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O que é Ruptura do ligamento cruzado cranial?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

A ruptura do ligamento cruzado cranial (LCC) é a lesão ortopédica mais comum do joelho em cães, equivalente à ruptura do ligamento cruzado anterior em humanos. O LCC é uma estrutura essencial para a estabilidade do joelho, impedindo o deslizamento da tíbia em relação ao fêmur. Quando rompido, o joelho torna-se instável e extremamente doloroso. Diferente dos humanos, em cães a ruptura raramente é traumática pura — na maioria dos casos resulta de degeneração progressiva do ligamento ao longo do tempo, predisposta por fatores genéticos, anatômicos e inflamatórios. O tratamento é predominantemente cirúrgico e o prognóstico é favorável com a abordagem correta.

O que é a ruptura do ligamento cruzado cranial?

O ligamento cruzado cranial é uma das principais estruturas de suporte do joelho, responsável por impedir que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur durante o movimento. Quando rompido parcial ou totalmente, o joelho perde sua estabilidade, causando dor aguda, inchaço e claudicação. Em cães, é a causa cirúrgica ortopédica mais frequente.

Ao contrário do que ocorre em humanos, onde a lesão é geralmente aguda (entorse durante atividade física), nos cães o processo costuma ser crônico: o ligamento sofre degeneração progressiva por meses ou anos até a ruptura completa. Isso explica por que a lesão é tão comum em cães de meia-idade e por que tantos cães sofrem ruptura bilateral ao longo da vida.

Causas e tipos

A principal causa em cães é a degeneração ligamentar, favorecida por fatores genéticos (raças como Labrador, Rottweiler, Mastiff e Staffordshire Terrier têm alta prevalência), obesidade, conformação do joelho com angulação excessiva da plataforma tibial e inflamação articular crônica. A ruptura traumática pode ocorrer em qualquer raça por torções ou quedas.

  • Ruptura parcial: apenas algumas fibras rompidas, claudicação leve intermitente
  • Ruptura completa: instabilidade total do joelho, claudicação grave
  • Lesão concomitante do menisco: ocorre em até 50% dos casos e piora o prognóstico
  • Bilateral: o joelho contralateral rompe em 30 a 50% dos casos dentro de 2 anos

Sintomas

O sinal mais característico é a claudicação súbita de um membro traseiro, que pode ser intensa logo após a ruptura ou instalar-se progressivamente nas rupturas parciais. O animal evita apoiar o membro, senta de lado e apresenta dificuldade para levantar. O joelho pode estar visivelmente inchado e quente ao toque.

Na ruptura crônica não tratada, desenvolve-se artrose progressiva com espessamento da cápsula articular — sinal chamado de "engrossamento medial do joelho". A dor piora com a evolução da artrose, mesmo nos períodos de aparente melhora clínica. O sinal de gaveta positivo ao exame ortopédico é patognomônico da ruptura.

Diagnóstico

O diagnóstico é realizado pela combinação do histórico clínico, exame ortopédico (sinal de gaveta cranial e teste de compressão tibial) e radiografia. O raio-X não visualiza o ligamento diretamente, mas evidencia derrame articular, artrose e alterações da plataforma tibial. A artroscopia ou a ressonância magnética confirmam a extensão da lesão e avaliam os meniscos.

A avaliação da angulação da plataforma tibial (TPLO angle) é essencial para o planejamento cirúrgico, pois define qual técnica cirúrgica é mais adequada para cada cão.

Tratamento

O tratamento cirúrgico é o padrão ouro para cães acima de 10 kg. As técnicas mais utilizadas são a TPLO (Tibial Plateau Leveling Osteotomy) e a TTA (Tibial Tuberosity Advancement), que modificam a geometria do joelho para neutralizar as forças instabilizadoras sem necessidade de substituir o ligamento. Em cães pequenos, técnicas extracapsulares como o FLO também são empregadas.

O tratamento conservador (repouso, anti-inflamatórios, fisioterapia) pode ser considerado em cães muito pequenos ou com contraindicações cirúrgicas, mas resulta em artrose progressiva. O pós-operatório inclui restrição por 8 a 12 semanas e fisioterapia intensiva para recuperação funcional completa.

Prevenção

Manter o peso ideal, evitar atividades de alto impacto em pisos escorregadios e realizar aquecimento gradual antes de exercícios intensos reduzem o risco. Em raças predispostas, exames ortopédicos periódicos permitem identificar sinais precoces de degeneração ligamentar antes da ruptura completa, ampliando as opções de tratamento preventivo.

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Perguntas frequentes

Como saber se meu cachorro rompeu o ligamento cruzado?

O sinal mais comum é claudicação súbita do membro traseiro, com o animal evitando apoiar a pata no chão. O joelho pode estar inchado e quente. O veterinário realiza o 'teste de gaveta' no exame ortopédico: se a tíbia desliza em relação ao fêmur, o diagnóstico é confirmado.

A cirurgia TPLO é mesmo necessária?

Para cães acima de 10 kg com ruptura completa, a cirurgia é fortemente recomendada. Sem ela, a artrose progride rapidamente e a dor se torna crônica e incapacitante. A TPLO tem excelentes resultados, com mais de 85 a 90% dos cães retornando a atividades normais após a recuperação.

Meu cachorro pode romper o outro joelho também?

Sim. Estudos mostram que 30 a 50% dos cães que sofrem ruptura em um joelho desenvolvem a mesma lesão no joelho contralateral dentro de 1 a 2 anos. Isso ocorre porque a sobrecarga compensatória no membro saudável acelera a degeneração já existente no outro ligamento.

Quanto tempo dura a recuperação após a cirurgia?

O retorno completo às atividades normais leva de 3 a 6 meses. As primeiras 8 semanas exigem restrição rigorosa de movimento. A fisioterapia acelera a recuperação muscular e articular. Exercícios de impacto só são liberados após avaliação radiográfica confirmando a cura óssea.

Qual a diferença entre TPLO e TTA?

Ambas as técnicas modificam a biomecânica do joelho para eliminar a instabilidade sem substituir o ligamento. A TPLO nivelar a plataforma tibial rotacionando um segmento ósseo; a TTA avança a tuberosidade tibial para neutralizar as forças de cisalhamento. O cirurgião escolhe com base na anatomia individual de cada cão.

Meu cão pequeno também pode ter ruptura de ligamento cruzado?

Sim, embora seja mais comum em raças grandes. Em cães pequenos com menos de 10 kg, técnicas extracapsulares como a sutura fabelo-tibial (FLO) são frequentemente utilizadas com bons resultados, sendo menos invasivas que a TPLO, que é mais indicada para cães maiores e pesados.

O que é lesão meniscal associada?

Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas que amortecem o joelho. Na ruptura do ligamento cruzado, a instabilidade articular pode causar lesão do menisco medial em até 50% dos casos. A lesão meniscal aumenta a dor e piora o prognóstico. Por isso, durante a cirurgia, o cirurgião inspeciona e trata os meniscos.

Fisioterapia realmente ajuda na recuperação?

Sim, de forma significativa. A fisioterapia previne atrofia muscular, melhora a propriocepção (equilíbrio), reduz a dor pós-operatória e acelera o retorno funcional. Técnicas como hidroterapia na esteira aquática, laserterapia e exercícios passivos e ativos são amplamente utilizados na reabilitação ortopédica.

Obesidade aumenta o risco de ruptura de ligamento cruzado?

Sim, consideravelmente. O excesso de peso sobrecarrega as articulações e acelera a degeneração do ligamento. Cães obesos têm risco significativamente maior de ruptura e pior prognóstico cirúrgico. A perda de peso antes da cirurgia, quando possível, melhora os resultados e reduz complicações.

Quais raças têm maior predisposição à ruptura do ligamento cruzado?

Labrador Retriever, Rottweiler, Staffordshire Bull Terrier, Mastiff, Newfoundland e Neapolitan Mastiff lideram as estatísticas. A predisposição genética está associada à conformação do joelho e às características do tecido ligamentar dessas raças. Cães dessas raças devem ter acompanhamento ortopédico preventivo.

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