O que é rabdomiossarcoma?
Rabdomiossarcoma (RMS) é um tumor maligno que se origina a partir de células precursoras do músculo esquelético, as células de Schwann musculares. É classificado histologicamente em embrionário, alveolar e pleomórfico, com comportamentos biológicos distintos.
Em medicina veterinária, é um dos tumores mais desafiadores pelo diagnóstico tardio, crescimento rápido e alta propensão a metástases. Acomete principalmente animais jovens (menores de 3 anos) e de médio a grande porte.
Localização e apresentação clínica
O tumor pode surgir em qualquer região com musculatura esquelética. As localizações mais comuns em cães incluem cabeça e pescoço (laringe, cavidade oral), extremidades, tronco e bexiga (forma botrioides). Em gatos, é especialmente raro.
- Cabeça e pescoço: disfagia, massa palpável, dispneia
- Extremidades: massa de crescimento rápido, claudicação
- Bexiga (botrioides): hematúria, disúria, massa palpável
- Tronco: massa subcutânea de crescimento progressivo
Sintomas
Os sinais dependem da localização. Massas de crescimento rápido e firmes são o achado mais comum. Na forma laríngea, pode causar dispneia, disfonia e disfagia. Na forma de bexiga, hematúria e dificuldade de urinar. Metástases pulmonares causam tosse e dispneia. Perda de peso e anorexia são sinais sistêmicos frequentes em casos avançados.
A invasão local é intensa, destruindo tecidos adjacentes incluindo osso. Linfonodos regionais e pulmões são os sítios de metástase mais comuns.
Diagnóstico
A biópsia com análise histopatológica e imuno-histoquímica é imprescindível para o diagnóstico definitivo. Marcadores como desmina, miogenina e MyoD1 confirmam a origem muscular. A tomografia computadorizada avalia extensão local e pesquisa de metástases.
A citologia pode ser orientativa mas raramente é conclusiva. O estadiamento completo com tomografia de tórax e abdômen e aspirado de linfonodos é fundamental para planejamento terapêutico.
Tratamento e prognóstico
A ressecção cirúrgica ampla é o pilar do tratamento. Margens limpas são essenciais para reduzir a recidiva, mas muitas vezes difíceis de obter pela infiltração tumoral. A quimioterapia adjuvante com vincristina, actinomicina-D e ciclofosfamida (protocolo VAC) é recomendada. Radioterapia pode ser adicionada para controle local.
O prognóstico é reservado: a maioria dos animais morre de doença metastática em meses, mesmo com tratamento agressivo. Tumores localizados ressecados com margens limpas têm melhor prognóstico. O acompanhamento oncológico especializado é indispensável.