O que é miosite?
Miosite é a inflamação do músculo esquelético. O tecido muscular pode ser afetado por agentes infecciosos (bactérias, vírus, protozoários como Toxoplasma e Neospora), parasitas (larvas migratórias), trauma físico, toxinas ou, mais frequentemente nos animais de companhia, por mecanismos autoimunes em que o próprio sistema imune ataca as fibras musculares.
No cão, a Miosite dos Músculos Mastigatórios (MMM) é uma condição bem definida, na qual anticorpos atacam especificamente a miosina tipo 2M, uma proteína exclusiva dos músculos temporais e masseteres. A polimiosite é uma inflamação mais difusa que afeta músculos de todo o corpo. Ambas as condições são tratáveis, mas exigem diagnóstico preciso para não serem confundidas com outras causas de dor ou fraqueza muscular.
Causas e tipos
As causas são amplamente divididas em imunomediadas (as mais comuns em cães), infecciosas, parasitárias e traumáticas. Raças como Cavalier King Charles Spaniel, Labrador e Pastor Alemão têm maior predisposição às formas imunomediadas.
- Miosite dos músculos mastigatórios (MMM): autoimune, anticorpos anti-2M, exclusiva de cães
- Polimiosite: inflamação difusa imunomediada, pode ser paraneoplásica
- Miosite infecciosa: Toxoplasma, Neospora caninum, Leishmania
- Miosite parasitária: larvas de Trichinella ou Sarcocystis em músculo
- Dermatomiosite: forma associada a lesões cutâneas em raças como Collie e Shetland
Sintomas
Na MMM, o sinal mais característico é a dificuldade para abrir a boca — o animal não consegue abocanhar ração grande, brinquedos ou recusa comida sólida. A região temporal e os masseteres ficam aumentados de volume na fase aguda e atrofiados progressivamente na fase crônica. Dor à palpação da cabeça e trismo (espasmo mandibular) são frequentes.
A polimiosite manifesta-se por fraqueza muscular generalizada, dificuldade para levantar, andar em escadas ou pular. Pode haver disfagia (dificuldade para engolir), regurgitação por megaesôfago secundário, voz rouca e, nos casos sistêmicos, febre e perda de peso. A atrofia muscular é progressiva e pode ser grave.
Diagnóstico
A dosagem de enzimas musculares séricas — creatinofosfoquinase (CPK) e aspartato aminotransferase (AST) — revela elevação significativa na miosite ativa. Para a MMM, o teste ELISA específico para anticorpos anti-2M é o mais sensível e específico. A biópsia muscular com análise histológica e imunohistoquímica é o padrão-ouro para diagnóstico de polimiosite e outras formas.
A eletroneuromiografia avalia padrões de atividade muscular anormal. Investigação para doenças infecciosas e parasitárias (Toxoplasma, Neospora, Leishmania) é obrigatória. Tomografia ou ressonância magnética dos músculos afetados ajudam no estadiamento e no planejamento da biópsia.
Tratamento
Para as formas imunomediadas, a imunossupressão com prednisona em doses altas é o tratamento de primeira linha, com redução gradual ao longo de meses. A resposta é geralmente boa nas fases iniciais. Azatioprina ou ciclosporina podem ser usadas como poupadores de corticosteroides para reduzir efeitos colaterais do uso prolongado.
Miosites infecciosas exigem tratamento específico para o agente causador: clindamicina para Toxoplasma e Neospora, anfotericina B para fungos, antiparasitários específicos. O tratamento de suporte inclui analgesia, fisioterapia para preservar a massa muscular e dieta altamente digestível com consistência adaptada às limitações de mastigação.
Prevenção
Não há prevenção específica para as formas autoimunes. Para as infecciosas, o controle de parasitas, a prevenção da leishmaniose com coleira repelente e vacina (onde disponível), e a higiene alimentar para reduzir o risco de Toxoplasma são medidas relevantes. O reconhecimento precoce e o tratamento imediato das crises evitam a fibrose muscular irreversível que pode resultar em trismo permanente na MMM.