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O que é Retinite?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Retinite é a inflamação da retina, estrutura sensível à luz responsável pela visão. Em cães e gatos, pode ser causada por infecções sistêmicas (toxoplasmose, cinomose, FIV, FeLV, fungos), doenças autoimunes, hipertensão arterial e neoplasias. A progressão sem tratamento leva ao descolamento de retina e cegueira permanente. Os sinais são frequentemente sutis no início: o tutor pode notar que o pet tropeça em objetos no escuro, tem dificuldade de navegar em ambientes pouco iluminados ou que os olhos refletem de forma diferente. Dilatação das pupilas sem resposta à luz (midríase) indica comprometimento grave. O diagnóstico oftalmológico com mapeamento de retina e identificação da causa subjacente são fundamentais para o tratamento dirigido e preservação da visão.

O que é retinite em animais?

Retinite é a inflamação da retina — a fina camada de células fotorreceptoras que reveste a parte interna do globo ocular e é responsável pela captação e processamento das imagens visuais. A inflamação retiniana compromete a função dos fotorreceptores (cones e bastonetes) e pode levar a graus variáveis de comprometimento visual, desde escotomas até cegueira total.

Frequentemente, a retinite ocorre associada a inflamação do corpo ciliar e coroide, sendo chamada de uveíte posterior ou coriorretinite. A identificação da causa é fundamental, pois a retinite é quase sempre manifestação de doença sistêmica subjacente.

Causas

As causas são diversas. Em gatos, toxoplasmose, FIV, FeLV e peritonite infecciosa felina (PIF) são as mais comuns. Em cães, cinomose, erliquiose, brucelose, leishmaniose, cryptococcose e neoplasias sistêmicas são causas frequentes. A hipertensão arterial sistêmica é causa importante em animais idosos de ambas as espécies.

  • Infecciosas: toxoplasmose, cinomose, FIV/FeLV, erliquiose, leishmaniose
  • Fúngicas: Cryptococcus, Aspergillus, Blastomyces
  • Hipertensão arterial sistêmica (causa frequente em idosos)
  • Neoplásicas: linfoma, metástases oculares
  • Autoimune: uveíte pigmentar felina

Sintomas

Os sinais oculares incluem midríase (pupilas dilatadas e não responsivas à luz), olhos com aspecto alterado (manchas, brilho diferente ao reflex tapetal), hipema (sangue na câmara anterior), flare aquoso e descolamento de retina visível ao exame. O animal pode tropeçar, colidir com objetos ou demonstrar hesitação em ambientes escuros.

Sinais sistêmicos como febre, perda de peso, linfadenopatia, polidipsia e poliúria sugerem doença infecciosa ou sistêmica subjacente e orientam a investigação laboratorial.

Diagnóstico

O exame oftalmoscópio (fundoscopia) avalia diretamente a retina, identificando focos de inflamação, exsudatos, hemorragias e descolamento. A tonometria descarta glaucoma associado. A pressão arterial deve ser mensurada rotineiramente em qualquer caso de uveíte, especialmente em animais idosos.

Exames sistêmicos incluem sorologia para toxoplasmose, erliquiose, FIV/FeLV, perfil hematológico e urinálise. Ultrassonografia ocular avalia casos com opacidade dos meios oculares.

Tratamento

O tratamento é dirigido à causa identificada. Toxoplasmose responde a clindamicina; erliquiose a doxiciclina; hipertensão a anti-hipertensivos. Casos autoimunes recebem corticosteroides sistêmicos e tópicos. Anti-inflamatórios oculares (colírios de dexametasona ou prednisolona) são usados localmente quando não há contraindicação infecciosa.

O monitoramento oftalmológico regular é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e detectar complicações como descolamento de retina, glaucoma secundário ou catarata.

Prognóstico

Depende da causa e da velocidade do diagnóstico. Retinite leve detectada e tratada precocemente pode ter resolução com visão preservada. Casos com descolamento de retina estabelecido raramente recuperam a visão. A hipertensão arterial tratada precocemente tem bom prognóstico se o descolamento ainda não ocorreu.

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Perguntas frequentes

Como saber se meu pet está perdendo a visão?

Sinais incluem tropeçar em objetos, hesitar em ambientes escuros, pupilas dilatadas permanentemente, reflexo tapetal diferente e colidir com obstáculos novos. Qualquer mudança no comportamento visual deve ser avaliada por veterinário oftalmologista.

Hipertensão pode cegar meu pet?

Sim. A hipertensão arterial grave causa descolamento hipertensivo de retina, especialmente em gatos idosos. É uma das principais causas de cegueira súbita em felinos acima de 10 anos. O diagnóstico precoce e controle da pressão podem salvar a visão se o descolamento for recente.

Toxoplasmose causa problemas nos olhos do gato?

Sim. A toxoplasmose é uma das causas mais comuns de uveíte e retinite em gatos. Pode causar iridociclite, coriorretinite e, nos casos graves, cegueira. O diagnóstico é feito por sorologia e o tratamento com clindamicina tem boa resposta.

Pupila dilatada do meu cão pode ser retinite?

Midríase bilateral sem resposta à luz pode indicar comprometimento grave da retina ou do nervo óptico. Deve ser avaliada com urgência por veterinário oftalmologista. Causas incluem retinite, atrofia progressiva de retina, descolamento de retina e glaucoma.

Cinomose pode causar problemas nos olhos?

Sim. A cinomose pode causar uveíte, retinite e neurite óptica. Algumas cepas do vírus têm particular neurotropismo, causando lesões oculares como parte do quadro neurológico. A vacinação previne essa sequela grave.

Erliquiose pode cegar meu cão?

Sim. A erliquiose crônica causa uveíte e retinite em uma parcela dos cães afetados. Hifema (sangue no olho) é um sinal característico da erliquiose ocular. O tratamento precoce da infecção pode reverter as lesões oculares leves.

Gato idoso com olhos vermelhos: devo me preocupar?

Sim. Olhos vermelhos em gatos idosos podem indicar uveíte por hipertensão, FIV, FeLV ou linfoma. A avaliação oftalmológica com mensuração da pressão arterial é fundamental. Diagnóstico e tratamento precoces preservam a visão e qualidade de vida.

Retinite tem cura?

Se diagnosticada e tratada antes de ocorrer descolamento de retina ou dano irreversível aos fotorreceptores, pode haver recuperação funcional significativa. Casos com descolamento estabelecido têm prognóstico visual ruim mesmo com tratamento. A velocidade de intervenção é decisiva.

Pet cego tem boa qualidade de vida?

Sim. Cães e gatos cegos se adaptam muito bem ao ambiente doméstico com algumas adaptações: manter os móveis nos mesmos lugares, guiar com voz e olfato, usar coleira com sino. A maioria tem vida plena e feliz mesmo sem visão.

Com que frequência devo levar meu pet idoso ao veterinário oftalmologista?

Cães e gatos acima de 8 a 10 anos devem ter exame oftalmológico anual. Raças predispostas a doenças oculares hereditárias e animais com doenças sistêmicas crônicas (hipertensão, doença renal, diabetes) se beneficiam de avaliação semestral.

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