O que é trombose em animais?
Trombose é a formação patológica de coágulos (trombos) dentro dos vasos sanguíneos. Pode ocorrer em artérias (trombose arterial — mais grave pela isquemia imediata) ou veias (trombose venosa — com risco de embolia). O trombo pode romper e migrar como êmbolo para outro local, causando obstrução a distância.
A tríade de Virchow descreve os fatores predisponentes: alteração do fluxo sanguíneo (estase), lesão endotelial e estado de hipercoagulabilidade. Doenças cardíacas, renais, neoplásicas e inflamatórias crônicas criam essas condições em pets.
Tromboembolismo aórtico felino
Em gatos, a cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a principal causa. O átrio esquerdo dilatado é um ambiente propício para formação de trombos, que podem migrar e impactar na bifurcação da aorta caudal (tromboembolismo aórtico — TEA), cortando o suprimento sanguíneo dos membros posteriores.
- Causa: cardiomiopatia hipertrófica felina (mais comum)
- Localização: bifurcação aórtica (membros posteriores)
- Sinais: paralisia aguda dos membros posteriores, dor intensa, membros frios
- Prognóstico: mortalidade aguda de 30 a 50%, recidiva frequente
Sintomas
No TEA felino, o início é súbito e dramático: paralisia ou paresia dos membros posteriores, dor excruciante (vocalização), membros posteriores frios ao toque, ausência de pulso femoral e unhas azuladas (cianose). O gato pode vocalizar intensamente de dor. Outros sinais cardíacos como dispneia podem estar presentes.
Tromboembolismo pulmonar em cães manifesta-se com dispneia súbita, taquicardia e hipoxemia, frequentemente sem lesão pulmonar visível na radiografia — sinal que deve aumentar a suspeita.
Diagnóstico
No TEA felino, o diagnóstico clínico é geralmente suficiente: gato com paralisia aguda de membros posteriores, membros frios e dolorosos, sem pulso femoral. Ecocardiograma confirma a cardiopatia subjacente e pode visualizar o trombo atrial. D-dímero elevado indica ativação da coagulação.
Tromboembolismo pulmonar em cães é diagnosticado por angiografia por TC (gold standard) ou ecocardiograma com sinais de cor pulmonale agudo. Gasometria arterial mostra hipoxemia.
Tratamento
No TEA, a analgesia potente (opioides) é o primeiro passo — a dor é intensa. Heparina não fracionada ou de baixo peso molecular é anticoagulante de uso agudo. Clopidogrel é o antiplaquetário de manutenção mais usado em gatos. Rivaroxabana é alternativa oral. Terapia trombolítica (rt-PA) tem alto risco de complicações hemorrágicas.
Tratamento da doença cardíaca subjacente é fundamental para prevenção de recidiva. Gatos que sobrevivem ao episódio agudo geralmente recuperam parcialmente a função motora em semanas, mas a recidiva é comum sem anticoagulação de manutenção.
Prognóstico
O TEA felino tem mortalidade aguda de 30 a 50%. Gatos que sobrevivem e recuperam mobilidade têm sobrevida mediana de cerca de 6 meses com tratamento, com recidivas frequentes. O prognóstico da cardiopatia subjacente determina a evolução a longo prazo.