O que é intoxicação por plantas em pets?
Inúmeras plantas ornamentais e domésticas contêm compostos químicos que, ao serem ingeridos por cães ou gatos, desencadeiam reações tóxicas que variam de irritação leve das mucosas até falência orgânica grave e morte. A curiosidade natural dos filhotes e a disponibilidade dessas plantas nos ambientes domésticos tornam essa uma das intoxicações mais comuns atendidas em clínicas veterinárias.
A toxicidade depende da espécie da planta, da parte ingerida (raiz, folha, flor, semente), da quantidade consumida em relação ao peso do animal e da espécie do pet — gatos são, em geral, mais sensíveis do que cães a muitos compostos vegetais, especialmente os oxalatos de cálcio e os alcaloides.
Causas e tipos
As plantas mais perigosas para pets no Brasil incluem: lírios verdadeiros (gênero Lilium e Hemerocallis) — nefrotóxicos graves em gatos; espirradeira (Nerium oleander) — cardiotóxica para todas as espécies; comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia) — oxalatos que causam inflamação oral intensa; antúrio e filodendro — mesmos oxalatos; azaleia e rododendro — causam distúrbios cardíacos e neurológicos; e amendoeira ornamental com amêndoas — contém glicosídeos cianogênicos.
- Irritantes de mucosa: comigo-ninguém-pode, filodendro, antúrio (oxalatos)
- Nefrotóxicas em gatos: lírios (Lilium, Hemerocallis, Tulipa)
- Cardiotóxicas: espirradeira, dedaleira, convolvulaceae
- Hepatotóxicas: cícuta, papoula-do-campo, certas algas cianobacterianas
- Neurológicas: cannabis, macadâmia (em cães), uvas e passas
Sintomas
Os sinais variam amplamente conforme a planta. Oxalatos insolúveis (comigo-ninguém-pode, antúrio) causam salivação intensa, dor oral, vômitos e dificuldade de deglutição logo após a ingestão. Lírios em gatos produzem vômitos, letargia e, em 24 a 72 horas, insuficiência renal aguda grave.
Plantas cardiotóxicas (espirradeira) causam bradicardia, arritmias, fraqueza e colapso. Plantas neurológicas induzem ataxia, tremores, convulsões ou sedação. Uvas e passas causam insuficiência renal em cães por mecanismo ainda não totalmente elucidado, mesmo em pequenas quantidades.
Diagnóstico
O diagnóstico baseia-se primariamente no histórico de exposição e na identificação da planta. Leve sempre um pedaço da planta ou uma foto ao veterinário para identificação precisa. Exames laboratoriais (hemograma, bioquímica sérica com função renal e hepática, eletrólitos) e eletrocardiograma são indicados para avaliar a extensão do dano orgânico.
Serviços de toxicologia animal como o CEATOX (Centro de Assistência Toxicológica) podem auxiliar na identificação do composto tóxico e no protocolo de tratamento quando a planta não é identificada com certeza.
Tratamento
Se a ingestão ocorreu há menos de 2 horas, a indução de vômito (em cães conscientes e sem convulsões) e o uso de carvão ativado reduzem a absorção do tóxico. Não induza vômito em gatos sem orientação veterinária, em animais com convulsões ou após ingestão de plantas com oxalatos (risco de agravar a lesão oral).
O tratamento específico depende da planta: fluidoterapia intensiva para nefrotóxicos, antiarrítmicos para cardiotóxicos, anticonvulsivantes para plantas neurológicas. Para lírios em gatos, fluidoterapia IV agressiva nas primeiras horas é a única forma de prevenir a insuficiência renal irreversível.
Quando ir ao veterinário
Se você viu ou suspeita que seu pet ingeriu uma planta potencialmente tóxica, procure atendimento veterinário imediatamente, sem esperar pelos sintomas. Leve a planta ou uma foto para identificação. Tempo é o fator mais crítico: para lírios em gatos, o tratamento deve começar dentro de 6 horas da ingestão para ser eficaz.