreto.
Quando o prolapso não é tratado rapidamente, o tecido exposto resseca, edematiza e perde sua vitalidade, tornando-se arroxeado ou negro — indicando necrose. Nessa fase, a redução manual não é mais possível e a ressecção cirúrgica torna-se necessária.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico e imediato pela inspeção visual. O veterinário avalia a viabilidade do tecido, o grau de edema e a coloração para decidir a abordagem terapêutica. É fundamental identificar e tratar a causa primária para evitar recidivas.
Exames complementares incluem coproparasitológico para identificar parasitas, hemograma, bioquímica e, quando necessário, radiografia pélvica ou endoscopia retal para avaliar causas subjacentes em adultos. Em machos, a próstata deve ser avaliada por ultrassonografia.
Tratamento
Em casos recentes com tecido ainda viável, realiza-se a redução manual sob sedação ou anestesia: o tecido é umedecido com solução salina ou açúcar hipertônico para reduzir o edema, lubrificado e reintroduzido gentilmente pelo ânus. Uma sutura de retenção (sutura de alça de bolsa) é aplicada temporariamente para manter o reto na posição correta enquanto o tecido se recupera.
Prolapsos recidivantes ou com tecido inviável exigem colonpexia (fixação cirúrgica do cólon à parede abdominal) ou ressecção e anastomose do segmento retal prolapsado. O tratamento da causa primária — vermifugação, controle da diarreia, tratamento prostático — é obrigatório para o sucesso a longo prazo.
Prevenção
A vermifugação regular a partir das 2 semanas de vida, seguida de protocolo preventivo trimestral ou semestral, é a principal medida preventiva em filhotes. Controle precoce de diarreia e parasitoses intestinais, dieta equilibrada e acompanhamento veterinário regular compõem o protocolo preventivo. Em machos adultos, castração reduz o risco de doenças prostáticas que predispõem ao prolapso.