O que é reticulose do SNC em cães?
Reticulose é um termo clássico que engloba formas de meningoencefalomielite inflamatória de causa imunomediada em cães. A terminologia moderna distingue encefalite granulomatosa (GME), encefalite necrosante (Pug, Yorkshire) e meningoencefalomielite necrosante (Maltês), mas clinicamente são condições semelhantes com predisposição racial marcante.
O mecanismo envolve resposta imune aberrante contra antígenos do sistema nervoso central, com infiltração de células inflamatórias que destroem progressivamente o tecido neural. A predisposição racial sugere base genética importante.
Raças predispostas
Pug (encefalite necrosante), Maltês (meningoencefalomielite necrosante), Yorkshire Terrier, Chihuahua, Pequinês e Shih Tzu são as raças com maior risco. A doença é mais frequente em fêmeas jovens a adultas (1 a 8 anos), embora possa ocorrer em qualquer idade.
- Pug: encefalite necrosante, convulsões refratárias
- Maltês: meningoencefalomielite necrosante
- Yorkshire: encefalite necrosante, similar ao Pug
- Chihuahua e Pequinês: predisposição documentada
- Todas as raças podem desenvolver GME
Sintomas
As manifestações dependem das áreas encefálicas afetadas. Convulsões focais ou generalizadas são os sinais mais comuns em Pugs. Alterações comportamentais (agressividade, desorientação), déficits visuais, inclinação da cabeça, andar em círculos, paresias e déficits de nervos cranianos são frequentes nas outras formas.
A progressão pode ser aguda (horas a dias) ou crônica (semanas a meses). Crise de status epilepticus (convulsão contínua por mais de 5 minutos) é complicação grave e emergência neurológica.
Diagnóstico
A ressonância magnética do encéfalo é o exame de eleição, mostrando lesões hiperintensas em T2 e captação de contraste. A análise do LCR revela pleocitose mononuclear e hiperproteinorraquia. O diagnóstico definitivo é histopatológico, obtido por biópsia estereotáxica ou necropsia.
Na prática clínica, o diagnóstico presuntivo baseado em raça predisposta, sinais clínicos e achados de RM e LCR é suficiente para iniciar o tratamento, evitando o risco da biópsia cerebral.
Tratamento
A imunossupressão é o tratamento de escolha. Prednisona em doses imunossupressoras é o ponto de partida. Protocolos combinados com citarabina, procarbazina, lomustina ou ciclosporina são utilizados em casos mais graves ou refratários. Anticonvulsivantes como fenobarbital, levetiracetam ou zonisamida controlam as crises.
A resposta ao tratamento varia: alguns cães mantêm boa qualidade de vida por mais de 2 anos; outros progridem rapidamente. A decisão de continuar ou suspender o tratamento deve ser feita em conjunto com o tutor, considerando qualidade de vida e resposta clínica.
Prognóstico
Reservado a longo prazo. A doença é geralmente progressiva, mas a velocidade de progressão é variável. Formas focais e casos com boa resposta inicial ao tratamento têm prognóstico mais favorável. Convulsões refratárias e lesões extensas ao diagnóstico indicam pior prognóstico.