O que é melanoma?
Melanoma é o tumor originado dos melanócitos — células que produzem melanina, o pigmento responsável pela cor da pele, pelo e mucosas. Em cães, a cavidade oral é o local mais afetado, respondendo por cerca de 30 a 40% dos tumores bucais. O tumor se apresenta como massa escura ou despigmentada na gengiva, palato ou lábio, frequentemente sangrante e de crescimento rápido.
Nos gatos, os melanomas são incomuns mas tendem a ser malignos quando ocorrem. Podem surgir nos olhos (melanoma uveal), pele e mucosas. Em cães, melanomas de pele (principalmente em regiões pilosas) costumam ter comportamento mais benigno do que os orais, embora sempre mereçam avaliação histopatológica para confirmação.
Causas e tipos
A causa exata é multifatorial. Em seres humanos, a exposição solar é determinante, mas em animais os melanomas orais e digitais ocorrem em regiões não expostas ao sol, sugerindo predisposição genética. Raças como Cocker Spaniel, Labrador, Golden Retriever e Schnauzer têm maior incidência.
- Melanoma oral: o mais comum e agressivo em cães, com metástase em 70 a 80% dos casos
- Melanoma digital: na base das unhas, frequentemente causa perda do dígito afetado
- Melanoma cutâneo: em pele pilosa, pode ser benigno (melanocitoma) ou maligno
- Melanoma uveal: no olho, mais frequente em gatos
Sintomas
Melanomas orais manifestam-se como massas escuras, avermelhadas ou sem pigmento na boca, geralmente acompanhadas de mau hálito, salivação excessiva, dificuldade para mastigar, sangramento e, nos estágios avançados, assimetria facial por invasão óssea. O animal pode perder apetite e peso progressivamente.
O melanoma digital causa inchaço do dígito, claudicação, perda da unha e pode ulcerar. Na pele, apresenta-se como nódulo escuro de crescimento rápido. Melanomas oculares em gatos provocam alteração de cor da íris, glaucoma secundário e, se não tratados, podem metastatizar.
Diagnóstico
A suspeita é clínica, mas o diagnóstico definitivo exige histopatologia. A biópsia incisional ou excisional da lesão é enviada para análise histológica e imunohistoquímica, que determina o índice mitótico — um dos principais fatores prognósticos. Citologia por punção aspirativa por agulha fina pode orientar a conduta inicial.
Para estadiamento, são realizados radiografias do tórax (três projeções) para detecção de metástase pulmonar, ultrassonografia abdominal e avaliação dos linfonodos regionais. Radiografias da cavidade oral avaliam invasão óssea, e a tomografia computadorizada oferece informações mais detalhadas para planejamento cirúrgico.
Tratamento
A cirurgia com margens amplas é o tratamento de escolha. Para melanomas orais, pode ser necessária a remoção de parte da mandíbula ou maxila (mandibulectomia ou maxilectomia), procedimentos que, apesar de radicais, apresentam boa recuperação funcional e qualidade de vida satisfatória em cães. Para melanomas digitais, a amputação do dígito é o procedimento padrão.
A vacina DNA antimelanoma (Oncept®) foi aprovada nos EUA para cães e demonstrou prolongar a sobrevida em casos de melanoma oral estadio II e III. A radioterapia é uma alternativa para tumores irressecáveis, e a quimioterapia pode ser utilizada como adjuvante, embora com resposta variável.
Prevenção
Não há prevenção específica conhecida para melanoma em pets. A detecção precoce é a melhor estratégia: examine regularmente a boca do seu animal, observe qualquer nódulo novo na pele ou mudança de coloração ocular e leve ao veterinário ao menor sinal suspeito. Consultas anuais com exame físico completo aumentam as chances de diagnóstico em estágios iniciais.