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O que é Mastocitoma?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Mastocitoma é o tumor de mastócitos, um dos tipos de células do sistema imune presentes na pele e tecidos conjuntivos. É o tumor cutâneo maligno mais comum em cães, respondendo por 16 a 21% de todos os tumores de pele nessa espécie. Em gatos, é o segundo tumor cutâneo mais frequente. A apresentação é variada: pode parecer um cisto inocente, um nódulo firme ou uma massa ulcerada. A liberação de histamina pelos mastócitos tumorais causa sinais sistêmicos como urticária, ulceração gastrointestinal e hipotensão. O grau histológico do tumor é o principal determinante do prognóstico e do tratamento.

O que é mastocitoma?

Mastocitoma é a neoplasia originada dos mastócitos — células granulares do sistema imune envolvidas em reações alérgicas, inflamação e defesa contra parasitas. Os mastócitos contêm grânulos ricos em histamina, heparina e outras substâncias vasoativas que, liberadas em grande quantidade pelo tumor, podem causar efeitos sistêmicos graves.

Em cães, o mastocitoma é o tumor cutâneo maligno mais frequente e pode ocorrer em qualquer localização da pele, mas também em órgãos internos (mastocitoma visceral). Raças braquicefálicas como Buldogue, Boxer e Boston Terrier têm maior predisposição genética. Em gatos, os mastocitomas cutâneos têm comportamento geralmente mais benigno do que nos cães.

Causas e tipos

A causa exata não é completamente conhecida, mas mutações no gene c-KIT, que codifica um receptor de fator de crescimento, estão presentes em 15 a 40% dos mastocitomas caninos e têm implicação terapêutica direta, pois esses tumores respondem a inibidores de tirosina-quinase (toceranibe, masitinibe).

  • Grau I (bem diferenciado): comportamento benigno, excelente prognóstico com cirurgia
  • Grau II (moderadamente diferenciado): comportamento variável, prognóstico dependente das margens cirúrgicas e outros fatores
  • Grau III (pouco diferenciado): altamente agressivo, metástase precoce, prognóstico reservado
  • Mastocitoma felino cutâneo: geralmente benigno na forma solitária
  • Mastocitoma esplênico/visceral felino: forma sistêmica agressiva nos gatos

Sintomas

O mastocitoma pode se apresentar de formas muito variadas — daí ser chamado de "o grande imitador". Pode parecer um lipoma (nódulo mole e móvel), um cisto de inclusão, uma lesão alérgica ou uma verruga. O sinal de Darier é característico: ao manipular o tumor, os mastócitos liberam histamina causando eritema e urticária local que dura minutos.

Sinais sistêmicos decorrem da liberação de histamina e heparina: vômito, diarreia com sangue, ulceração gástrica ou duodenal, hipotensão e, nos casos extremos, anafilaxia. Mastocitomas em mucosas ou áreas de alta pressão (cotovelo, virilha) tendem a ser mais agressivos do que os em locais de baixo estiramento.

Diagnóstico

A citologia por punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é o método diagnóstico inicial: os mastócitos são facilmente identificados pelos grânulos citoplasmáticos que coram intensamente com Giemsa ou Wright. No entanto, o grau histológico — fundamental para o prognóstico — só é determinado pela histopatologia da peça cirúrgica completa.

O estadiamento inclui avaliação do linfonodo sentinela (citologia), ultrassonografia abdominal para buscar metástases esplênicas e hepáticas, e radiografia de tórax. Mutação do c-KIT pode ser pesquisada na peça cirúrgica para orientar terapia alvo. Hemograma e buffy coat (pesquisa de mastócitos circulantes) complementam o estadiamento sistêmico.

Tratamento

A cirurgia com margens amplas é o tratamento de eleição. Para mastocitomas cutâneos, recomenda-se margem lateral de 2 a 3 cm e uma fáscia muscular em profundidade, quando anatomicamente possível. Pré-medicação com anti-histamínicos (difenidramina) e bloqueadores H2 (famotidina) antes da cirurgia reduz o risco de reações anafiláticas pela manipulação do tumor.

Para tumores grau III, recidivantes ou com margens comprometidas, radioterapia e quimioterapia (vimblastina, lomustina) são indicadas como adjuvantes. Inibidores de tirosina-quinase (toceranibe/Palladia® e masitinibe) são opções para tumores com mutação c-KIT, com resposta documentada em estudos clínicos. Omeprazol e sucralfato protegem o trato gastrointestinal da ação da histamina.

Prevenção

Não há prevenção específica para mastocitoma. O exame físico regular pelo veterinário e a inspeção domiciliar frequente da pele do animal permitem a detecção precoce. Todo nódulo cutâneo novo em cão deve ser avaliado por veterinário — nunca assuma que é benigno sem exame citológico, especialmente em raças predispostas. A detecção e remoção cirúrgica precoce, quando em grau baixo, é curativa.

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Perguntas frequentes

Todo nódulo na pele do meu cão pode ser mastocitoma?

Não necessariamente, mas qualquer nódulo novo deve ser avaliado por veterinário e submetido a citologia por agulha fina. O mastocitoma é o tumor cutâneo maligno mais comum em cães e pode se parecer com lesões benignas.

O que é o sinal de Darier no mastocitoma?

É a reação local observada ao manipular o tumor: o eritema e a urticária transitórios causados pela liberação de histamina pelos mastócitos. É sugestivo, mas não específico de mastocitoma.

Grau II de mastocitoma é grave?

O grau II tem comportamento variável. Com margens cirúrgicas limpas e ausência de fatores de alto risco (alto índice mitótico, localização desfavorável), o prognóstico é bom. Com fatores de risco presentes, o comportamento se aproxima do grau III.

Meu cão precisa de quimioterapia após a remoção do mastocitoma?

Depende do grau e das margens. Grau I com margens limpas geralmente não necessita de tratamento adicional. Grau III, recidivas ou margens comprometidas são indicações para quimioterapia adjuvante.

O que é o Palladia e quando é indicado?

Palladia (toceranibe) é um inibidor de tirosina-quinase aprovado para mastocitoma canino com mutação c-KIT. É indicado em tumores irressecáveis, recidivantes ou metastáticos com essa mutação documentada.

Mastocitoma em gato é diferente do de cão?

Sim. Em gatos, os mastocitomas cutâneos solitários são frequentemente benignos e curáveis com excisão. A forma visceral (esplênica) é a mais grave e comum em felinos idosos, manifestando-se com vômito crônico e perda de peso.

Mastocitoma pode virar alergia?

O sinal de Darier pode mimetizar reação alérgica. Além disso, a histamina liberada pelo tumor causa efeitos sistêmicos semelhantes a alergias, incluindo urticária e vômito. O diagnóstico diferencial com alergia é importante.

Com que frequência devo examinar meu cão após a cirurgia de mastocitoma?

O protocolo padrão inclui avaliação a cada 1 a 3 meses no primeiro ano, depois a cada 6 meses. Inclui exame físico completo, palpação de linfonodos e ultrassonografia abdominal periódica, dependendo do grau.

Mastocitoma dói?

Depende da localização e do tamanho. Tumores em áreas de pressão ou ulcerados causam desconforto. A liberação de histamina pode provocar prurido intenso no local. Dor sistêmica é mais associada a ulceração gastrointestinal.

A ulceração de estômago causada por mastocitoma tem tratamento?

Sim. Bloqueadores H2 como famotidina, inibidores de bomba de prótons como omeprazol e protetores de mucosa como sucralfato são usados preventivamente e terapeuticamente. A remoção do tumor é o tratamento definitivo da causa.

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