O que é criptorquidismo?
Durante o desenvolvimento fetal, os testículos formam-se na região abdominal e migram progressivamente pelo canal inguinal até a bolsa escrotal, processo que deve estar completo até as 8 semanas de vida em cães. O criptorquidismo ocorre quando essa migração falha parcial ou totalmente, mantendo um ou ambos os testículos em posição ectópica — geralmente abdominal ou inguinal.
A condição pode ser unilateral (um testículo retido) ou bilateral (ambos retidos). Na forma unilateral, o testículo escrotal normal mantém a produção de espermatozoides, tornando o animal fértil, embora ainda assim deva ser castrado pelo risco neoplásico e para evitar transmissão genética do defeito.
Causas e tipos
O criptorquidismo tem base genética complexa, com padrão de herança poligênica ou autossômica recessiva dependendo da raça. Fatores hormonais (déficit de LH e FSH no período fetal) e anatômicos (gubérnáculo deficiente) também contribuem. As raças mais predispostas incluem Chihuahua, Yorkshire Terrier, Poodle, Dachshund, Boxer, Shih Tzu e Pomerânia.
- Unilateral: um testículo retido (lado direito é mais afetado)
- Bilateral: ambos os testículos retidos
- Abdominal: testículo dentro da cavidade abdominal
- Inguinal: testículo no canal ou região inguinal
- Pré-escrotal: testículo próximo à bolsa escrotal mas não descendido
Sintomas
O principal sinal é a ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal no exame físico. O criptorquidismo per se não causa dor ou sinais clínicos óbvios na maioria dos casos. A bolsa escrotal pode estar subdesenvolvida no lado afetado. Em alguns animais, o testículo inguinal é palpável como nódulo na região da virilha.
As complicações são o maior risco. A torção do testículo criptorquídico causa dor abdominal aguda, vômito e colapso — emergência cirúrgica. O tumor de células de Sertoli em testículo retido produz estrogênio em excesso, causando feminilização, alopecia simétrica, ginecomastia, atração de outros machos e aplasia de medula óssea com pancitopenia grave.
Diagnóstico
O diagnóstico é estabelecido pelo exame físico — ausência de um ou ambos os testículos na bolsa escrotal após as 8 semanas de vida. Em filhotes muito jovens, pode-se aguardar até os 4 a 6 meses antes de confirmar o diagnóstico definitivo. A ultrassonografia abdominal e inguinal localiza o testículo retido, que aparece como estrutura oval hiperecoica no abdômen ou canal inguinal.
Quando há suspeita de tumor de células de Sertoli, o hemograma revela pancitopenia (queda de todas as células sanguíneas) por aplasia medular induzida pelo excesso de estrogênio. A dosagem hormonal pode confirmar hiperestrogenismo.
Tratamento
O tratamento padrão é a orquiectomia bilateral — remoção cirúrgica de ambos os testículos, independentemente da localização. A castração do testículo escrotal normal junto com o testículo retido é fundamental para prevenir a transmissão genética e eliminar o risco neoplásico residual. A cirurgia é recomendada entre os 6 e 12 meses de idade.
O testículo abdominal exige acesso cirúrgico abdominal (laparotomia ou laparoscopia), enquanto o inguinal geralmente é abordado por pequena incisão inguinal. O prognóstico pós-cirúrgico é excelente na ausência de neoplasia. Quando há tumor de células de Sertoli com aplasia medular, o prognóstico é reservado e pode ser necessária transfusão de sangue.
Prevenção
Por ser uma condição hereditária, a prevenção consiste em não reproduzir animais afetados e seus progenitores. A castração precoce de animais criptorquídicos elimina o risco de transmissão e de complicações futuras. Criadores responsáveis devem realizar rastreamento da condição em seus plantéis e excluir linhagens afetadas da reprodução.