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O que é Necrose avascular da cabeça femoral?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A necrose avascular da cabeça femoral, também conhecida como doença de Legg-Calvé-Perthes ou osteonecrose da cabeça femoral, é uma condição ortopédica que acomete principalmente cães de raças pequenas e miniaturas. Ocorre pela interrupção do suprimento sanguíneo para a cabeça do fêmur, resultando em necrose óssea, colapso estrutural e artrite degenerativa dolorosa do quadril afetado. A etiologia exata não é completamente compreendida, mas fatores genéticos, vasculares e hormonais estão implicados. Acomete tipicamente animais jovens entre 4 e 12 meses de idade, com predomínio em raças como Poodle, Yorkshire Terrier, Cairn Terrier e West Highland White Terrier. O tratamento cirúrgico é frequentemente necessário para restaurar a função e eliminar a dor.

O que é necrose avascular da cabeça femoral?

A necrose avascular da cabeça femoral (NACF), ou doença de Legg-Calvé-Perthes, é causada pela interrupção do fluxo sanguíneo para a cabeça do fêmur, estrutura que articula com o acetábulo para formar a articulação coxofemoral (quadril). Sem suprimento sanguíneo adequado, o osso sofre necrose isquêmica, tornando-se frágil e sujeito a colapso sob as forças de carga do peso corporal.

O processo evolutivo passa por necrose isquêmica inicial, seguida de microfraturas e colapso da cabeça femoral, posterior tentativa de regeneração óssea e, finalmente, remodelação com deformidade residual. Quanto maior o dano antes da intervenção, mais grave a artrite secundária que se desenvolve.

Causas e tipos

A etiologia não é completamente esclarecida. Acredita-se que haja predisposição genética para fragilidade vascular da cabeça femoral em raças pequenas. Fatores hormonais (excesso de estrógeno em animais jovens), microtraumatismos repetidos e tromboembolismo da vasculatura femoral são mecanismos hipotéticos. A condição é unilateral em 80 a 85% dos casos, embora ambos os quadris possam ser afetados.

  • NACF unilateral: mais frequente, afeta um quadril
  • NACF bilateral: ambos os quadris afetados, pior prognóstico funcional
  • NACF com fratura patológica: colapso com fratura subcondral
  • NACF com osteoartrite grave: doença avançada com alterações degenerativas acentuadas

Sintomas

O sinal mais precoce é claudicação gradualmente progressiva no membro posterior afetado, com início tipicamente entre 4 e 12 meses de idade. O animal demonstra dor à extensão e abduação do quadril, reluta em apoiar o membro e pode levantar-se com dificuldade. Com a evolução da doença surge atrofia da musculatura da coxa por desuso, crepitação articular e redução da amplitude de movimento do quadril.

Animais afetados bilateralmente apresentam marcha anormal em ambos os membros posteriores e grande dificuldade de locomoção, afetando seriamente a qualidade de vida. A dor crônica pode alterar o comportamento, tornando o animal menos ativo, mais irritável e relutante ao manuseio da região pélvica.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado no exame físico ortopédico com avaliação da amplitude de movimento e dor à manipulação do quadril, combinado com radiografia da pelve em projeção ventrodorsal. A radiografia mostra alterações progressivas: rarefação e irregularidade da cabeça femoral nas fases iniciais, colapso e achatamento com irregularidade articular nas fases avançadas.

A tomografia computadorizada fornece avaliação tridimensional mais detalhada da extensão da necrose e do colapso ósseo, auxiliando no planejamento cirúrgico. A comparação bilateral das imagens é sempre realizada, mesmo quando a claudicação é unilateral, para identificar envolvimento subclínico do lado contralateral.

Tratamento

O tratamento conservador com analgesia e restrição de exercício pode ser tentado em casos iniciais muito leves, mas a maioria dos casos requer intervenção cirúrgica. A excisão da cabeça e do colo femoral (FHO — femoral head and neck ostectomy) é o procedimento mais realizado, removendo a superfície óssea necrótica e permitindo a formação de uma pseudoartrose fibrosa funcional com excelente prognóstico em raças pequenas.

A fisioterapia no pós-operatório é fundamental para maximizar a recuperação muscular e restaurar a função do membro. A maioria dos cães de raças pequenas submetidos à FHO tem recuperação funcional excelente, com retorno às atividades normais em 2 a 3 meses. A prótese total de quadril é reservada para raças maiores ou casos com resultados insatisfatórios da FHO.

Prevenção

Por ter componente genético, o melhor controle é evitar a reprodução de animais afetados e de seus familiares próximos em raças predispostas. O diagnóstico precoce, antes do colapso grave da cabeça femoral, permite intervenção mais oportuna e reduz as sequelas articulares. Manter o peso ideal e evitar sobrecarga articular em filhotes de raças pequenas são cuidados gerais recomendados.

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Perguntas frequentes

O que é necrose avascular da cabeça femoral em cães?

É a morte óssea da cabeça do fêmur por falta de suprimento sanguíneo, levando ao colapso da articulação do quadril. Também chamada de doença de Legg-Calvé-Perthes, afeta principalmente raças pequenas entre 4 e 12 meses de idade.

Quais raças têm mais risco de desenvolver a doença de Legg-Perthes?

Poodle miniatura, Yorkshire Terrier, Cairn Terrier, West Highland White Terrier, Maltês e Lhasa Apso são as raças mais frequentemente afetadas. A condição tem base genética nessas raças, com transmissão hereditária demonstrada.

Como identifico que meu cão pode ter esse problema?

Claudicação progressiva em um ou ambos os membros posteriores em cão jovem de raça pequena é o sinal mais comum. O animal reluta em apoiar o membro, demonstra dor ao manipular o quadril e pode apresentar atrofia muscular da coxa afetada.

É necessária cirurgia para tratar a doença de Legg-Perthes?

Na maioria dos casos, sim. O tratamento conservador raramente é suficiente. A excisão da cabeça e colo femoral (FHO) é o procedimento mais realizado e tem excelente prognóstico funcional em raças pequenas, com recuperação em 2 a 3 meses.

Meu cão vai voltar a andar normalmente após a cirurgia?

A grande maioria dos cães de raças pequenas submetidos à FHO recupera função excelente do membro operado. A fisioterapia pós-operatória acelera a recuperação muscular. Casos diagnosticados e tratados precocemente têm melhor prognóstico.

A doença pode afetar os dois quadris?

Sim, em 15 a 20% dos casos ambos os quadris são afetados, embora frequentemente em momentos diferentes. Por isso a radiografia bilateral da pelve é sempre realizada mesmo quando a claudicação é unilateral, para identificar envolvimento subclínico.

Com que idade aparece a doença de Legg-Perthes?

Tipicamente entre 4 e 12 meses de idade, durante o período de rápido crescimento ósseo. Casos com início mais tardio são menos comuns. A condição raramente se desenvolve em animais adultos sem histórico de doença na juventude.

Devo operar logo após o diagnóstico?

O tempo ideal depende da extensão da lesão radiográfica e da gravidade dos sintomas. Casos com dor intensa e colapso progressivo beneficiam-se de cirurgia mais precoce. O veterinário ortopedista avaliará o melhor momento cirúrgico individualmente.

A fisioterapia é realmente necessária após a cirurgia?

Sim, a fisioterapia veterinária é fundamental para o sucesso cirúrgico. Exercícios específicos, hidroterapia e massagem previnem atrofia muscular por desuso, reduzem a dor pós-operatória e aceleram a recuperação da função normal do membro.

Como prevenir a doença de Legg-Perthes em raças predispostas?

Evitar reprodução de animais afetados e seus descendentes diretos em raças de risco é a principal medida. Não há exame genético comercialmente disponível ainda, mas o histórico familiar deve orientar as decisões reprodutivas dos criadores.

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