O que é a ruptura do ligamento cruzado cranial?
O ligamento cruzado cranial é uma das principais estruturas de suporte do joelho, responsável por impedir que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur durante o movimento. Quando rompido parcial ou totalmente, o joelho perde sua estabilidade, causando dor aguda, inchaço e claudicação. Em cães, é a causa cirúrgica ortopédica mais frequente.
Ao contrário do que ocorre em humanos, onde a lesão é geralmente aguda (entorse durante atividade física), nos cães o processo costuma ser crônico: o ligamento sofre degeneração progressiva por meses ou anos até a ruptura completa. Isso explica por que a lesão é tão comum em cães de meia-idade e por que tantos cães sofrem ruptura bilateral ao longo da vida.
Causas e tipos
A principal causa em cães é a degeneração ligamentar, favorecida por fatores genéticos (raças como Labrador, Rottweiler, Mastiff e Staffordshire Terrier têm alta prevalência), obesidade, conformação do joelho com angulação excessiva da plataforma tibial e inflamação articular crônica. A ruptura traumática pode ocorrer em qualquer raça por torções ou quedas.
- Ruptura parcial: apenas algumas fibras rompidas, claudicação leve intermitente
- Ruptura completa: instabilidade total do joelho, claudicação grave
- Lesão concomitante do menisco: ocorre em até 50% dos casos e piora o prognóstico
- Bilateral: o joelho contralateral rompe em 30 a 50% dos casos dentro de 2 anos
Sintomas
O sinal mais característico é a claudicação súbita de um membro traseiro, que pode ser intensa logo após a ruptura ou instalar-se progressivamente nas rupturas parciais. O animal evita apoiar o membro, senta de lado e apresenta dificuldade para levantar. O joelho pode estar visivelmente inchado e quente ao toque.
Na ruptura crônica não tratada, desenvolve-se artrose progressiva com espessamento da cápsula articular — sinal chamado de "engrossamento medial do joelho". A dor piora com a evolução da artrose, mesmo nos períodos de aparente melhora clínica. O sinal de gaveta positivo ao exame ortopédico é patognomônico da ruptura.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado pela combinação do histórico clínico, exame ortopédico (sinal de gaveta cranial e teste de compressão tibial) e radiografia. O raio-X não visualiza o ligamento diretamente, mas evidencia derrame articular, artrose e alterações da plataforma tibial. A artroscopia ou a ressonância magnética confirmam a extensão da lesão e avaliam os meniscos.
A avaliação da angulação da plataforma tibial (TPLO angle) é essencial para o planejamento cirúrgico, pois define qual técnica cirúrgica é mais adequada para cada cão.
Tratamento
O tratamento cirúrgico é o padrão ouro para cães acima de 10 kg. As técnicas mais utilizadas são a TPLO (Tibial Plateau Leveling Osteotomy) e a TTA (Tibial Tuberosity Advancement), que modificam a geometria do joelho para neutralizar as forças instabilizadoras sem necessidade de substituir o ligamento. Em cães pequenos, técnicas extracapsulares como o FLO também são empregadas.
O tratamento conservador (repouso, anti-inflamatórios, fisioterapia) pode ser considerado em cães muito pequenos ou com contraindicações cirúrgicas, mas resulta em artrose progressiva. O pós-operatório inclui restrição por 8 a 12 semanas e fisioterapia intensiva para recuperação funcional completa.
Prevenção
Manter o peso ideal, evitar atividades de alto impacto em pisos escorregadios e realizar aquecimento gradual antes de exercícios intensos reduzem o risco. Em raças predispostas, exames ortopédicos periódicos permitem identificar sinais precoces de degeneração ligamentar antes da ruptura completa, ampliando as opções de tratamento preventivo.