O que é mastocitoma?
Mastocitoma é a neoplasia originada dos mastócitos — células granulares do sistema imune envolvidas em reações alérgicas, inflamação e defesa contra parasitas. Os mastócitos contêm grânulos ricos em histamina, heparina e outras substâncias vasoativas que, liberadas em grande quantidade pelo tumor, podem causar efeitos sistêmicos graves.
Em cães, o mastocitoma é o tumor cutâneo maligno mais frequente e pode ocorrer em qualquer localização da pele, mas também em órgãos internos (mastocitoma visceral). Raças braquicefálicas como Buldogue, Boxer e Boston Terrier têm maior predisposição genética. Em gatos, os mastocitomas cutâneos têm comportamento geralmente mais benigno do que nos cães.
Causas e tipos
A causa exata não é completamente conhecida, mas mutações no gene c-KIT, que codifica um receptor de fator de crescimento, estão presentes em 15 a 40% dos mastocitomas caninos e têm implicação terapêutica direta, pois esses tumores respondem a inibidores de tirosina-quinase (toceranibe, masitinibe).
- Grau I (bem diferenciado): comportamento benigno, excelente prognóstico com cirurgia
- Grau II (moderadamente diferenciado): comportamento variável, prognóstico dependente das margens cirúrgicas e outros fatores
- Grau III (pouco diferenciado): altamente agressivo, metástase precoce, prognóstico reservado
- Mastocitoma felino cutâneo: geralmente benigno na forma solitária
- Mastocitoma esplênico/visceral felino: forma sistêmica agressiva nos gatos
Sintomas
O mastocitoma pode se apresentar de formas muito variadas — daí ser chamado de "o grande imitador". Pode parecer um lipoma (nódulo mole e móvel), um cisto de inclusão, uma lesão alérgica ou uma verruga. O sinal de Darier é característico: ao manipular o tumor, os mastócitos liberam histamina causando eritema e urticária local que dura minutos.
Sinais sistêmicos decorrem da liberação de histamina e heparina: vômito, diarreia com sangue, ulceração gástrica ou duodenal, hipotensão e, nos casos extremos, anafilaxia. Mastocitomas em mucosas ou áreas de alta pressão (cotovelo, virilha) tendem a ser mais agressivos do que os em locais de baixo estiramento.
Diagnóstico
A citologia por punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é o método diagnóstico inicial: os mastócitos são facilmente identificados pelos grânulos citoplasmáticos que coram intensamente com Giemsa ou Wright. No entanto, o grau histológico — fundamental para o prognóstico — só é determinado pela histopatologia da peça cirúrgica completa.
O estadiamento inclui avaliação do linfonodo sentinela (citologia), ultrassonografia abdominal para buscar metástases esplênicas e hepáticas, e radiografia de tórax. Mutação do c-KIT pode ser pesquisada na peça cirúrgica para orientar terapia alvo. Hemograma e buffy coat (pesquisa de mastócitos circulantes) complementam o estadiamento sistêmico.
Tratamento
A cirurgia com margens amplas é o tratamento de eleição. Para mastocitomas cutâneos, recomenda-se margem lateral de 2 a 3 cm e uma fáscia muscular em profundidade, quando anatomicamente possível. Pré-medicação com anti-histamínicos (difenidramina) e bloqueadores H2 (famotidina) antes da cirurgia reduz o risco de reações anafiláticas pela manipulação do tumor.
Para tumores grau III, recidivantes ou com margens comprometidas, radioterapia e quimioterapia (vimblastina, lomustina) são indicadas como adjuvantes. Inibidores de tirosina-quinase (toceranibe/Palladia® e masitinibe) são opções para tumores com mutação c-KIT, com resposta documentada em estudos clínicos. Omeprazol e sucralfato protegem o trato gastrointestinal da ação da histamina.
Prevenção
Não há prevenção específica para mastocitoma. O exame físico regular pelo veterinário e a inspeção domiciliar frequente da pele do animal permitem a detecção precoce. Todo nódulo cutâneo novo em cão deve ser avaliado por veterinário — nunca assuma que é benigno sem exame citológico, especialmente em raças predispostas. A detecção e remoção cirúrgica precoce, quando em grau baixo, é curativa.