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O que é Reticulose?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Reticulose é um termo histopatológico que descreve a proliferação anormal de células inflamatórias no sistema nervoso central de cães, correspondendo a formas de encefalite inflamatória de origem imunomediada (GME, encefalite necrosante). Raças toy como Pug, Maltês, Yorkshire Terrier e Chihuahua têm marcada predisposição genética. A doença causa déficits neurológicos progressivos, convulsões, cegueira e alterações comportamentais pela infiltração de macrófagos e linfócitos no parênquima encefálico. Nos Pugs, a encefalite necrosante é uma das causas mais frequentes de convulsões refratárias em animais jovens. O diagnóstico presuntivo é feito por ressonância magnética e análise do liquor. O tratamento imunossupressor pode proporcionar controle dos sintomas por meses a anos em casos favoráveis, mas a progressão da doença é regra.

O que é reticulose do SNC em cães?

Reticulose é um termo clássico que engloba formas de meningoencefalomielite inflamatória de causa imunomediada em cães. A terminologia moderna distingue encefalite granulomatosa (GME), encefalite necrosante (Pug, Yorkshire) e meningoencefalomielite necrosante (Maltês), mas clinicamente são condições semelhantes com predisposição racial marcante.

O mecanismo envolve resposta imune aberrante contra antígenos do sistema nervoso central, com infiltração de células inflamatórias que destroem progressivamente o tecido neural. A predisposição racial sugere base genética importante.

Raças predispostas

Pug (encefalite necrosante), Maltês (meningoencefalomielite necrosante), Yorkshire Terrier, Chihuahua, Pequinês e Shih Tzu são as raças com maior risco. A doença é mais frequente em fêmeas jovens a adultas (1 a 8 anos), embora possa ocorrer em qualquer idade.

  • Pug: encefalite necrosante, convulsões refratárias
  • Maltês: meningoencefalomielite necrosante
  • Yorkshire: encefalite necrosante, similar ao Pug
  • Chihuahua e Pequinês: predisposição documentada
  • Todas as raças podem desenvolver GME

Sintomas

As manifestações dependem das áreas encefálicas afetadas. Convulsões focais ou generalizadas são os sinais mais comuns em Pugs. Alterações comportamentais (agressividade, desorientação), déficits visuais, inclinação da cabeça, andar em círculos, paresias e déficits de nervos cranianos são frequentes nas outras formas.

A progressão pode ser aguda (horas a dias) ou crônica (semanas a meses). Crise de status epilepticus (convulsão contínua por mais de 5 minutos) é complicação grave e emergência neurológica.

Diagnóstico

A ressonância magnética do encéfalo é o exame de eleição, mostrando lesões hiperintensas em T2 e captação de contraste. A análise do LCR revela pleocitose mononuclear e hiperproteinorraquia. O diagnóstico definitivo é histopatológico, obtido por biópsia estereotáxica ou necropsia.

Na prática clínica, o diagnóstico presuntivo baseado em raça predisposta, sinais clínicos e achados de RM e LCR é suficiente para iniciar o tratamento, evitando o risco da biópsia cerebral.

Tratamento

A imunossupressão é o tratamento de escolha. Prednisona em doses imunossupressoras é o ponto de partida. Protocolos combinados com citarabina, procarbazina, lomustina ou ciclosporina são utilizados em casos mais graves ou refratários. Anticonvulsivantes como fenobarbital, levetiracetam ou zonisamida controlam as crises.

A resposta ao tratamento varia: alguns cães mantêm boa qualidade de vida por mais de 2 anos; outros progridem rapidamente. A decisão de continuar ou suspender o tratamento deve ser feita em conjunto com o tutor, considerando qualidade de vida e resposta clínica.

Prognóstico

Reservado a longo prazo. A doença é geralmente progressiva, mas a velocidade de progressão é variável. Formas focais e casos com boa resposta inicial ao tratamento têm prognóstico mais favorável. Convulsões refratárias e lesões extensas ao diagnóstico indicam pior prognóstico.

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Perguntas frequentes

O que é reticulose em cão?

É uma forma de encefalite inflamatória imunomediada que afeta o sistema nervoso central. Causa convulsões, déficits neurológicos e alterações comportamentais. Predileta por raças toy como Pug, Maltês e Yorkshire Terrier.

Meu Pug tem convulsões. Pode ser reticulose?

Sim. Pugs têm predisposição genética a encefalite necrosante, forma de reticulose que causa convulsões de difícil controle. Ressonância magnética e análise do liquor são os exames de escolha para investigação em Pugs com epilepsia.

Reticulose tem cura?

Não existe cura, mas o tratamento imunossupressor pode controlar os sintomas por meses a anos em casos favoráveis. O objetivo é manter a qualidade de vida do animal pelo maior tempo possível.

Que exame diagnostica reticulose em cão?

Ressonância magnética do encéfalo e análise do liquor cefalorraquidiano são os principais exames. O diagnóstico definitivo é histopatológico. Na prática, o diagnóstico presuntivo por RM e liquor orienta o tratamento.

Quais remédios são usados para reticulose?

Prednisona imunossupressora é o pilar. Citarabina, lomustina e ciclosporina são adicionados nos casos graves. Anticonvulsivantes (fenobarbital, levetiracetam) controlam as crises epilépticas.

Maltês com cabeça inclinada pode ter reticulose?

Pode ser. Inclinação de cabeça em Maltês jovem ou adulto indica disfunção vestibular central, compatível com meningoencefalomielite necrosante. Leve ao veterinário neurologista para avaliação especializada.

Reticulose é contagiosa?

Não. É doença imunomediada, não infecciosa. Não há risco de transmissão para outros animais ou humanos.

Qual é a sobrevida de um cão com reticulose?

Depende da forma e resposta ao tratamento. Alguns cães vivem mais de 2 anos com bom controle; outros progridem em meses. Formas focais têm melhor prognóstico que as formas difusas ou necrosantes.

Biópsia cerebral é necessária para diagnosticar reticulose?

O diagnóstico definitivo é histopatológico, mas a biópsia cerebral é de alto risco. Na prática, o diagnóstico presuntivo com RM e liquor é suficiente para iniciar o tratamento na maioria dos casos.

O que é análise do liquor?

O liquor (LCR) é o fluido que envolve o cérebro e a medula. A análise detecta inflamação por aumento de células e proteínas. A coleta é feita sob anestesia geral por punção na região occipital ou lombar.

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