Emergências:·(49) 99975-0489·R. Borges de Medeiros, E, 303-E - Maria Goretti, Chapecó - SC
Doença⏱ 4 min de leitura👁 316 visualizações

O que é Refluxo gastroesofágico?

Publicado em 01 de janeiro de 2025

Refluxo gastroesofágico é o retorno involuntário do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, causando irritação e inflamação da mucosa esofágica (esofagite). Em cães e gatos, ocorre com maior frequência associado à anestesia geral, mas também pode ser crônico em animais com hiato esofágico, obesidade ou distúrbios de motilidade gastrointestinal. A esofagite por refluxo causa dor ao engolir, regurgitação, salivação excessiva e, nos casos mais graves, ulceração e estreitamento do esôfago (estenose esofágica). O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações permanentes que comprometam a deglutição do animal.

O que é refluxo gastroesofágico?

O refluxo gastroesofágico ocorre quando o esfíncter esofágico inferior (a válvula entre o esôfago e o estômago) falha em permanecer fechado, permitindo que o ácido gástrico e enzimas digestivas reflúam para o esôfago. A mucosa esofágica, diferentemente da gástrica, não está preparada para suportar o pH ácido, sendo rapidamente lesionada — condição chamada de esofagite por refluxo.

Em medicina veterinária, uma das causas mais importantes de refluxo é a anestesia geral, que relaxa o esfíncter esofágico inferior e coloca o animal em posição horizontal por período prolongado. Por isso, o jejum pré-operatório adequado é essencial para reduzir o volume gástrico disponível para refluxo durante os procedimentos cirúrgicos.

Causas e tipos

As causas são variadas e podem ser divididas em agudas e crônicas. A forma aguda mais comum é o refluxo peri-anestésico. A forma crônica está associada a deformidades anatômicas como hérnia hiatal, disfunção do esfíncter esofágico inferior, gastroparesia (esvaziamento gástrico lento) e uso prolongado de certos medicamentos como corticosteroides e anti-inflamatórios.

  • Refluxo peri-anestésico: durante ou após procedimentos sob anestesia
  • Hérnia hiatal: parte do estômago hernia pelo diafragma para o tórax
  • Gastroparesia: esvaziamento gástrico retardado com acúmulo de conteúdo
  • Iatrogênico: induzido por medicamentos que relaxam o esfíncter

Sintomas

Os sinais de esofagite por refluxo incluem regurgitação (expulsão passiva de alimento sem esforço, diferente do vômito), salivação excessiva, dificuldade ou dor ao engolir (disfagia), recusa de alimentação, perda de peso e, às vezes, eructações frequentes. O animal pode apresentar desconforto após as refeições, curvando o pescoço para baixo ou lambendo os lábios repetidamente.

Nos casos graves, a esofagite evolui para úlceras e fibrose com formação de estenose — estreitamento cicatricial do esôfago. A estenose esofágica causa regurgitação progressivamente pior, com incapacidade de engolir alimentos sólidos, e exige dilatação endoscópica periódica.

Diagnóstico

O diagnóstico é baseado no histórico clínico (especialmente cirurgias recentes) e nos sinais de disfagia e regurgitação. A endoscopia digestiva alta é o exame de escolha, permitindo visualização direta da mucosa esofágica, graduação da esofagite e coleta de biópsias. A radiografia contrastada (esofagograma) e a fluoroscopia avaliam a motilidade e identificam hérnias hiatais.

É fundamental diferenciar regurgitação (esofágica) de vômito (gástrico), pois o manejo é completamente diferente. Na regurgitação, o conteúdo sai passivamente, sem contrações abdominais, geralmente logo após a ingestão.

Tratamento

O tratamento inclui modificação da dieta (refeições pequenas e frequentes, alimento úmido ou papas), elevação do comedouro e uso de medicamentos que reduzem a acidez gástrica (inibidores de bomba de prótons como omeprazol) e que aumentam a motilidade esofagogástrica (procinéticos como metoclopramida ou cisaprida). Nos casos graves com ulceração, sucralfato cria barreira protetora na mucosa lesionada.

A estenose esofágica estabelecida requer dilatação endoscópica por balão, geralmente repetida em intervalos de semanas até a manutenção do calibre adequado. Hérnias hiatais sintomáticas podem necessitar de correção cirúrgica.

Prevenção

O jejum pré-operatório correto é a principal medida preventiva do refluxo anestésico. Em animais com histórico de refluxo, o anestesista pode administrar profilaticamente inibidores de bomba de prótons antes da indução. Manter o peso ideal e evitar refeições volumosas seguidas de atividade física intensa também reduz o risco de refluxo crônico.

#refluxo#esofagite#regurgitação#esôfago#gastroenterologia#anestesia

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre vômito e regurgitação no meu pet?

Vômito é um ato ativo com contrações abdominais visíveis, geralmente precedido de náusea (salivação, inquietação). Regurgitação é passiva: o alimento sai sem esforço, frequentemente pouco após a ingestão, sem contração abdominal. Essa distinção é fundamental pois indica origem gástrica (vômito) ou esofágica (regurgitação).

Meu pet regurgitou depois da cirurgia. É refluxo?

Possivelmente sim. O refluxo peri-anestésico é comum e pode causar esofagite. Se o animal apresentar dificuldade para engolir, salivação excessiva ou recusa alimentar nos dias após a cirurgia, informe o veterinário imediatamente, pois o tratamento precoce previne a progressão para estenose esofágica.

Refluxo gastroesofágico cura sozinho?

Casos leves podem resolver com modificação da dieta e medicação por algumas semanas. Contudo, sem tratamento, o refluxo crônico causa lesão progressiva do esôfago com risco de estenose permanente. O acompanhamento veterinário é essencial para garantir a resolução completa e prevenir recidivas.

O que é estenose esofágica e como tratar?

Estenose esofágica é o estreitamento cicatricial do esôfago causado por inflamação crônica ou úlceras por refluxo. O animal progressivamente não consegue engolir alimentos sólidos. O tratamento é a dilatação endoscópica por balão, geralmente repetida diversas vezes até estabilização. Casos graves podem exigir cirurgia.

Que alimentos ajudam no refluxo do meu pet?

Alimentos de fácil digestão, pouco gordurosos e em consistência pastosa ou úmida são preferidos. Refeições menores e mais frequentes (3 a 4 vezes ao dia) reduzem o volume gástrico. Elevar o comedouro para que o animal coma em posição mais ereta ajuda o alimento a descer pelo esôfago por gravidade.

O omeprazol é seguro para cães e gatos com refluxo?

Sim, o omeprazol é amplamente utilizado em medicina veterinária para tratar refluxo e esofagite. A dose e a duração do tratamento são definidas pelo veterinário. Nunca administre medicamentos humanos sem orientação, pois as dosagens variam e alguns produtos contêm substâncias tóxicas para animais.

Hérnia hiatal causa refluxo em cães?

Sim. A hérnia hiatal ocorre quando parte do estômago migra para o tórax pelo hiato diafragmático, comprometendo o mecanismo de fechamento do esfíncter esofágico. É mais comum em raças braquicefálicas como Bulldog e Shar Pei. Casos sintomáticos com refluxo severo podem necessitar de correção cirúrgica.

Refluxo pode causar tosse no meu gato?

Sim. A aspiração de pequenas quantidades de ácido gástrico para a traqueia pode causar tosse crônica, bronquite e até pneumonia aspirativa em gatos. Gatos com tosse persistente sem causa respiratória aparente devem ser investigados para refluxo gastroesofágico como possível causa subjacente.

Como prevenir o refluxo durante a anestesia do meu pet?

O jejum pré-operatório correto é essencial: 8 a 12 horas sem alimento sólido. Em animais com histórico de refluxo, o veterinário pode prescrever omeprazol na véspera e na manhã da cirurgia. Posicionamento cuidadoso durante o procedimento e extubação com o animal plenamente acordado também reduzem o risco.

Refluxo gastroesofágico é comum em filhotes?

Sim, filhotes têm esfíncter esofágico inferior ainda imaturo, o que os torna mais suscetíveis ao refluxo. Regurgitação frequente em filhotes deve ser avaliada, pois pode indicar refluxo, megaesôfago congênito ou outras anomalias esofágicas que requerem tratamento específico.

Ver também