O que é hematúria?
Hematúria é a presença de hemácias (glóbulos vermelhos) na urina em quantidade anormal. A urina normal pode conter até 5 hemácias por campo microscópico; acima disso, configura-se hematúria. Quando a quantidade é suficiente para colorir a urina visivelmente, chamamos de hematúria macroscópica; quando detectável apenas ao microscópio, é microscópica.
É importante distinguir hematúria de hemoglobinúria (hemoglobina livre na urina por hemólise) e mioglobinúria (mioglobina por lesão muscular), que também colorem a urina de vermelho, mas por mecanismos diferentes. O exame de urinálise com sedimento diferencia essas condições de forma precisa.
Causas e tipos
As causas de hematúria são numerosas e variam conforme a espécie e a localização do sangramento no trato urinário. Infecções bacterianas do trato urinário inferior (cistite) são a causa mais comum em cadelas. Urolitíase (cálculos) afeta cães e gatos de ambos os sexos. Em gatos machos, a cistite idiopática felina é frequente.
- Cistite bacteriana: inflamação da bexiga por bactérias
- Urolitíase: cálculos renais ou vesicais traumatizando a mucosa
- Cistite idiopática felina: inflamação sem causa infecciosa identificada em gatos
- Neoplasias: tumores de bexiga, uretra ou rim (ex: carcinoma de células de transição)
- Trauma: acidentes, sondagem uretral traumática
- Distúrbios de coagulação: trombocitopenia, hemofilia, intoxicação por rodenticidas
- Prostatite ou hiperplasia prostática em cães machos não castrados
- Piometra (infecção uterina) pode simular hematúria em fêmeas
Sintomas
A hematúria macroscópica é percebida pelo tutor como urina avermelhada ou rosada. Pode estar associada a outros sinais urinários: disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), estrangúria (esforço para urinar com pouca produção) e lambedura excessiva do prepúcio ou vulva.
A localização do sangue na micção pode orientar a causa: sangue no início da micção sugere lesão uretral ou prostática; sangue no final sugere lesão vesical; sangue durante toda a micção indica lesão renal ou ureteral. Hematúria sem outros sinais urinários, especialmente em animais idosos, levanta suspeita de neoplasia.
Diagnóstico
A urinálise completa com sedimento é o primeiro exame: confirma a presença de hemácias, identifica leucócitos (sugestivos de infecção), cristais (sugestivos de urolitíase) e células epiteliais atípicas (sugestivas de neoplasia). A cultura de urina (urocultura) com antibiograma é solicitada quando há suspeita de cistite bacteriana.
A ultrassonografia abdominal avalia rins, bexiga e próstata, detectando cálculos, massas e alterações estruturais. Radiografia abdominal identifica cálculos radiopacos. Hemograma e coagulograma são solicitados para investigar distúrbios sistêmicos. Cistoscopia pode ser necessária para visualizar lesões internas da bexiga.
Tratamento
O tratamento é dirigido à causa identificada. Cistite bacteriana é tratada com antibióticos baseados na urocultura, por 7 a 14 dias. Urolitíase pode ser manejada com dieta específica, hidratação, dissolução medicamentosa ou litotripsia, dependendo do tipo de cálculo; casos obstrutivos exigem cirurgia de urgência.
Neoplasias vesicais como o carcinoma de células de transição são tratadas com AINEs (especialmente piroxicam) e quimioterapia. Distúrbios de coagulação exigem tratamento específico da causa. Cistite idiopática felina responde a manejo ambiental, enriquecimento e dieta úmida para aumentar a ingestão de água.
Prevenção
Aumentar a ingestão de água por meio de dieta úmida, fontes de água corrente e múltiplas vasilhas reduz o risco de cristalização e infecções urinárias. Higiene perianal adequada em fêmeas, castração de machos (reduz problemas prostáticos), controle do peso e exames de urina anuais em animais adultos são medidas preventivas relevantes.