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O que é Artrose?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Artrose (osteoartrose ou osteoartrite degenerativa) é uma doença articular crônica e progressiva caracterizada pela degradação da cartilagem articular, remodelamento ósseo, inflamação da membrana sinovial e formação de osteófitos (bicos de papagaio). É a doença articular mais comum em cães e gatos, especialmente em animais idosos. Diferentemente da artrite inflamatória, a artrose resulta principalmente do desgaste mecânico ao longo do tempo, com componente inflamatório secundário. Os sinais incluem rigidez articular, claudicação e redução progressiva da mobilidade. O tratamento é paliativo e visa controlar a dor e preservar a qualidade de vida.

O que é artrose em animais?

Artrose é a forma mais comum de doença articular em cães e gatos, afetando a cartilagem que reveste as superfícies ósseas dentro das articulações. Essa cartilagem age como amortecedor, permitindo o movimento suave e sem atrito. Com a artrose, ela vai sendo progressivamente destruída, expondo o osso subcondral, que sofre remodelamento, e formando projeções ósseas (osteófitos) nas bordas da articulação.

A artrose pode ser primária — resultante do envelhecimento natural — ou secundária a lesões articulares, displasias, fraturas, instabilidade e obesidade. Ambas as formas compartilham o mesmo processo degenerativo final. Estima-se que 80% dos cães acima de 8 anos tenham algum grau de artrose, muitas vezes sem que o tutor perceba sinais óbvios.

Causas e tipos

A artrose primária resulta do envelhecimento e da sobrecarga articular cumulativa ao longo da vida. A forma secundária, mais frequente em animais mais jovens, se desenvolve a partir de condições predisponentes que alteram a biomecânica articular, criando distribuição anormal de carga sobre a cartilagem.

  • Displasia coxofemoral: causa mais comum de artrose de quadril em cães
  • Displasia de cotovelo: fragmentação do processo coronoide, osteocondrose
  • Ruptura do ligamento cruzado cranial: artrose de joelho progressiva
  • Luxação de patela: sobrecarrega a articulação femoropatelar
  • Obesidade: amplifica a sobrecarga em todas as articulações

Sintomas

A artrose evolui lentamente e os sinais muitas vezes são ignorados como "preguiça" ou "envelhecimento normal". O animal reluta em subir escadas, pular ou realizar movimentos que antes fazia sem dificuldade. Apresenta rigidez matinal que melhora gradualmente com o aquecimento e claudicação que piora após repouso prolongado ou exercício intenso.

Nos gatos, os sinais são ainda mais discretos: menor tendência a saltar para superfícies altas, mudança do local de descanso para o chão, redução da atividade de grooming nas regiões que exigem flexão articular dolorosa e maior irritabilidade ao ser tocado. Crepitações (estalos) ao movimentar a articulação e aumento do volume articular por inflamação sinovial completam o quadro clínico.

Diagnóstico

A radiografia das articulações afetadas é o exame fundamental e mostra os achados clássicos da artrose: redução ou irregularidade do espaço articular, esclerose subcondral (osso mais denso), osteófitos nas bordas articulares e, nos casos avançados, remodelamento completo da articulação. A comparação com a articulação contralateral ou com exames anteriores permite avaliar a progressão.

A tomografia computadorizada oferece maior detalhe anatômico e é especialmente útil para avaliação do cotovelo. A ultrassonografia articular avalia a membrana sinovial e a presença de efusão. A análise do líquido sinovial diferencia artrose (líquido mecânico, com poucos leucócitos) de artrite inflamatória ou séptica.

Tratamento

O tratamento da artrose é multimodal e requer comprometimento a longo prazo. O controle da dor baseia-se em anti-inflamatórios veterinários (carprofeno, meloxicam, grapiprant), analgésicos adjuvantes (gabapentina, amantadina) e, em cães, o anticorpo monoclonal lokivetmab, administrado mensalmente com excelente eficácia analgésica sem efeitos colaterais sistêmicos relevantes.

Fisioterapia veterinária, hidroterapia e acupuntura complementam o tratamento farmacológico, melhorando a mobilidade e fortalecendo a musculatura de suporte. Suplementação com condroitina, glicosamina e ácidos graxos ômega-3 tem evidências de benefício modesto. O controle rigoroso do peso é a intervenção não farmacológica mais impactante. Cirurgia — como prótese de quadril ou artrodese — é reservada para casos selecionados refratários ao tratamento conservador.

Prevenção

A prevenção envolve triagem radiográfica de displasias em raças predispostas antes da reprodução, manutenção do peso ideal durante toda a vida, exercício físico regular e moderado, diagnóstico e tratamento precoce de lesões articulares e suplementação profilática com ômega-3 em raças de grande porte a partir da meia-idade. Ambientes adaptados com rampas e superfícies antiderrapantes reduzem o esforço articular em animais mais velhos.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre artrite e artrose?

Artrose (osteoartrite) é o desgaste progressivo da cartilagem articular com componente inflamatório secundário, resultando da sobrecarga mecânica crônica. Artrite é um termo mais amplo que inclui qualquer inflamação articular, inclusive as formas imunomediadas e sépticas que têm mecanismos diferentes. Na prática, os termos frequentemente se sobrepõem.

Meu cão idoso anda devagar. Pode ser artrose?

Sim, essa é uma das apresentações mais comuns. Caminhar mais devagar, hesitar antes de sentar ou deitar, dificuldade para levantar após descanso e rigidez matinal são sinais típicos de artrose em cães idosos. Muitos tutores atribuem esses sinais ao envelhecimento normal, mas na maioria dos casos há dor que pode ser tratada.

Artrose é dolorosa para os pets?

Sim, artrose causa dor de intensidade variável. Como os animais não verbalizam a dor da mesma forma que humanos, e frequentemente a escondem por instinto, a dor articular crônica é muito subestimada nos pets. Avaliação veterinária com escalas de dor específicas é fundamental para estimar a intensidade e guiar o tratamento.

Piscina ou hidroterapia ajudam o cão com artrose?

Sim, a hidroterapia é um dos tratamentos mais eficazes para artrose. A flutuabilidade da água reduz o peso sobre as articulações enquanto permite o exercício muscular. Estudos mostram melhora significativa na mobilidade, força muscular e qualidade de vida com sessões regulares de hidroterapia.

Quais raças têm mais artrose?

Raças grandes e gigantes como Labrador, Golden Retriever, Rottweiler, Bernese e Mastim têm maior predisposição por displasia e pela sobrecarga do peso corporal. Raças condrodistróficas como Dachshund e Basset têm maior risco de artrose espinhal. Em gatos, raças como Maine Coon e Persa têm prevalência maior.

Posso dar antiinflamatório humano para meu cão com artrose?

Nunca. Medicamentos humanos como ibuprofeno, paracetamol e naproxeno são tóxicos para cães e gatos. Causam úlceras gástricas graves, insuficiência renal e podem levar à morte. Use apenas medicamentos prescritos pelo veterinário, na dose correta para o peso e espécie do seu animal.

O lokivetmab (Cytopoint) funciona para artrose?

Sim. O lokivetmab, originalmente desenvolvido para prurido alérgico, demonstrou eficácia significativa no controle da dor por artrose em cães. Age bloqueando o NGF (fator de crescimento neural), uma das principais moléculas de sinalização de dor. É aplicado mensalmente pelo veterinário com excelente perfil de segurança.

Artrose piora no frio?

Sim, muitos animais com artrose apresentam piora dos sintomas em dias frios e úmidos. O frio aumenta a viscosidade do líquido sinovial e pode intensificar a percepção de dor. Oferecer cama aquecida, proteger o animal do frio e usar agasalhos em raças de pelo curto são medidas que ajudam no conforto.

Com que idade meu cão deve começar a fazer raio-x das articulações?

Para raças predispostas a displasia, a avaliação radiográfica é recomendada entre 12 e 24 meses para diagnóstico precoce. Em animais sem sinais clínicos de outras raças, o raio-x ortopédico de rotina a partir dos 6 a 7 anos permite detectar artrose inicial antes que a dor se torne evidente.

Meu pet pode viver bem com artrose?

Absolutamente sim. Com diagnóstico adequado e tratamento multimodal — controle da dor, fisioterapia, controle do peso e adaptações ambientais — a maioria dos animais com artrose mantém excelente qualidade de vida por muitos anos. O objetivo é que a doença não limite as atividades e o bem-estar do animal.

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