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O que é Miosite?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Miosite é a inflamação do tecido muscular esquelético, que pode ser de origem infecciosa, imunomediada, parasitária ou traumática. Em cães, as formas mais relevantes clinicamente são a miosite dos músculos mastigatórios (MMM) e a polimiosite imunomediada, ambas de origem autoimune e que causam dor, fraqueza e atrofia muscular. Os sinais clínicos variam conforme os músculos afetados e a causa: dificuldade para abrir ou fechar a boca na MMM, fraqueza de membros e disfagia na polimiosite, e sinais sistêmicos quando há causa infecciosa subjacente. O diagnóstico exige biópsia muscular e testes específicos para identificar a causa, e o tratamento com imunossupressores geralmente é eficaz nas formas autoimunes.

O que é miosite?

Miosite é a inflamação do músculo esquelético. O tecido muscular pode ser afetado por agentes infecciosos (bactérias, vírus, protozoários como Toxoplasma e Neospora), parasitas (larvas migratórias), trauma físico, toxinas ou, mais frequentemente nos animais de companhia, por mecanismos autoimunes em que o próprio sistema imune ataca as fibras musculares.

No cão, a Miosite dos Músculos Mastigatórios (MMM) é uma condição bem definida, na qual anticorpos atacam especificamente a miosina tipo 2M, uma proteína exclusiva dos músculos temporais e masseteres. A polimiosite é uma inflamação mais difusa que afeta músculos de todo o corpo. Ambas as condições são tratáveis, mas exigem diagnóstico preciso para não serem confundidas com outras causas de dor ou fraqueza muscular.

Causas e tipos

As causas são amplamente divididas em imunomediadas (as mais comuns em cães), infecciosas, parasitárias e traumáticas. Raças como Cavalier King Charles Spaniel, Labrador e Pastor Alemão têm maior predisposição às formas imunomediadas.

  • Miosite dos músculos mastigatórios (MMM): autoimune, anticorpos anti-2M, exclusiva de cães
  • Polimiosite: inflamação difusa imunomediada, pode ser paraneoplásica
  • Miosite infecciosa: Toxoplasma, Neospora caninum, Leishmania
  • Miosite parasitária: larvas de Trichinella ou Sarcocystis em músculo
  • Dermatomiosite: forma associada a lesões cutâneas em raças como Collie e Shetland

Sintomas

Na MMM, o sinal mais característico é a dificuldade para abrir a boca — o animal não consegue abocanhar ração grande, brinquedos ou recusa comida sólida. A região temporal e os masseteres ficam aumentados de volume na fase aguda e atrofiados progressivamente na fase crônica. Dor à palpação da cabeça e trismo (espasmo mandibular) são frequentes.

A polimiosite manifesta-se por fraqueza muscular generalizada, dificuldade para levantar, andar em escadas ou pular. Pode haver disfagia (dificuldade para engolir), regurgitação por megaesôfago secundário, voz rouca e, nos casos sistêmicos, febre e perda de peso. A atrofia muscular é progressiva e pode ser grave.

Diagnóstico

A dosagem de enzimas musculares séricas — creatinofosfoquinase (CPK) e aspartato aminotransferase (AST) — revela elevação significativa na miosite ativa. Para a MMM, o teste ELISA específico para anticorpos anti-2M é o mais sensível e específico. A biópsia muscular com análise histológica e imunohistoquímica é o padrão-ouro para diagnóstico de polimiosite e outras formas.

A eletroneuromiografia avalia padrões de atividade muscular anormal. Investigação para doenças infecciosas e parasitárias (Toxoplasma, Neospora, Leishmania) é obrigatória. Tomografia ou ressonância magnética dos músculos afetados ajudam no estadiamento e no planejamento da biópsia.

Tratamento

Para as formas imunomediadas, a imunossupressão com prednisona em doses altas é o tratamento de primeira linha, com redução gradual ao longo de meses. A resposta é geralmente boa nas fases iniciais. Azatioprina ou ciclosporina podem ser usadas como poupadores de corticosteroides para reduzir efeitos colaterais do uso prolongado.

Miosites infecciosas exigem tratamento específico para o agente causador: clindamicina para Toxoplasma e Neospora, anfotericina B para fungos, antiparasitários específicos. O tratamento de suporte inclui analgesia, fisioterapia para preservar a massa muscular e dieta altamente digestível com consistência adaptada às limitações de mastigação.

Prevenção

Não há prevenção específica para as formas autoimunes. Para as infecciosas, o controle de parasitas, a prevenção da leishmaniose com coleira repelente e vacina (onde disponível), e a higiene alimentar para reduzir o risco de Toxoplasma são medidas relevantes. O reconhecimento precoce e o tratamento imediato das crises evitam a fibrose muscular irreversível que pode resultar em trismo permanente na MMM.

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Perguntas frequentes

Meu cão não consegue abrir a boca. Pode ser miosite?

Dificuldade progressiva para abrir a boca em cão é um sinal clássico de Miosite dos Músculos Mastigatórios (MMM). Trismo (espasmo de fechamento) e dor na cabeça são achados frequentes. Avaliação veterinária urgente é necessária.

Miosite tem cura?

As formas imunomediadas podem entrar em remissão com tratamento imunossupressor, mas recidivas são comuns. Diagnóstico precoce evita a fibrose muscular permanente, que é irreversível. As formas infecciosas tratáveis têm bom prognóstico com o tratamento correto.

CPK alta sempre significa miosite?

Não. A CPK pode estar elevada após exercício intenso, trauma muscular, convulsões, injeções intramusculares ou qualquer condição que danifique fibras musculares. O contexto clínico e outros exames são necessários para o diagnóstico.

O que é a miosite dos músculos mastigatórios?

É uma doença autoimune específica de cães em que anticorpos atacam a miosina tipo 2M, proteína exclusiva dos músculos da mastigação. Causa dor, inchaço e progressiva dificuldade para abrir a boca, podendo resultar em trismo permanente se não tratada.

Miosite causa perda muscular permanente?

Se não tratada ou tratada tardiamente, a inflamação crônica leva à fibrose que substitui o tecido muscular, resultando em atrofia permanente. No trismo por MMM, pode ser necessária fisioterapia de abertura de boca mesmo após a resolução da inflamação.

Toxoplasmose causa miosite?

Sim. O Toxoplasma gondii pode infectar músculo esquelético, causando miosite com fraqueza, dor e elevação de enzimas musculares. É mais comum em cães imunossuprimidos ou jovens não vacinados.

Miosite em gato existe?

Sim, embora seja menos descrita do que no cão. Em gatos, infecções por Toxoplasma são uma causa importante de miosite. Polimiosite imunomediada também ocorre, mas com menor frequência do que na espécie canina.

Dermatomiosite afeta que raças?

Collie e Shetland Sheepdog são as raças mais predispostas à dermatomiosite, uma condição que combina lesões cutâneas com inflamação muscular. É reconhecida como doença hereditária nessas raças.

Meu cão está tomando prednisona para miosite. Pode parar o remédio?

Nunca interrompa a prednisona abruptamente. A retirada deve ser gradual e orientada pelo veterinário, geralmente ao longo de meses. Interrupção abrupta pode causar crise adrenal ou recidiva grave da miosite.

Fisioterapia ajuda na miosite?

Sim. Exercícios de alongamento, especialmente para a mandíbula na MMM, e exercícios de fortalecimento progressivo na polimiosite ajudam a preservar a função muscular durante e após o tratamento medicamentoso.

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