O que é neurite?
Neurite é a inflamação de um ou mais nervos periféricos, estruturas que transmitem sinais motores do cérebro aos músculos e sinais sensitivos da periferia ao sistema nervoso central. Quando inflamados, esses nervos conduzem impulsos de forma anormal, gerando dor neuropática, formigamento, fraqueza ou paralisia dependendo da fibra nervosa comprometida.
Distingue-se da neuropatia, que engloba qualquer disfunção nervosa, pela presença predominante de processo inflamatório ativo. O diagnóstico e tratamento precoces são determinantes para a recuperação funcional, pois nervos lesionados por inflamação prolongada podem sofrer desmielinização irreversível.
Causas e tipos
As causas incluem infecções virais como o herpesvírus e a cinomose canina que têm tropismo pelo tecido nervoso, bactérias como Borrelia burgdorferi (doença de Lyme), mecanismos autoimunes como a polirradiculoneurite aguda (síndrome de Coonhound), traumas diretos por mordeduras ou acidentes automobilísticos e compressões por hérnias discais.
- Neurite óptica: inflamação do nervo óptico, causa cegueira súbita
- Polirradiculoneurite aguda: forma imunomediada, semelhante à Síndrome de Guillain-Barré
- Neurite por cinomose: complicação da cinomose canina
- Neurite traumática: após mordeduras ou lesões penetrantes
- Neurite por compressão: discopatia intervertebral
Sintomas
Os sinais clínicos dependem do nervo acometido. Dor intensa ao toque ou movimento, hipersensibilidade localizada, fraqueza muscular progressiva, atrofia dos músculos inervados e alterações de reflexos são achados comuns. Neurite óptica causa cegueira súbita, frequentemente bilateral. Polirradiculoneurite causa paraparesia ou tetraparesia flácida de progressão rápida.
O animal pode lamber, morder ou automutlar a região afetada em resposta à dor neuropática. Em casos de paralisia facial por neurite do nervo facial, observa-se assimetria da face, incapacidade de fechar o olho e queda da comissura labial do lado afetado.
Diagnóstico
A eletroneuromiografia (ENMG) avalia a condução nervosa e a atividade muscular, sendo o exame mais específico para neurites e neuropatias. Ressonância magnética pode evidenciar espessamento e realce de nervos inflamados. Análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) pesquisa células inflamatórias e proteínas elevadas em neurites de origem infecciosa ou imunomediada.
Sorologia para doenças infecciosas como cinomose, neosporose e toxoplasmose deve ser solicitada quando a causa infecciosa é suspeita. Biópsia de nervo periférico é reservada para casos em que o diagnóstico permanece inconclusivo após os demais exames.
Tratamento
O tratamento varia conforme a etiologia. Neurites infecciosas requerem antimicrobianos específicos. As imunomediadas respondem a corticosteroides e, em casos refratários, a imunossupressores como azatioprina ou ciclosporina. Fisioterapia veterinária e reabilitação são fundamentais para prevenir atrofia muscular e auxiliar a recuperação funcional durante o período de regeneração nervosa.
Analgésicos específicos para dor neuropática como gabapentina e pregabalina são usados para controlar a dor e melhorar a qualidade de vida. A recuperação é lenta, pois nervos regeneram aproximadamente 1 mm por dia após o controle da inflamação.
Prevenção
Vacinar contra cinomose, prevenir exposição a carrapatos vetores da doença de Lyme, evitar traumas protegendo animais de acidentes de trânsito e queda de alturas, e tratar precocemente hérnias discais antes de causarem compressão nervosa crônica são medidas preventivas relevantes. Detecção e tratamento rápidos de qualquer causa identificável minimizam o risco de dano nervoso permanente.